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Novo livro de Henrique Monteiro é apresentado amanhã

"Toda uma vida", segundo romance de Henrique Monteiro, diretor do Expresso, apresenta-nos uma velha que reflecte sobre 88 anos de vida. Livro é apresentado quarta-feira.

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O novo livro de Henrique Monteiro, "Toda uma vida", apresenta-nos uma velha, nascida em El Ferrol (Norte de Espanha) há 88 anos, na sua casa no Algarve sobre a praia, desfiando memórias e reflexões de uma vida. 

"Chamo-lhe 'a minha velha', não tem nome. Não foi propositado, aconteceu, e agora seria incapaz de lhe dar. Esta velha é uma sobrevivente, sobreviveu aos pais, aos irmãos, a dois filhos, aos amigos, e questiona o próprio sentido da vida", afirma o autor à Lusa. 

"Ela é uma personagem pedante com uma visão lúcida, hipócrita e cínica, e é o que é, nas suas contradições. É a vida!", salienta o jornalista e director do Expresso. 

Personagem conservadora

A personagem, explica Henrique Monteiro, "é composta de várias pessoas que conheci, não é ninguém em particular, mas um conjunto de pessoas e histórias que conheci". "Uma personagem conservadora mas prática, nascida num meio social acima da média", acrescenta. 

A "velha" de 88 anos trata mal a empregada Fátima que a acompanha e lhe aconchega o casaco nos dias frios, lhe serve as refeições, a acomoda.

Sobre a fiel Fátima, a "velha" afirma a dado passo: "A idiota desatou a rir-se. E vi, então, que era impossível uma conversa decente com ela. A idiota achou que eu estava a disparatar, então disparatei: - De que te ríes coo? Carcajeas cochina! Serás tonta?". Lúcida e matreira, a "velha" prossegue: "Aproveitei para dizer mais uns palavrões e insultá-la de tudo o que me fui lembrando". 

"Toda uma vida", que será apresentado na quarta-feira, às 19h, na Livraria Bucholz, em Lisboa, foi "escrito de um fôlego em dois períodos de 15 dias de férias", conta Henrique Monteiro. 

Outros projectos na forja

Diretor do semanário Expresso, Henrique Monteiro publicou o primeiro romance, "Papel pardo", em 2002, também pelas Publicações D. Quixote, e tem outros projetos "em mente". "Um, que não sei se algum dia acabarei, que exige muita investigação, e outro, mais na ótica do comendador Marques de Correia (cronista ficcionado pelo autor que semanalmente escreve 'Cartas abertas' no jornal Expresso), e de repente surgiu esta personagem que confesso é fascinante". 

Por outro lado, refere Henrique Monteiro, "esta velha é também o anúncio do fim de uma civilização, daí eu dedicar o livro à geração dos meus pais e dos meus sogros, que se esforçaram e sofreram para nos dar um mundo melhor". 

Mas, adverte o autor, "tal como afirma a minha velha: como se o mundo estivesse à espera que nós nascessemos para ser salvo. Muito antes de nós, há balanços, atavismos, construções sociais, e essa ideia de mudar o mundo perdeu-se, andamos um pouco à deriva, como a própria velha". 

Voltando a citar a personagem snobe que olha do quintal "o povo que se diverte, come e bebe na praia", Henrique Monteiro afirma: "Lamenta-se que hoje não haja uma ideia, uma causa pela qual nos batamos, mas critica-se as ideias pelas quais milhares de pessoas morreram. São contradições". 

O livro, salienta o jornalista, "pretende transmitir a ideia de que ninguém existe sozinho e só muitas vidas fazem uma vida". 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico*** 

Clique para ler a Nota da Direcção do Expresso sobre o novo Acordo Ortográfico.