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O amigo de Lula

Apesar da mira de Sócrates ser a diplomacia económica e a tentativa de seduzir os empresários brasileiros a investirem em Portugal, o primeiro-ministro leva do Brasil a imagem da cedência aos interesses de Lula da Silva.

Logo no dia em que chegou a Brasilia, Sócrates afirmou taxativamente que os imigrantes ilegais não só não eram um problema como «estavam fora da agenda bilateral» a discutir no Planalto. A verdade é que, menos de 24 horas depois, o chefe do Governo Português anuncia, ao lado do Presidente Brasileiro, que o Conselho de Ministros aprovará uma nova lei da Imigração, que adopta o conceito Simplex, isto é, mais simples e menos burocrática para os cerca de 65 mil brasileiros que continuam em Portugal em situação irregular.

Antes do encontro entre os dois, Lula tinha avisado na imprensa brasileira que o assunto era «para discutir e resolver». Na conferência de imprensa conjunta, ou melhor, nas declarações sem direito a perguntas (é assim que funciona a comunicação no Planalto), Lula usou da sua arrogância para dizer que «não descansará enquanto a comunidade brasileira não viver toda com dignidade».

Tudo isto acontece depois de José Sócrates ter dito a Lula, mas em privado, que a Lei da Imigração ia ser alterada. Tudo isto acontece em período pré-eleitoral no Brasil. Tudo isto acontece no dia em que uma sondagem dá pela primeira vez como certa a vitória de Lula à primeira volta.

Dizem os jornalistas brasileiros que com esta atitude, Sócrates ajudou Lula a garantir quase o pleno dos votos dos brasileiros que vivem em Portugal.

Desta forma, a visita de quatro dias que deveria servir para relançar as relações económicas entre os dois países, acabou por ter como desfecho o apoio do primeiro-ministro português ao Presidente e recandidato do PT.