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Morales pronto para «refundar» a Bolívia

A Bolívia elege este fim-de-semana uma nova Assembleia Constituinte e decide, em referendo, a nova Constituição, um aspecto «fundamental» para o Presidente Evo Morales.

Eleito há seis meses e com um índice de popularidade nas alturas (81%), Evo Morales cumpriu o que prometeu. este fim-de-semana, os seus compatriotas irão às urnas para eleger uma Assembleia Constituinte e decidir, em referendo, mais autonomia administrativa para os departamentos, num país onde tudo se centraliza em La Paz. Uma nova Constituição é fundamental para Morales, que prometeu «refundar» a Bolívia durante a campanha.

«A muleta política da refundação permite um amplo imaginário na população, desde uma rua asfaltada a uma Bolívia rica e poderosa», comentou ao EXPRESSO o observador boliviano Juan Claudio Lechín. Garantida será, sem dúvida, a presença de índios e mestiços, o que é simultaneamente «simbólico e importante». Segundo Lechín, a Assembleia, que começará a trabalhar em Agosto, deve privilegiar os povos indígenas, garantindo-lhes maior representação no Congresso, provavelmente através de um sistema de quotas para índios.

«Evo acha que, dando poder aos índios, receberá depois os seus votos. Acredito que o objectivo seja o de conseguir implementar a sua reeleição para prolongar o mandato», afirmou ainda Lechín.

Uma sondagem da Equipos Mori indica que 94% da população apoia a nacionalização do petróleo e do gás, enquanto 72% concordam com a presença de médicos cubanos, que prestam serviço gratuito. Mas, para muitos observadores, a nacionalização dos hidrocarbonetos e a distribuição das terras não cultivadas na reforma agrária foram anunciadas em Maio visando precisamente terem efeito nas eleições de amanhã.

«Hoje, Morales é uma unanimidade na Bolívia. É Governo mas também controla os movimentos sociais nas ruas», com o seu Movimento para o Socialismo.

O Presidente Evo Morales interrompeu a campanha na Bolívia para ir à Argentina, onde fechou, na quinta-feira, um novo acordo de preços do gás. Este subiu de 3,20 dólares o milhão de BTU (unidade internacional de conta) para cinco dólares. O aumento obtido (56%), na véspera das eleições, reforça a imagem de triunfo do Governo nas negociações.

Na periferia de Buenos Aires, onde discursou perante uma multidão de imigrantes do seu país, Morales afirmou, a este respeito, que «a luta do povo indígena da América é pelos recursos naturais. Espero que a Assembleia Constituinte não só aceite a nacionalização dos hidrocarbonetos como a dos recursos minerais e florestais. O meu Governo está preparado para refundar a Bolívia».

Quanto ao referendo sobre os departamentos, Morales é contra uma maior autonomia. A oposição detém seis dos nove cargos de governador e é pelo lado da autonomia que pretende ganhar espaço.