Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Morte de Basayev enfraquece resistência

Shamil Basayev morreu esta segunda-feira na Ingushetia. O homem a quem o ministro da Defesa, Sergei Invanov, se referiu dias depois como «o nosso bin Laden», pôs fim a uma era no conflito da Tchetchénia.

BASAYEV foi o último dos comandantes que combateram desde o início da primeira guerra da Tchetchénia em 1994, e o único que manteve vivo o conflito aos olhos do mundo, apesar de actos terroristas incrivelmente dramáticos e violentos.

A sua evolução, desde combatente pela independência até terrorista total, reflectiu de muitos modos a evolução do próprio conflito, que começou por ser uma guerra geralmente considerada como o início de uma luta pela independência, mas que se transformou num combate mais tenebroso e sórdido nos anos que se seguiram, principalmente com o cerco à escola de Beslan em 2004, cuja responsabilidade foi reclamada por Basayev, e em que morreram 331 reféns, incluindo 186 crianças.

Os pormenores que rodearam a sua morte na aldeia de Ekazhevo, na Ingushetia, permanecem obscuros, com o FSB e os serviços de segurança russos reclamando ter morto o líder rebelde numa operação surpresa e o sítio tchetcheno na Web, kavkazcenter.com, afirmando que ele foi morto quando o camião em que viajava, carregado de «rockets» e munições, explodiu depois de bater devido a um buraco na estrada. O sítio, que funciona em tempo «Djokhar», nome do primeiro presidente da Tchetchénia, confirmou a sua morte na segunda-feira, declarando que «o Amir Militar dos mujahidine do Cáucaso, Abdallah Shamil Abu-Idris, tornou-se um shahid (mártir) insha Allah (se Alá o permitir)».

A morte de Basayev representa uma importante vitória para os esforços russos de controlar a situação na Tchetchénia e uma vitória moral para o Presidente Putin, cuja primeira reputação foi cimentada pela segunda invasão da Tchetchénia em 1999. Quando o mostraram na televisão a receber a notícia da morte de Basayev, Putin fez notar que «isto é apenas uma retaliação contra os bandidos em nome das nossas crianças de Beslan, de Budyonnovsk e de todos os ataques terroristas que foram perpetrados em Moscovo e noutras regiões da Rússia».

A morte de Basayev chega numa altura em que a resistência tchetchena parece estar enfraquecida, particularmente porque muitos chechenos, mesmo aqueles que admiravam Basayev, tiveram dificuldades em apoiar a natureza terrorista dos seus métodos e tácticas cada vez mais violentos, particularmente desde Beslan. Mais importante, o governo tchetcheno local, sob o comando do primeiro-ministro Ramzan Kadyrov, recorreu aos métodos mais rigorosos, alguns legais outros menos, para levar um certo controlo à república, o que as tropas regulares da federação russa não conseguiram. Numa conferência de imprensa em Grozny, Kadryrov, cujo pai foi morto há dois anos num ataque planeado por Basayev no estádio central, disse «Basayev morreu como um canalha, a fugir, nem sequer na sua pátria».

Sem Basayev, é provável que o movimento anti-russo na Tchetchénia, se é que existe um movimento coeso desde a morte do antigo Presidente Aslan Maskhadov no ano passado e a do seu sucessor no princípio deste ano, se esforce por levar para a luta as forças russas, certamente em qualquer número.

Quaisquer que sejam as infra-estruturas que os rebeldes tenham, tornar-se-ão cada vez mais frágeis, sendo provável que muitos prefiram entregar-se ao «Kadyrovtsy», como são conhecidas as forças irregulares sob o comando do primeiro-ministro tchetcheno, em vez de levar uma vida em fuga nas florestas. Outros poderão virar-se para as pequenas células islâmicas, os «jamaats», que se formaram em toda a região norte do Cáucaso e que se tornam cada vez mais radicais à medida que a oposição às forças russas se torna mais desesperada devido ao aumento do controlo de Moscovo na região.