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Navio-escola Sagres avaria no mar e pede ajuda ao Uruguai

Um dos orgulhos de Portugal no mar precisou de interromper a navegação por avaria no motor quando rumava à Argentina, onde é aguardado com ansiedade.

O tradicional navio-escola Sagres – um dos ex-libris da Armada portuguesa e uma espécie de Embaixada itinerante de Portugal pelo mundo –, sofreu uma avaria no motor que obrigou o comandante José Luís do Vale Matos, capitão de Mar e Guerra, a pedir ajuda à Marinha do Uruguai. O navio está a ser rebocado por águas uruguaias até o porto de Montevideu, onde vai atracar para a reparação.

Contactado pelo Expresso, o comandante do Sagres adiantou que a avaria foi detectada no regulador de velocidade do motor durante uma manobra, à entrada do Rio da Prata, no Sul do Uruguai. “Estávamos a navegar quando se deu a avaria no motor e, como não conseguimos ultrapassar o problema com meios que tínhamos a bordo, decidimos atrasar a rota e pedir ajuda para parar em Montevideu.”

O comandante considerou ainda que situações como esta “podem sempre acontecer”, sublinhando que o Sagres é um navio à vela e só tem um motor.

O barco tinha feito escalas nos portos brasileiros de Recife e Santos, de onde partiu para Buenos Aires. Sendo que a previsão de chegada à Argentina no domingo às 9 da manhã (13 horas de Lisboa) provocou uma forte expectativa não só na comunidade portuguesa como também entre os portenhos (naturais de Buenos Aires).

Desilusão à vista

Orgulhosos com "a vitrina de Portugal", representantes das associações portuguesas programaram tudo para estar no Porto de Buenos Aires a receber o navio, juntamente as autoridades argentinas. Além disso, os portenhos também foram seduzidos pelos Media locais a visitarem duas exposições itinerantes a bordo do navio.

Perante este cenário, não chegar a Buenos Aires na data prevista pode ser um golpe à imagem de Portugal entre os membros da comunidade portuguesa que esperam o Sagres e motivo de decepção entre os argentinos no geral. E a hipótese do horário não ser cumprido é bem real, já que a embarcação precisa de 24 horas para cruzar o Rio da Prata, entre Uruguai e Argentina, um dos maiores estuários do mundo.

As autoridades da Armada argentina também estão em expectativa sobre o problema no Sagres, já que o navio-escola – reconhecido internacionalmente na formação de marinheiros –, despertou um grande interesse na marinha local.

Embaixadas portuguesas acompanham caso

O Expresso sabe que a Embaixada de Portugal na Argentina estará de plantão durante o fim-de-semana para controlar a situação. Já a Embaixada de Portugal no Uruguai encontra-se a monitorizar os movimentos do navio que está a ser rebocado até ao cais número 8 do porto de Montevideu.

"Ainda não sabemos a gravidade da avaria e, portanto, não sabemos se o programa será cumprido. O navio está a ser apoiado pela Armada uruguaia. Acompanhamos a situação e estamos pendentes", indicou ao Expresso o secretário da Embaixada no Uruguai, Jorge Cruz. O Sagres só deveria estar em Montevideu entre os dias 24 e 28, depois da escala em Buenos Aires.

O navio português pediu auxílio à Armada uruguaia na manhã de ontem (sexta-feira) enquanto navegava no Rio da Prata, mais concretamente numa região que os uruguaios chamam de de rio-mar, pois é quando o mar se começa a misturar com o Rio da Prata.

"O navio pediu para atracar em Montevideu para reparar um motor. Está a fazer uma escala forçada e a ser rebocado. Só quando subirmos a bordo saberemos a gravidade do problema. Estamos à espera", explicou ao Expresso Germán Benítez, gerente de operações da agência marítima Silver Sea, responsável pela organização da viagem tanto no Uruguai como na Argentina.

Entretanto, em Lisboa, fonte oficial da Marinha, contactada pelo Expresso, afastou a hipótese da avaria ter surgido por falta de investimento no Sagres, argumentando que o navio cumpre um “rigoroso plano de manutenção”.