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"Não estamos numa situação insustentável", diz Sócrates

Após um discurso em que o Presidente da República fez um retrato 'negro' do País, o Primeiro-Ministro preferiu enfatizar o apelo feito pelo Chefe de Estado à coesão nacional.

Mário Lino, correspondente no Algarve (www.expresso.pt)

"Nós não estamos numa situação insustentável", reagiu José Sócrates, quando confrontado com a citação do discurso de Cavaco Silva sobre a situação do país, proferido hoje durante as Comemorações Oficiais do Dia de Portugal, em Faro.

"Mas se me permite, o mais importante foi o apelo à unidade", acrescentou o primeiro-ministro.Sócrates garantiu que não deverão ser pedidos mais sacrifícios do que aqueles já anunciados: "Nós achamos que isto é suficiente para lutar pela recuperação económica e reduzir o défice orçamental. E só o fizemos, como todos os países o estão a fazer, por causa da reacção dos especuladores em relação às dívidas soberanas, para conseguirmos uma redução do défice em 2010 e em 2011, mais até do que tínhamos pensado", afirmou.

O primeiro-ministro acredita que os portugueses estão cientes dos sacrifícios exigidos e disse "ter a certeza de que os entenderam bem", referindo-se à subida das taxas no IRS, ao novo  escalão de 45 por cento no Imposto sobre o Rendimento e ainda na aplicação da taxa de 20 por cento nas mais-valias bolsistas.

Cavaco alerta para situação difícil

Recorde-se que no discurso, proferido durante as comemorações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que hoje decorreram em Faro, o Presidente alertou uma vez mais para a situação difícil em que o país se encontra: "É conhecida a situação difícil que atravessamos e a exigência dos desafios que temos à nossa frente. Um tempo em que muitos portugueses temem pelo seu emprego, em que muitos dos que estão desempregados receiam não voltar a encontrar trabalho, em que os jovens se interrogam sobre o seu futuro", constatou.

"Nestes tempos de incerteza é necessário, mais do que nunca, um contrato social de unidade e de solidariedade entre empresários e trabalhadores", adiantou, acrescentando que é necessária atenção a um outro desafio, o da coesão geracional.

"Não podemos deixar que sejam os dois extremos da pirâmide etária, os mais velhos e os mais novos, a suportar os encargos sociais mais pesados das dificuldades do presente", disse o Presidente da República.