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Atualidade / Arquivo

O ‘baixo’ não é ‘bonito’

Para o arquitecto Eduardo Souto de Moura, em Portugal desconhece-se as vantagens da construção em altura. As torres não podem ser edifícios ‘icónicos’

A construção em altura é importante para libertar o espaço público. Ou é uma forma de resolver a pressão urbanística?
Não tenho nada contra as torres. Em Portugal, julgo que a oposição à construção em altura é um problema cultural. O facto de se concentrarem vários serviços num só espaço é vantajoso. Mas as pessoas meteram na cabeça que o alto é mau, e o baixo é bonito.

Em Portugal, edifícios de 100 metros são considerados torres. Mas pelas dimensões internacionais não seriam...
Isso só mostra que a altura é um conceito abstracto. Em Manhattan, por exemplo, um edifício de 100 metros é ridículo. Em Portugal, tem um impacto brutal. Julgo que só por motivos de segurança é que a construção em altura não está mais generalizada entre nós. Os bombeiros não têm capacidade de ataque ao fogo num prédio de 60 metros. Por isso, os edifícios têm de ser autónomos. Mas como são dispendiosos, feitas as contas pode não compensar. Mantê-los é caro.

O PDM, por norma, só permite prédios com altura máxima de 25 metros, embora admita excepções, por exemplo quando se trata de edifícios de autor. O que lhe parece?
Em vez de estarmos concentrados nas medidas de um edifício, o mais importante é ver o seu impacto na paisagem. Perceber de que forma vai alterar a memória colectiva. Nenhum arquitecto ou promotor tem esse direito. Além disso, parece-me errado gerir um território de acordo com o elitismo do arquitecto. Agora, em terrenos baldios, com casas horrorosas à volta, mais valia fazer arranha-céus e libertar o espaço. Além disso, é mais barato construir uma torre do que um empreendimento com prédios baixos.