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“Não aceito que tratem a PT como subalterna na Vivo”

Todos os dias, Henrique Granadeiro chega à PT com a missão de acabar com a arrogância do grupo. Até porque, com uma receita média de 30 euros por clientes, “ninguém se pode dar por satisfeito”, garante o homem que não tem vergonha de reivindicar para si a vitória sobre a OPA lançada por Belmiro e Paulo Azevedo sobre a PT.

Está à vista uma nova vaga de concentrações nas telecomunicações. Como se vai situar a PT nesse quadro?
A concorrência fixo/móvel desapareceu: todas as plataformas oferecem os mesmos produtos. Os serviços são integrados. O centro de gravidade mudou dos produtos tradicionais de voz e dados para os conteúdos. Os conteúdos estão ancorados numa língua e, quando observamos a distribuição da humanidade por língua, vemos que a maior é o inglês. Não o de Oxford, mas o «bad english», que se transformou no esperanto dos tempos modernos. Há grandes consolidantes no inglês: ATT, Verizon e Vodafone. A segunda língua é o chinês, com pouca capacidade de expansão fora do seu território, e a terceira é o espanhol, com 500 milhões de seres humanos. O português é a língua-mãe de mais de 200 milhões de pessoas. No espanhol, há duas grandes consolidadoras: a Telefónica e a Telmex. No caso do português, não há nenhuma operadora que se posicione na cena internacional como consolidadora, e acho que temos hipóteses de apanhar o comboio na última estação. Caso contrário, na indústria de conteúdos que se avizinha com possibilidade de grande expansão, apenas teremos a função de tradutores ou de legendagem.

Não está a pensar só no mercado português...
Não, estou a pensar em mais de 200 milhões de pessoas, que estão também no Brasil e em África. Só um operador com esta configuração internacional poderá animar uma indústria de conteúdos com a identidade própria dos países que usam o português como língua-mãe.

A concentração das participações em África é um passo nesse sentido?
Sim, mas vai para além desta ideia. África é uma das regiões com maior potencial de crescimento. O país que mais cresce no mundo é Angola, mas há outros. Pensamos que temos condições de fazer uma holding africana, ancorada num dos países de expressão portuguesa com aspirações a estar nas praças financeiras internacionais e locais, e ser um instrumento de animação do desenvolvimento social e económico que estes países vão necessitar.

Há espaço para mais de um grande operador de língua portuguesa?
Se pensarmos que só a Vodafone tem mais clientes do que as pessoas que falam português, vê-se que é difícil competir na primeira divisão com uma pulverização de operadores de língua portuguesa.

A PT tem condições para liderar este processo?
Não estou a dizer que é a PT, mas que o movimento pode conduzir a isso e que, na minha opinião, deve conduzir a isso. A questão da nacionalidade nesta matéria é subalterna. É uma questão de retomar Pessoa, e a nossa pátria é a nossa língua. E a nossa língua tem várias nacionalidades.

E se não for atingido?
Poderemos entrar no cone de consolidação de outros consolidantes. Os países africanos de expressão portuguesa naturalmente serão consolidados pela África do Sul, o Brasil ficará no quadro espanhol e, provavelmente, nós também. Não podemos é dar muita importância aos capitais, que não são mais de bandeira. A PT é um exemplo: entre 65% e 70% do capital da PT está nos mercados internacionais.

A TMN e a PT Comunicações vão deixar de ser empresas distintas? Estão a trabalhar neste sentido?
Seguramente que sim. Não quer dizer que haja uma fusão da TMN com a PTC, mas cada vez mais serão lançados produtos convergentes e integrados. E o paradigma da regulação deve acompanhar esta alteração. Quanto a soluções concretas, há exemplos vários: fusão do fixo com o móvel, caso da Telemar/Oi e da República Checa, ou manutenção de empresas separadas, caso da Telefónica e da maior parte dos operadores europeus. Não há uma resposta única.

Qual será a resposta da PT?
Provavelmente, a manutenção de empresas e marcas autónomas e a oferta de produtos integrados, assim o quadro da regulação nos permita acelerar este modelo.

Falaram sobre isso com o regulador?
A colaboração com o regulador é permanente, e ele está sensível a este problema, que já foi colocado à Anacom em 2004 pela comissária europeia Nellie Kroes.

Então, após a separação da PT Multimédia, teremos um grupo PT formado pela TMN, PTC, África e Brasil?
Seguramente não teremos fusão da TMN e da PTC, mas sim uma forma de trabalhar que permita a integração das ofertas das duas operadoras. Há casos de fusões directas, mas a maioria vai para uma integração gradual, porque o valor das marcas é muito importante e porque o mercado não se muda por decreto.

Qual é a relação com a Telefónica?
O meu dever é favorecer a criação e o alargamento de maiorias de apoio à visão estratégica da PT. Eu consegui a maioria accionista que rejeitou a OPA.

Mas deixou fora o maior accionista.
A Telefónica alterou a sua posição ao longo da OPA e acabou por ser derrotada, não só no Conselho de Administração como na Assembleia Geral. Eu não tenho de resolver o problema de desalinhamento dos accionistas, mas de promover a harmonia, e tenho-o feito, apesar deste problema que não criei e no qual fui vencedor e a Telefónica vencida. Tenho cooperado intensamente com a Telefónica para cumprir o objectivo fundamental da recuperação da Vivo. E estamos a fazê-lo com sucesso. Além disso, tenho uma relação cordial com César Alierta, que admiro bastante.

Mas ele tem feito declarações dizendo que quer comprar a Vivo...
Temos uma tão próxima relação que, se ele quisesse dizer-me algo assim, di-lo-ia pessoalmente.

Não houve, então, uma proposta formal da Telefónica pela Vivo?
Nós conhecemos o interesse da Telefónica em comprar a nossa parte, e a Telefónica sabe do nosso interesse em adquirir a parte dela. Não acredito que um euro português valha menos que um euro espanhol e não aceito nesta relação uma situação subalterna. Tem havido conversas, não houve um acordo, e, quando numa partilha de 50%/50% entre iguais um dos parceiros quer fazer uma oferta de compra, deve fazê-lo no pressuposto de que o preço é justo para comprar e para vender. Se a Telefónica quiser fazer uma oferta neste pressuposto, pode fazê-lo amanhã.

É por isso que ainda não o fez?
Não sei, tem de perguntar à Telefónica. Mas o que não aceito é que a PT seja tratada como subalterna, porque os 50% da Telefónica são exactamente iguais aos 50% da PT. E muito menos deve ser a PT a pagar por uma divergência estratégica que não foi a PT que criou. O preço justo dá para comprar e para vender e, neste pressuposto, a Telefónica pode fazer uma proposta amanhã. Nesta matéria não aceito que a PT seja tratada como subalterna porque os 50 da Telefónica são exactamente iguais aos da PT e, muito menos, deve ser a PT a pagar por uma divergência estratégica que não foi a PT que criou.

Sempre disse que o Brasil era estratégico para a PT e esta foi uma divergência de fundo com a Sonae. Há futuro para a PT sem estar presente no Brasil?
Não, sempre dissemos que a presença no Brasil era um elemento identitário para a PT. A nossa permanência no Brasil é uma questão fechada, pelo menos enquanto eu presidir a esta empresa.

Mas o Brasil não é só Vivo. Vende a Vivo se tiver uma alternativa? Estão a trabalhar em alternativas à Vivo?
Falou-se muito, mas não temos contactos nem fizemos nenhuma oferta sobre a Telemar. Estamos na Vivo e estamos bem, mas há mais a fazer na área dos custos, marketing e na política comercial. E também nas soluções convergentes, que terão de ser feitas na direcção da Telesp, que é da Telefónica, mas não só. O problema de convergência da Vivo não se circunscreve à Telesp.

A mensagem então é que a PT não está incomodada na Vivo e os incomodados que se mudem. Admite, então, que este casamento continue assim?
O casamento de amor é uma invenção das sociedades modernas e não de todas. Com mais de dois terços da humanidade ainda não é assim.

Nas sociedades ocidentais já há divórcio. Não teme que a Telefónica venda a sua posição na PT?
Seguramente que não terá dificuldade em encontrar comprador.

Os problemas na Unitel, em Angola, estão todos resolvidos?
A resposta é claramente não. Só nos cemitérios é que não há problemas. Onde há interesses há problemas. Temos 25% da Unitel, gostaríamos de ter mais, mas os nossos sócios não estão vendedores. Vamos ter de enfrentar a terceira geração, um novo operador e olhar para Angola para além de Luanda, porque um país com aquele crescimento vai ter nas telecomunicações o oxigénio do seu desenvolvimento. Há problemas, mas há um espírito de cooperação que constitui um ambiente propício à resolução dos problemas.

O que vai fazer em Setembro em África?
Vou a Angola, Moçambique e à África do Sul. Os problemas da OPA deixaram muito pouco tempo para trabalhos obrigatórios, como o diálogo com autoridades, parceiros e empresas congéneres. É uma matéria que sinto ter estado em falta e vou recuperar.

Porque não se fala nunca do Marrocos?
Fala-se sempre do Marrocos, mas o mercado distingue claramente a África muçulmana da subsahariana e a Méditel não ficará na holding.

Disse que a PT não voltaria a ter uma tão alta exposição a uma instituição financeira como tinha com o Santander. Diz-se que, após a OPA, o BES que tinha um peso importante reforçou este peso quer como parceiro privilegiado quer com influência sobre as orientações estratégicas da companhia.
Obviamente que o BES é um accionista importante, é o maior accionista português e é óbvio que falo com os accionistas. É o meu dever. No caso do BES criou-se uma mitologia que sou um delegado do BES ou um funcionário do BES. Nunca fui empregado do BES nem nunca tive qualquer salário, porque não quis. Se houve grupo financeiro a que estive ligado em Portugal foi o BCP, por ter sido durante mais de dez anos presidente do conselho fiscal das seguradoras do BCP. É um facto que um alto administrador do BES é meu irmão de eleição e o Ricardo Salgado seria meu irmão se nós pudéssemos escolher os irmãos. Temos uma relação de fraternidade muito próxima, o que torna muito fácil dizer que sim quando concordamos e dizer que não quando discordamos. Confirmo que converso muitas vezes com os accionistas sobre questões estratégicas para a companhia. Como falo muitas vezes com Carlos Santos Ferreira, com quem tenho uma relação extremamente próxima, o que facilita bastante o diálogo. Mas também falo com a Telefónica ou com a Ongoing.

Concorda mais do que discorda com o BES?
De facto, tenho concordado mais do que discordado, não só com o BES como com outros accionistas, designadamente a CGD ou a Ongoing.

Também conhece bem o presidente da Autoridade da Concorrência. O que aconteceu?
Fomos colegas e o nosso passado comum poderia ter promovido uma cooperação institucional mais intensa, que não aconteceu, mas estou convencido de que não tem sido por minha causa.

Sentiu parcialidade nas análises da AdC durante a OPA?
A relação entre a PT e a AdC era muito crispada. O episódio em 2004 do raid com forças policiais a uma casa de gente pacífica, com a apreensão de documentação que não tinha nada que ver com o caso autorizado pelo juiz do concurso do hospital de Coimbra. A autoridade confiscou até correspondência pessoal e os responsáveis da PT na altura reclamaram para o Ministério Público, que intimou a AdC a devolver esta documentação. A AdC não obedeceu e recorreu para o Tribunal do Comércio, que confirmou que a AdC devia devolver a documentação indevidamente apreendida, mas a AdC não obedeceu e reclamou para o mesmo tribunal que confirmou a decisão e, pela terceira vez a AdC não obedeceu e recorreu para a Relação, que confirmou a decisão do Tribunal do Comércio. Não temos conhecimento de outro recurso por parte da AdC, mas o certo é que não recebemos a informação que se mantém confiscada. Pela quarta vez a AdC não acata a decisão dos tribunais e, se esta decisão se mantiver, a PT não terá outra alternativa se não fazer queixa-crime contra o presidente da AdC por denegação de justiça e por prevaricação e fa-lo-á se a documentação não nos for devolvida. É caso para perguntar se não estará em causa o regular funcionamento das instituições.

O que uma empresa como a PT ganha em ter uma relação de confronto com o regulador?
Não ganha nada.Ganhou uma multa inédita.


Porque na separação da PT Multimédia é tão importante manter o modelo anunciado se os reguladores o rejeitam? Porque não faz um leilão?
Não conheço nenhuma recusa formal ao modelo que a PT apresentou de nenhum dos reguladores.

Se esta rejeição for formalizada, muda o modelo?
Não conheço nenhuma forma de expropriar accionistas, nem nenhum mecanismo de coacção seja de que autoridade for sobre o funcionamento do mercado.

Uma quota de mercado de mercado de 80% da PT e o mesmo núcleo de accionistas permitem que haja concorrência?
A PTM tem 15% do mercado nacional e quer chegar aos 25%. Quanto aos accionistas, acontece em várias empresas: a CGD está em várias empresas relevantes em Portugal. Há alguma possibilidade de concertação entre a Telefónica e a Telmex? Os grandes investidores têm participações nas grandes empresas. Onde haveriam de estar? Têm de ir tomar posições em Espanha ou na Irlanda?

Não se deveria aproveitar os 15% da CGD na PTM para fazer o que nunca foi feito na PT que era a criação de um núcleo duro de accionistas nacionais estáveis?
Não sou partidário desta história de núcleos duros que, em Portugal, sempre se revelaram moles.

Não teme que os reguladores portugueses apertem o quadro regulatório?
Não aceito a ideia de punição exemplar. Bater numa empresa para que sirva de exemplo a outra é uma perversão da justiça. Não temos que pagar a pedagogia do mercado. Vamos ter consciência do ridículo.

Não teme que os outros operadores aproveitem a decisão e apresentem novas queixas?
Naturalmente que, com esta visão justicialista, eles estão a ser convidados a ir por esta prática que, pelos vistos, rende. Sou contra que as coimas constituam receitas das instituições que as aplicam. Sempre que isso aconteceu, deu origem a grandes abusos e perversões.

A PT vai fazer tudo o que puder para reverter esta decisão?
A PT até hoje nunca perdeu em tribunal contra a Autoridade da Concorrência, que nunca ganhou um processo contra a PT.

Como avalia que a Sonaecom se regozijasse com a multa à PT?
Vai alterar o quadro das nossas relações. Não posso aceitar que alguém se regozije com o mal dos outros. É uma quebra do relacionamento respeitoso que temos tido com os nossos concorrentes, mesmo durante a OPA. A atitude surpreende-me e desgosta-me.


A compra das três operadoras de cabo de Joe Berardo foi uma paga pelo apoio à administração durante a OPA?
A decisão foi tomada pela administração da PTM, que já não é presidida por mim. Foi-me comunicada horas antes de ser tornada pública. Seguramente que não estava combinada desde a OPA, ou, então, como iria pagar a todos os accionistas que votaram a meu favor na assembleia?

Nem todos tiveram um papel tão activo quanto Joe Berardo…
Cada um tem um seu estilo, mas os votos de Joe Berardo valem tanto quanto o de um accionista anónimo. Na morte e no voto todos somos iguais. Quero aproveitar para fazer uma declaração de que sou sócio do comendador na Viborel, uma pequena empresa de distribuição de vinhos, tenho 2% e ele tem 20%. Para que não se venha descobrir mais tarde. Já éramos antes da OPA. É uma espécie de sociedade entre a pulga e o elefante. Mas eu que sempre trabalhei com dinheiro macho, não era agora que ia trabalhar com dinheiro fêmes. Sobre o preço, a compra da Cabovisão pela Cogeco foi na base de múltiplos de 12.6 e a compra das operadoras pela PTM foi com base num múltiplo de 12. Não compreendo o escândalo que a Sonaecom vê nessa concentração. Quem propôs uma concentração de 66% no móvel e 85% na banda larga e fixo, vem agora gritar aqui del rei numa operação de alargamento de um operador com 15% do mercado e quer chegar aos 25%. Está a usar um peso diferente do que usou para justificar a concentração que reivindicou.

Não espera que o regulador impeça a concentração.
O regulador fará o seu trabalho com toda a isenção que o deve caracterizar. Mas está sujeito a um grande teste da realidade: tem entre mãos a autorização da aquisição da Oni e da Tele2 pela Sonaecom, a compra da Carrefour pela Sonae Distribuição e a compra das operações de Braga, Leiria e Santarém pela PTM. Vamos ver como são aplicados os princípios que devem ser universais.

A Sonaecom protestou...
Não compreendo o escândalo que a Sonaecom vê nessa concentração. Quem propôs uma concentração de 66% no móvel e 85% na banda larga e fixo vem agora gritar aqui d’el rei numa operação de alargamento de um operador com 15% do mercado e que quer chegar aos 25%? Está a usar um peso diferente do que usou para justificar a concentração que reivindicou.

A Sonaecom está a se preparar para ser concentrada?
A PTM assume uma ambição de ser consolidadora no mercado interno e no mercado internacional. A Sonaecom tem os seus accionistas que definirão a sua linha estratégica.

Se não se cumprir dentro do prazo com que se comprometeu, não será por culpa vossa?
Da nossa parte o trabalho está praticamente concluído. Foi um trabalho difícil e complexo porque são uma empresa que nasceu em cima da estrutura da outra empresa. Até já fizemos uma provisão de 18 milhões de euros para fazer face a eventuais problemas. É o pior cenário possível.

A PTM vai levar o «activo» Zeinal Bava ou o fica na PT, após a separação?
O chairman da PTM, Proença de Carvalho, com a sabedoria que lhe é reconhecida, vai fazer contactos com os accionistas da empresa para saber o que pensam e seguramente que o fará antes da separação.

Mas será ouvido e certamente que tem uma opinião…
Seguramente que serei ouvido. Esta decisão implica com o eng. Zeinal Bava, que é vice-presidente da PT e CEO da TMN e da PTM. Ou vai ficar do lado da PT ou da PTM. Temos de aguardar primeiro a decisão do chairman e dos accionistas da PTM. Se os accionistas da PTM decidirem nomear alguém que não está associado à empresa, o problema nem se põe. Mas não quero fugir a questão: se eu pudesse decidir por mim e pelo Eng. Zeinal Bava, a quem não faltam oportunidades nas telecomunicações e na banca de investimento, todas mais bem pagas que na PT, ele continuaria e continuará na PT. Quero manter o Eng. Zeinal Bava, que marcou, indiscutivelmente, um ciclo de vida na PT. Sei que, dentro da minha própria casa, este problema pode ter reflexos na estrutura dirigente da PT e que pode implicar com 20 pessoas. Sempre que há mudanças, há ambições e angústias, que se contagiam à organização. Mas todos os que estão seguros do seu valor e emprenhados no seu trabalho não estão preocupados com isso. Eu não estou preocupado com isso.

Como se podem ler os excelentes resultados da PT no primeiro semestre? Foi o Brasil o grande contributo? É uma prova de que a administração estava certa e que as acções valiam mais do que o preço oferecido pela Sonaecom?
Já não há quaisquer dúvidas. Se eliminarmos os extraordinários, o crescimento dos resultados operacionais foi de 57%. Nós resolvemos os problemas do Brasil, o que teve um bom impacto nos resultados deste semestre. Assim como a TMN, que aumentou em 500 mil clientes o número de clientes. Foi uma gestão cuidadosa e atenta aos detalhes que fez estes resultados. É das pequenas coisas que se fazem os grandes resultados.

Sente a empresa mobilizada em torno da sua liderança e dos seus objectivos?
Acho que a empresa tem motivos para se sentir orgulhosa do que fez. Apesar do gás paralisante que foi lançado sobre a empresa, ela reagiu.

Mas a PT vai ficar arrogante outra vez?
O meu objectivo de todos os dias é que esta empresa mude os seus valores culturais e adopte como métrica o cliente. O nosso rendimento por cliente ronda os 30 euros, que é o metro padrão para os custos e as receitas e 30 euros não dá direito a ninguém de ficar arrogante. A atitude da empresa é outra e a percepção do público sobre a empresa também é outra. O cliente é a figura central da minha gestão e da minha preocupação.