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Nogueira Pinto acusa Portas de promover “golpada”

É a guerra total no CDS. Maria José Nogueira Pinto diz que Paulo Portas levou para dentro do partido "o pior da memórica do PREC".

A presidente do Conselho Nacional (CN) do CDS acusa Paulo Portas de ter “instigado” os incidentes verificados na reunião daquele órgão, no domingo. Portas, diz Nogueira Pinto, “trouxe para dentro do partido o pior da memória do PREC (período revolucionário em curso)”. “O que se passou, instigado por Paulo Portas, é uma indignidade para qualquer partido”, reiterou Nogueira Pinto, numa conferência de imprensa em que acusou também o deputado Hélder Amaral, de Viseu, de a ter agredido fisicamente.

“Não me lembro, no decurso da minha vida política, de um espectáculo tão degradante”, afirmou a presidente do CN, considerando “a todos os títulos inqualificável” o que se passou ao fim da noite de domingo. Para a dirigente do CDS, a responsabilidade foi toda de Portas, a quem acusou de “mero oportunismo político” e promover “golpadas”. “Neste momento o partido está a ser assaltado”, denunciou Nogueira Pinto, que não poupou nas palavras para criticar o ex-presidente centrista, a quem acusou de ter promovido “uma cena a todos os títulos inqualificável”.

“A primeira aparição pública de Paulo Portas teve este saldo extraordinário: dizia que vinha unir e lesou o património histórico do partido. Ainda diz que vem federar a direita! Eu conheço a direita, a direita tem horror a este tipo de comportamento”.

O CN, convocado para decidir se a disputa do poder se irá resolver por eleições directas ou em congresso, foi pautado, segundo Nogueira Pinto, por “coação psicológica, violência verbal, ameaças e, por fim, violência física”. A reunião durou mais de doze horas e acabou já perto da uma da madrugada, depois de a larga maioria dos conselheiros (146 em 221) ter votado a favor das directas, tal como Portas propunha. Aliás, Portas venceu folgadamente todas as votações feitas durante a reunião. Mas esta maioria não impediu Nogueira Pinto de anunciar que terá que ser convocado um congresso, uma vez que existe um requerimento, assinado por mais de mil militantes, propondo um congresso imediato. Ora, segundo os estatutos, o congresso pode ser convocado pelo CN ou por um requerimento de mais de mil militantes. A interpretação de Nogueira Pinto é que o requerimento se sobrepõe à decisão do CN – e foi esta a decisão que lançou gasolina na fogueira.

Ontem, Nogueira Pinto explicou que, apesar de entender desde o início que o requerimento prevalecia, teve que fazer a reunião do CN, pois o documento dos mil militantes admitia, como “condição resolutiva”, que o congresso pudesse ser convocado por decisão deste CN. Se assim fosse, o requerimento “perdia validade”. Ora, como o CN decidiu pelas directas, “impõe-se o requerimento”. Assim, as directas “não têm efeito imediato”, explicou Nogueira Pinto, pois “a ratificação passou para o congresso”.

A presidente do CN insiste que a maioria formada no CN foi manipulada por Portas, tendo-lhes mesmo chamado “cães de fila”. “O partido não é dos cães de fila de ninguém”, frisou. E desvalorizou o sinal dado pelas votações, afirmando que não pode “prevalecer a vontade da maioria dos conselheiros, que são apenas umas dezenas, contra a vontade de centenas” que assinaram o requerimento. “O CN representa o partido, mas não é o partido”, sentenciou.

Acusação a Hélder Amaral

Nas suas duríssimas declarações, Nogueira Pinto ainda acusou o deputado e presidente da distrital de Viseu, Hélder Amaral, de a ter agredido no meio da confusão que se instalou quando a presidente do CN deu por terminada a reunião. Nesse momento, Paulo Portas esperava poder discursar, uma vez que tinha acabado de vencer uma eleição.

Hélder Amaral, segundo Nogueira Pinto, “lançou pelas minhas costas, magoou-me nas costas e no ombro”. E frisou: “Um deputado à Assembleia da República agrediu a presidente do Conselho Nacional (do CDS), uma mulher que merece consideração e respeito”. Para Maria José Nogueira Pinto, não há dúvidas: “Não é com estas pessoas que a direita se vai regenerar.” A dirigente garante ter imagens que provam o que diz e desafia os seus adversários a contestar a sua versão dos acontecimentos. Mas diz que não apresentará queixa contra o deputado – “Não lhe dou essa importância”.