Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Nada poderia ter corrido melhor a Paulo Azevedo

O pai, Belmiro, suportou a cartada arriscada, jogada pelo filho, Paulo. Os Azevedo apostaram a presença da Sonae nas telecomunicações nas consequências que virão do processo aberto pelo lançamento da OPA sobre a Portugal Telecom.

Esta semana, Henrique Granadeiro pôs novas achas na fogueira, mas a tranquilidade de Paulo Azevedo não pareceu abalar-se nem um milímetro. Após o anúncio das medidas defensivas avançadas pela administração da PT, o gestor foi de férias para o Algarve. Antes, conversou com o EXPRESSO e a sua reacção às propostas não deixou de ser surpreendente.

Em primeiro lugar, sublinhou que o importante é avançar com as opções: «Passou o tempo necessário para a avaliação desta operação por todos os envolvidos e estamos a entrar no período das decisões». A Sonae garante que não vai rever em alta o peço oferecido (9,50 euros por acção) e que os accionistas já têm a informação necessária para decidir em que «partido» vão votar: se dão um sim à OPA ou chumbam a operação, preferindo as promessas anunciadas por Henrique Granadeiro.

Paulo Azevedo diz que o tempo fez justiça à sua interpretação: «Não tenho conhecimento de ofertas não solicitadas que não tenham recebido, durante seis meses e então depois disso, ofertas concorrentes. Não digo que tal não seja possível, mas se ainda não surgiram é porque a valorização que oferecemos pela PT é muito boa. A falta de concorrente deve-se também ao facto de os potenciais interessados terem a percepção de que, embora não sejam determinantes, os termos políticos desta operação não sejam lineares».

Ao assumir a relevância da participação do Governo no sucesso da operação, o presidente da Sonaecom promete não se deixar apanhar desprevenido. «Estamos atentos às pressões que podem ser feitas sobre o Governo e sabíamos desde o início que estas pressões iriam existir. Sabíamos que teríamos de lidar com um batalhão de lóbis muito grande e, por isso, constantemente temos de esclarecer a desinformação lançada para a opinião pública».

Paulo Azevedo remete-se ao silêncio quando questionado sobre o conteúdo dos remédios acordados com a Autoridade da Concorrência para contrabalançar a concentração dos mercados. «Não posso falar sobre remédios na fase actual», afirma.

O balanço destes seis meses é positivo na opinião de Paulo Azevedo - «Não há nada que nos pudesse ter corrido melhor, mas muitas coisas poderiam ter corrido pior» -, que já se prepara para a próxima guerra: «A próxima batalha da comunicação que teremos de travar, depois de falhada a tese da OPA concorrente, será combater a percepção de que a Sonaecom estaria disponível para aumentar o preço».