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"Não sou vigarista como ele"

José Faria, testemunha-chave do processo contra Avelino Ferreira Torres, declarou hoje em tribunal que o ex-autarca do Marco não pagou o prometido nos alegados negócios ilícitos.

Ricardo Jorge Pinto

"Não sou vigarista como ele. Se não tinha passado os terrenos para meu nome", afirmou José Faria, referindo-se às propriedades que ele afirma ter comprado em nome de Avelino Ferreira Torres e com o dinheiro do ex-autarca do Marco de Canavezes.

Na sessão de tribunal de hoje, José Faria recusou sempre a ideia de que Avelino nada beneficiou com aqueles negócios. Essa parece ser a tese de defesa de Avelino, que, de resto, à saída da sessão, afirmou que nada o impediria de negociar no imobiliário, na qualidade de cidadão. Mas Avelino continua a negar as acusações de ser promotor de negócios em que ficaria favorecido por decisões da Câmara a que presidia. Sobre o alegado empréstimo de dinheiro a Faria, para a compra de terrenos, Avelino continua a reagir de forma irónica. Quando interrogado pelos jornalistas sobre o destino desse dinheiro, respondeu: "Não sei onde foi parar. Se foi para gajas, não sei".

Na versão de Avelino, o ex-autarca do Marco apenas teria ficado com alguns terrenos de José Faria para acertar contas de dívidas que Faria teria consigo. Mas a tese do Ministério Público é diferente: refere que Avelino usaria Faria como testa-de-ferro de compra de terrenos que seriam valorizados por decisões camarárias.

Em tribunal, Faria explicou que Avelino lhe emprestava dinheiro para essas aquisições e teria prometido também pagar os impostos sobre esses negócios. Mas, diz Faria, não cumpriu esta promessa, o que terá levado Faria a ficar endividado, após ter tido de pagar 13 mil contos (65 mil euros) às Finanças.

Recorde-se que Avelino é acusado de seis crimes (extorsão, corrupção, abuso de poder e peculato de uso).