Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Morrer longe da pátria

As famílias dos cinco bombeiros chilenos que morreram, domingo, em Famalicão da Serra, souberam da tragédia pela televisão. Agora aguardam a trasladação dos corpos e o dinheiro do seguro.

OS CINCO bombeiros chilenos que morreram no incêndio de Famalicão da Serra, no Domingo, 9 de Julho, viviam nas regiões de Octava e Novena, a sul do Chile e trabalhavam em empresas florestais e madeireiras privadas. Os seus salários rondavam os 400 dólares, ou seja, menos de metade do que podiam ganhar em Portugal. Há três anos que atravessavam o Atlântico, entre os meses de Julho a Setembro, a época baixa de incêndios na América do Sul, para aumentar os seus rendimentos. Em três meses, recebiam entre 1,3 a 1,6 milhões de pesos chilenos, equivalente a dois mil euros, da Afocelca - empresa de protecção florestal, criada em 2002, por empresas de celulose - que lhes oferecia viagem, alimentação e habitação.

Para a maioria deles, este seria o último Verão a apagar fogos em Portugal. Era o caso de Henry Polanco, 30 anos, o mais velho do grupo. «Ele tinha-me prometido que já não voltaria mais a Portugal. Já tinha poupado o suficiente para podermos comprar uma casa nova», conta a mulher Viviana Ortiz, em conversa telefónica com o EXPRESSO. A viúva de 24 anos, que soube da tragédia pela televisão, terá agora de cuidar sozinha da filha de cinco anos. «Não sei quando irei receber o seguro do meu marido».

O chefe dos cinco brigadistas da equipa Celca 3 era Sérgio Navarro, 22 anos. Há seis anos que se dedicava aos incêndios florestais em empresas privadas chilenas como a Bosques Arauco e a Florest Service. Fabián Tramolao, 27 anos, vivia em Traiguen, uma povoação indígena. Os seus familiares já apelaram ao Governo chileno para que acelere o processo de trasladação dos corpos. Bernabé Barto, de 23 anos e Juan Carlos Bravo, 27 anos, são os outros dois 'bomberos florestales', que passaram a adolescência a combeter fogos.

O chefe do Departamento de Prevenção dos Bombeiros do Chile, Luís Carrasco, só se recorda da morte de bombeiros chilenos em Portugal. «O outro caso deu-se em 2002, num incêndio... na  Chamusca». Por seu turno, Sérgio Mendoza, Chefe Técnico da Confederação Nacional da Floresta, outro organismo estatal de combate a fogos do Chile, lembra que desde 1974, faleceram naquele país sul-americano 39 'combatientes' e pilotos de aviões cisterna, do sector público e privado.