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Morreu o teclista dos Pink Floyd

Fundador da mítica banda inglesa, faleceu ontem, vítima de cancro. (Ver vídeo no fim do texto)

Rui Tentugal

Richard Wright, teclista e um dos fundadores dos Pink Floyd, faleceu segunda-feira, vítima de cancro. Nenhuma notícia sobre a doença do músico tinha vindo a público, pelo que foi uma absoluta surpresa o anúncio da sua morte através de um breve comunicado da família. No documento refere-se uma "curta luta contra o cancro" (sem especificar) e pede-se "respeito pela sua privacidade neste período difícil".

Richard William Wright nasceu a 28 de Julho de 1943, em Londres. Quando estudava no Colégio de Arquitectura do Regent Street Polytechnic, conheceu Roger Waters e Nick Mason e com eles e outros alunos da mesma escola formou os Sigma 6, a primeira de uma série de efémeras formações que iriam dar origem, em 1965, aos Pink Floyd (Syd Barrett, Wright, Mason e Waters).

Wright fez parte dos Pink Floyd até 1979, quando desentendimentos com Roger Waters durante as gravações de The Wall o forçaram a sair e a passar pela humilhação de continuar a tocar com o grupo, mas como músico contratado. Afastado 'oficialmente' em 1981, não tocou em The Final Cut (1983 - a fase do trio Waters, Gilmour e Mason), mas regressou em 1987, após a saída de Waters, para A Momentary Lapse of Reason (embora, por questões legais, mantivesse um estatuto dúbio).

Oficialmente readmitido para a digressão que se seguiu, volta a ser membro de pleno direito em Delicate Sound Of Thunder (1988), The Division Bell (1994 - cuja "tournée" passou por Portugal a 22 e 23 de Julho, no estádio de Alvalade) e Pulse (1995).

Tal como todos os outros músicos dos Pink Floyd, Wright foi editando, ao longo dos anos, discos a solo: em 1978 Wet Dream, em 1984 Identity (assinado Zee, um duo com Dave Harris dos Fashion), e em 1996 Broken China (no qual participa Sinead O'Connor). Os álbuns nunca tiveram sucesso fora do círculo dos fãs dos Pink Floyd (mesmo com uma forte promoção da EMI em 1996, que até o trouxe a Portugal para dar entrevistas), pelo que nunca os chegou a tocar ao vivo.

Richard Wright numa imagem recolhida há dois anos

Richard Wright numa imagem recolhida há dois anos

Lefteris Pitarakis/AP

O seu lugar na história da música foi construído e ficará para sempre dentro dos Pink Floyd, para cujo som ele tanto contribuiu. Desde os primeiros dias da banda que Wright se assumiu não apenas como teclista e frequente vocalista, mas como compositor, tendo assinado músicas emblemáticas como os singles "Paintbox" e "It Would Be So Nice" (1967/68), "Remember A Day" e "See-Saw" (de A Saucerful of Secrets (1968), "Sysyphus, parts 1-4" (de Ummagumma, 1969), "Summer '68" (de Atom Heart Mother, 1970) e, a mais famosa de todas, "The Great Gig In the Sky" (de The Dark Side Of the Moon, 1973 - já agora refira-se a introdução ao piano de "Breathe", inspirada em "Kind of Blue" de Miles Davis).

No número de Outubro da "Uncut", Robert Wyatt escolhe "See-Saw" como a sua canção preferida dos Pink Floyd e comenta-a: "Julgo que a contribuição de Rick Wright está subestimada. Ele criou no órgão uma paisagem, uma atmosfera à volta da qual as coisas podiam acontecer." Noutra revista inglesa, a "Mojo" (Outubro 2008), David Gilmour mostra-se feliz com o renovado entusiasmo musical de Wright (há notícias de que estaria a trabalhar num novo álbum a solo).

"Durante o início dos anos 80 era fácil esquecermo-nos das capacidades de Rick porque ele próprio as esqueceu", diz Gilmour, que teve um papel fundamental na recuperação artística de Wright, conseguindo que ele voltasse a compor para The Division Bell (1994) e convidando-o para tocar e cantar no seu álbum a solo On an Island (editado em 2006) e na digressão que se seguiu.

No próximo dia 22 está prevista a edição de Live in Gdansk, a gravação nos famosos estaleiros polacos do último concerto da digressão. Será o primeiro disco póstumo de Richard Wright.