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«Nem sempre vencem os favoritos»

O embate com a França é uma oportunidade única para fazer história. Scolari lembrou aos jogadores: «Nem sempre vencem os favoritos».

DEPOIS da salva de palmas de que Ricardo foi alvo no domingo, na sala de imprensa de Marienfeld, na sequência da brilhante exibição que assinara no Portugal-Inglaterra jogado na véspera, ontem foi a vez de Luiz Felipe Scolari ser recebido de idêntica forma quando entrou na sala das conferências de imprensa do estádio Arena de Munique.

Os promotores da manifestação de apoio foram, desta feita, alguns jornalistas brasileiros, que com a sua selecção nacional já de fora do Mundial-2006 não esquecem o feito do pentacampeonato que «Felipão» ajudou a conquistar há quatro anos.

O agora treinador de Portugal, surpreendido, agradeceu a deferência. «Quero dar um abraço a vocês todos, em especial aqueles que já não via há muito tempo, com os quais eu convivi algum tempo da minha vida no Brasil e que hoje estão aqui. Obrigado», disse.

No contacto de ontem com os jornalistas, Scolari considerou a equipa francesa logicamente favorita para o confronto de quarta-feira, até porque em seu entender «é a mais bem preparada dos quatro finalistas». Mas deu conta de que esse será precisamente um dos factores que aproveitará para motivar os seus jogadores.

«No nosso registo histórico com os franceses não temos vantagem, temos, aliás, uma grande desvantagem. Mas nada é definitivo. Há sempre uma oportunidade de mudar a história e ver as coisas por outro prisma. A selecção tem primado pela alteração de alguns resultados que dantes aconteciam e esta é uma boa oportunidade para mudar a linha que temos tido com a França» , defendeu, reforçando com convicção: «Nem sempre vencem os favoritos».

Para o seleccionador nacional, o facto de ter cinco jogadores «amarelados» – Ricardo, Miguel, Ricardo Carvalho, Maniche e Figo – não é preocupante. «Para atingirem a final eles têm de ganhar a meia-final, por isso não vale a pena jogar condicionado», garantiu, considerando que as unidades que tem no banco lhe dão garantias na eventualidade de um qualquer jogador poder vir a ser suspenso. «Se acontecer um cartão, não há problema nenhum», rematou.

Questionado sobre a condição física de Figo e Cristiano Ronaldo, Scolari admitiu que o jogador do Manchester United «tem mais possibilidades de jogar de início» que o capitão. Depois do treino condicionado que fizeram na segunda-feira – pelo menos nos 15 minutos abertos aos jornalistas –, na tarde desta terça-feira, no treino de adaptação ao novíssimo recinto de Munique, ambos trabalharam normalmente com todos os outros jogadores. Porém, ao cabo de meia hora, deixaram o grupo e foram fazer preparação individual, dando mostras de que os problemas que sofrem ainda não estarão debelados. Apesar disso, não é crível que Scolari esteja a considerar a hipótese de deixar Figo de fora, adivinhando-se as dúvidas que mais uma vez levantou como um segundo «take» do «bluff» montado na passada sexta-feira em redor da possível não utilização de Cristiano Ronaldo com os ingleses.