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«Nunca quis ser modelo»

Começou carreira na moda e chegou às «passerelles» internacionais. Agora, como actor, Paulo Pires volta a conquistar terreno fora de portas.

Aos 7 anos queria ser polícia, depois passou-lhe pela cabeça ser escultor, tentou a Psicologia, mas acabou na moda. E daí veio o «salto» maior para a carreira de actor no cinema, no teatro, na televisão. Paulo Manuel Gonçalves Pires, 39 anos - a viver em Madrid à conta das gravações de uma nova série televisiva espanhola com a «estrela» Ana Obregón -, diz-se de esquerda, mas elege Pacheco Pereira como uma das grandes figuras da política nacional, já se cruzou com Pedro Almodóvar, teve na paternidade a sua maior descoberta pessoal e diz-se vaidoso q.b.

É uma das personagens principais da série «Ellas Y el Sexo Débil», aposta da Antena 3 para a «rentrée». Este é já o seu terceiro projecto em Espanha. Como é que deu o «salto»?
Não foi planeado. Aconteceu há cerca de um ano, quando fui chamado para um «casting» em Madrid, depois de uma realizadora espanhola me ter conhecido nas gravações de «Os Jornalistas», série em tempos exibida na SIC. Chegou a dizer-me por várias vezes: «Hablas español, eres guapo, podrias trabajar en nuestro país» («Falas espanhol, tens boa pinta, podias ter saída no nosso país»).

Convenceu-o?
Sim. Vim a Madrid, fiz um teste e consegui uma participação em «Los Serranos», série da Telecinco, onde interpretei John, um americano, médico e homossexual. Gostaram muito da minha prestação e inventaram-me um irmão gémeo, o Paul. E lá gravei as novas cenas do Paul. Tempos depois, o mesmo director de «casting» convidou-me para a série «Fuera de Control», para a TVE.

Dessa vez já como protagonista?
Sim. Com um elenco fantástico de 13 actores vindos do teatro e do cinema.

É mais bem pago em Espanha?
Os actores espanhóis são, de facto, mais bem remunerados do que os portugueses, consequência de um país maior e melhor economicamente. Mas teria vindo ainda que ganhasse o mesmo do que ganho em Portugal. A minha escolha está ligada ao interesse dos projectos.

Os espanhóis já o reconhecem na rua?
Ainda não. Acontece às vezes, mas é raro. Acredito que mal esta série estreie as pessoas passem a fixar-me. Existe uma grande expectativa do público por este produto.

Está a trabalhar em Espanha, mas continua a morar em Portugal.?
Sim. Durante a semana vivo num apartamento alugado no centro de Madrid. Não penso mudar-me para cá. A minha família está em Sintra. E ao fim-de-semana meto-me num avião e, em 50 minutos, estou a aterrar em Lisboa. Se fico cá mais tempo, então é a minha família que vem passar umas semanas em Madrid.

É fluente em espanhol?
Falo sem muitos erros, com alguns tropeções, mas não naquele «portunhol» habitual em muitos portugueses.

De um momento para o outro o seu universo profissional alargou-se substancialmente.
Sim. Mas há o factor sotaque, que me obriga sempre a fazer um papel de estrangeiro. Nem sei se um dia serei capaz de fazer uma personagem de origem espanhola, a não ser que esteja aqui a viver muitos anos.

Gosta de representar em espanhol?
Gosto. Apesar de ser muito difícil fazer comédia numa língua que não é a nossa. O espanhol é directo, sensual, engraçado e fica muito bem nestes registos burlescos.

E o cinema espanhol faz parte dos seus planos?
Oxalá aconteça. Nunca escondi que o que mais gosto de fazer é cinema. Quando em tempos me perguntavam se alguma vez eu tinha pensado em trabalhar nos Estados Unidos, eu respondia que o meu mercado internacional seria Espanha.

Já foi apresentado a Pedro Almodóvar?
Não. Mas já me cruzei duas vezes com ele na rua. A primeira vez, há nove anos, na Feira Hippie de Ipanema, no Rio de Janeiro. Voltei a encontrá-lo há pouco tempo numa das ruas de Madrid. Andamos pelos mesmos sítios... (risos)

Gostava de trabalhar com ele?
Claro que sim. O Pedro Almodóvar é sempre uma referência. Se ele me convidasse, analisaria o projecto e se gostasse... Mas o que é que eu estou a dizer?! Se eu não gostasse do projecto arranjaria uma forma de gostar. Quem sou eu para recusar uma proposta do Almodóvar?

Onde é que cresceu?
Na minha rua, em Queluz, a jogar à bola, ao alho, a deslizar em carrinhos de rolamentos, a tocar às campainhas ou a esvaziar pneus de carros. Todas aquelas maldades que se faziam nessas idades. Era um ambiente bastante salutar. Lembro-me, inclusive, de andarmos de bicicleta e de prendermos com fita-cola cartas de jogar no garfo do veículo para que quando batesse nos raios da roda fizesse «tututututu» como se de uma mota se tratasse (risos), E, pronto, cresci durante muitos anos numa área restrita em que o mundo parecia confinado à minha rua.

Era extrovertido?
Não. Sempre fui um falso tímido. No sentido em que falava pouco com as pessoas que não conhecia. Ouvia mais do que falava. Corava se uma rapariga me dizia «ai os teus olhos não sei o quê»...

Quando é que começaram a achá-lo bonito?
Na primária. Lembro-me de ouvir uns piropos, tipo «tens uns olhos tão giros». Tenho algumas cartas de amor guardadas da primária.

Isso não o deixava envaidecido?
Não. Às vezes preferia não ouvir isso. Lembro-me de uma coisa completamente absurda, disparatada: Como nunca tive problemas de acne, ficava a olhar-me ao espelho e a dar a mim próprio grandes beliscões na cara para passar a ter uma marca qualquer, um rasgão que me tirasse este ar correctinho. De boneco. O que eu mais desejava era ter barba ou um bigode que estragasse um bocado esse aspecto.

É a postura do contra...
A vida é assim. Se não tiveres uma coisa faz-te falta, se a tiveres não lhe dás valor.

Arrepende-se de alguma coisa que tenha feito na adolescência?
Não me arrependo de nada, mas gostava de ter aproveitado melhor certas situações. Era um adolescente bastante sério.

Sério como?
Lia livros muito sérios. A partir dos 17 anos, comecei a interessar-me por Kafka, Boris Vian, Jean-Paul Sartre, Antonin Artaud. O que acho bem, mas se calhar devia ter feito outras coisas na vida. Era muito elitista.

Mas de que é que se arrepende? De não ter sido mais fútil?
Não, não é isso. Mas dou por mim a perguntar-me porque é que não pratiquei surf, por exemplo. Afinal, somos um país de boas ondas e bom mar.

E que resposta encontrou?
Que os surfistas eram os betinhos.

Fazia parte de que grupo?
A dado momento passei a querer pertencer ao mundo das artes. Aliás, a minha área de estudos era Arte e Design. O meu grupo de amigos fazia parte desse campo.

O que é que ambicionava ser?
Estive sempre dividido. Aos 7 anos queria ser polícia e ter um Wolkswagen vermelho com uma capota preta, talvez porque tinha um brinquedo assim. Mais tarde quis ser escultor. Depois ocorreu-me fazer Psicologia (cheguei a estudar para isso), e antes de me tornar actor desejei ser realizador de cinema e fotógrafo de moda.

Tornou-se modelo por acaso?
Sim. Nunca quis ser modelo. Nunca pensei que fosse possível.

E porquê o gosto pela Psicologia?
Gosto da matéria que é o ser humano, de o tentar perceber.

É um bom ouvinte?
Sou. E a Psicologia é um campo que me fascina bastante. Para se ser um bom actor é preciso ser um excelente observador.

Considera-se bom nessas duas vertentes?
Não quero dizer isso. Mas não tenho dúvidas nenhumas de que sou excelente observador. À mesa dos restaurantes, diverte-me adivinhar a vida das outras pessoas. (risos)

Como é que chegou à moda?
Tudo aconteceu porque um dia acompanhei uma namorada à loja do Mário Matos Ribeiro e da Eduarda Abondanza e fui abordado para fazer um desfile. Tinha 21 anos.

Aceitou logo?
Aceitei. Nem foi pelo dinheiro, mas porque fiquei um bocadinho curioso.

Foi um desfile importante?
Sim, porque conheci o João Carlos, que foi fundamental para a minha carreira de modelo. Nessa altura, insistiu comigo para que fizesse uma formação na área. Garantiu-me que não teria de pagar nada, porque, com trabalhos, conseguiria cobrir os gastos da formação. Cheguei a pensar para os meus botões que nunca iria ter trabalho suficiente para tal.

O encontro com Tó Romano, director da Central Models, foi outro momento importante.
Sim, definitivamente. Foi o próprio João Carlos que me falou de um tal Tó Romano, que eu não conhecia. Explicou-me então que eu tinha um bocado o género físico do Tó, mas na versão morena. E que poderia vir a trabalhar muito com ele.

Como é que o conheceu? Bateu à porta da Central Models?
Eu e outros potenciais modelos apresentámo-nos na agência mal acabámos o curso. Nessa ocasião, o Tó e a Mi comentaram que já tinham ouvido falar de mim. Acabei por ser um dos escolhidos pela Central e, a partir daí, começaram a surgir-me trabalhos com regularidade.

No início de carreira afirmou-se com uma imagem muito clássica. Porquê?
O estilo clássico encaixava no meu género físico. Mas não me limitou. Tanto era convidado pelas marcas mais tradicionais como pelas comerciais ou ousadas.

Com tantas solicitações, não teve receio de esgotar a sua imagem? De a queimar?
E queimei. O país é pequeno e o mercado o seu reflexo. Cedo percebi que a sobrevivência, a longo prazo, nesta profissão de modelo seria partir para o estrangeiro. Não só porque me valorizaria o currículo mas principalmente porque podia abrir o meu mercado de trabalho.

E fê-lo?
Sim. Logo no início. O meu primeiro mercado foi Espanha, em Madrid. Fiz vários trabalhos para o El Corte Inglés e para o Armand Bassi. Depois, Londres. Estive uns tempos sem trabalho, de «casting» em «casting» e, de repente, tive a sorte de ser escolhido como rosto da Christian Dior por duas temporadas.

Surpreendeu-o?
Claro. Estive num «casting» entre 150 candidatos e acabei por ser o único modelo escolhido para o catálogo. E isso é uma sensação boa. Senti que fazia sentido todo o meu investimento: fora do meu país, sozinho, a gastar dinheiro do meu bolso, a dormir em pensões em que os quartos nem casa de banho tinham.

Ficou-se por Inglaterra?
Não. A seguir fui para Tóquio, depois Milão, Viena de Áustria, Barcelona, Munique, Hamburgo. Paris foi o último sítio onde trabalhei.

Chegou a passar dificuldades?
Não vivia mal. Em todos esses países, vi muitas vezes os modelos a alimentarem-se unicamente de massa. Um hidrato de carbono baratíssimo que dá energia e que é queimada com as idas ao ginásio. Eu ia jantar fora aos restaurantes. Não sei se é por isso que ainda hoje não como massa. É comida de modelo.

Quando alcançou a independência?
Aos 21 anos. Quando concluí a tropa, saí de casa dos meus pais para viver com uma amiga e aconteceram os meus primeiros trabalhos como modelo.

É verdade que há muitos excessos e promiscuidade na moda?
Há muito exagero no que se diz sobre a matéria. Observa-se na moda o que se observa na nossa sociedade. Nem mais, nem menos.

Chegou a experimentar drogas?
Não. Talvez por não ter uns pais do género «Se te apanho a fumar ou se sei que te drogas nem sabes o que te acontece». Nunca senti necessidade de fazer certas coisas só por serem proibidas.

E álcool?
Pois. Desde jovem percebi que o álcool era uma droga que se encostava a mim. Mas sempre tive uma relação óptima com essa droga.

Como assim?
Apanhei várias bebedeiras com vodka, tequila, gin. E ainda bem que as apanhei com os meus amigos. No dia seguinte custava acordar, mas nunca cheguei a ficar dependente. Era a droga que eu podia controlar, a minha zona de irreverência. De resto, sempre fui pessoa regrada.

Mas esta não é uma profissão carregada de tentações?
Vi muitas pessoas vítimas de deslumbramento. E não falo só de droga ou de álcool, mas da falta de dignidade, de má gestão da vida, de fraca personalidade, de ser-se infiel a si próprio...

Isso nunca lhe aconteceu?
A verdade é que todos somos um bocadinho deslumbrados neste mundo capitalista. Mas o facto de ter começado a trabalhar tarde fez com que eu tivesse uma estrutura mental mais amadurecida.

Quando é que começou a ponderar mudar de profissão?
 certa altura, as pessoas começaram a lembrar-me disso. «O que vais fazer depois?» E isso começou a chatear-me e a preocupar-me. Antes de entrar numa fase de maior angústia houve uma via que se abriu e que foi o trabalho de actor.

Como foi essa mudança?
Pelas minhas características físicas, fui escolhido pelo José Álvaro Morais, em 1994, para recriar a figura do Corto Maltese, no filme Zéphiro. Era uma figuração especial, eu nem falava. Dois anos depois, estreio-me como actor no filme Cinco Dias, Cinco Noites, do José Fonseca e Costa. Acabei as filmagens exausto, mas percebi que ser actor era muito mais interessante do que ser modelo.

Nunca sentiu o estigma do modelo que se mete no mundo dos actores?
Eu tinha esse medo. E era normal e legítimo que as pessoas, no início, tivessem esse preconceito. Foi até por isso que quis cortar de vez com a minha carreira como modelo. Para separar as águas. A verdade é que trabalho como actor há mais tempo do que trabalhei como modelo.

Chegou a ter formação de actor?
Não. Senti essa vontade desde o início. Mas o trabalho como actor foi-me surgindo com tanta continuidade que eu não tive coragem de interromper, com medo de perder a carruagem. Até porque fui sendo dirigido por grandes mestres do teatro, como o João Lourenço, o Fernando Heitor, a Maria Emília Correia, o Carlos Avillez. E todas essas pessoas não são piores do que os professores das escolas de teatro. Alguns deles até dão aulas.

Estreou-se na televisão logo com um papel de protagonista numa telenovela da Globo, «Salsa e Merengue». Estava preparado?
Na verdade, senti-me lançado aos leões durante aqueles seis meses. Sempre que pedia ajuda ao autor, Miguel Falabella, ele dizia: «Faz, que eu escrevo para você». Eu não tinha qualquer experiência televisiva e estava, de repente, num papel de destaque, em horário nobre. Preferia que o convite tivesse surgido mais tarde.

Durante quatro anos apresentou o programa «Mundo VIP», na SIC. Considera-se um VIP?
Não. Nunca gostei dessa palavra. Até comentei nos bastidores que o nome deveria ser outro. O termo VIP, abreviatura de «Very Important Person», não faz sentido em Portugal e, muito menos, nas pessoas habitualmente intituladas como tal. Eu sou importante para a minha família, para os meus amigos. Mas é só. Também não gosto do termo «figura pública».

Porquê?
Públicos são os jardins e os bancos que temos pela cidade e de que todos podem usufruir.

É fotografado com alguma frequência em festas e eventos. Sente-se confortável nesse mundo?
Acabo de recusar um convite em Espanha para um evento porque não me apeteceu. Não sou escravo disso. Só vou aos que me apetece. Mas é claro que em certas situações é preciso aparecer e mostrar um sorriso educadamente falso. Faz parte do jogo.

O nascimento da sua filha Chloe, há dois anos, mudou a sua forma de estar na vida?
Completamente. Sempre tive vontade de ser pai. Mal sabia eu que a paternidade é ainda mais fantástica do que imaginava. É tão bom que até assusta. Recordo-me das palavras que ouvi num filme, saídas da boca de um pai que dizia: «Pela primeira vez na vida passei a gostar mais de alguém do que de mim próprio». É brutal!

Quais são os seus medos?
Com o nascimento da Chloe, comecei a confrontar-me com a morte. E a angustiar-me com o facto de não a poder ver crescer. É o meu principal medo, mais do que a velhice e a decadência física.

Está casado com uma modelo austríaca há já alguns anos. Alcançou a estabilidade que ambicionava?
É a minha primeira relação duradoura. Que não tem sido fácil, que tem passado por dificuldades pela distância geográfica que a Astrid passou a ter com o seu país e pelas nossas diferenças culturais. É uma luta constante. Mas até agora tem dado para vivermos juntos. Antes, nunca tinha estado sequer um ano com alguém. Quando a conheci, senti que estava perante alguém especial. E confirmei isso com o tempo. É uma pessoa inteligente, com quem eu tenho muita empatia. Apesar de ter trabalhado no mundo da moda, ela interessa-se por outras coisas na vida, como a filosofia, em que é licenciada.

Considera-se um homem vaidoso?
Inevitavelmente, todos somos vaidosos à nossa maneira. Mesmo os mais descuidados. Eu sou vaidoso q.b.

Qual é a imagem que tem de si?
Vejo-me como uma pessoa simples. Gosto de viver a vida com dignidade, originalidade, criatividade... sem dar nas vistas.

Procura elegância para a sua vida?
Claro (risos). Gosto de viver esta vida com prazer. Seja através da comida, das artes, do sexo... E procuro vivê-los com algum estilo, algum charme.

Interessa-se por política?
Mais do que já me interessei. Com a idade, vamos ganhando certos defeitos, e um deles é começarmo-nos a importar com a política (risos). Quando era novo, achava o assunto uma grande chatice. E a verdade é que se há coisas que interessa saber, outras há que não interessam para nada.

Qual é o seu partido?
Prefiro dizer em que zona política não estou.

E qual é?
Não faço parte da direita. Identifico-me muito mais com os valores e com as políticas de esquerda. Mas não quer dizer que não admire certas pessoas que não fazem parte desta zona política.

Quem, por exemplo?
O Pacheco Pereira, uma pessoa que eu admiro. Não só é um político como um pensador.

Costuma votar?
Voto sempre. Já cheguei a fazê-lo com dúvidas. Mas pior que isso é a atitude de muitos portugueses. Queixam-se noite e dia, mas depois nem sequer votam, porque preferem estar na praia. São esses que fazem o país que somos...

Era capaz de dar a cara por um partido?
Não. Já fui convidado a fazê-lo e recusei. Mais facilmente estou contra alguém do que a favor. Quero dizer com isto que quando posso contribuir para alguma coisa ser mudada procuro fazê-lo. E já o fiz.

Refere-se a quê, concretamente?
Falo da despenalização da lei do aborto, por exemplo. Porque, primeiro do que tudo, defendo o referendo para esse assunto.

Também tem uma faceta de empresário. Continua a ser sócio do bar Belém Bar Café (BBC)?
Sim. Tenho uma pequena quota no espaço. Vou lá de vez em quando, mas há muita coisa que me passa ao lado, porque aquilo está a ser gerido por pessoas que têm um bom «know-how» da noite.

Foi escolhido para sócio por ser um rosto mediático, não foi?
Claro que sim. Nem que eu quisesse conseguiria encobrir isso. Com certeza não foi por eu ser um especialista da noite, coisa que não sou.