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'Mohammed, o Egípcio' absolvido

Falta de provas foi a razão invocada pelo tribunal para absolver o alegado cérebro dos ataques terroristas em Madrid.

Maria Luiza Rolim

O alegado cérebro dos atentados terroristas de 11 de Março de 2004, em Madrid, Rabei Osman el-Sayed, conhecido como 'Mohammed, o Egípcio', foi absolvido.

'Hanssan, Al Haski' e 'Youssef Belhadj', alegados co-autores do atentado, também foram inocentados deste crime, tendo apenas sido condenados por participação em organização terrorista, da qual já se terão desvinculado, informou o tribunal.

O julgamento dos atentados de 11 de Março de 2004, em Madrid, em que morreram 191 pessoas, o que os tornou os mais sangrentos desde o 11 de Setembro, em Nova Iorque, acaba por não condenar nenhum arguido por autoria moral.

40 mil anos de prisão

Jamal Zougan, o marroquino que respondia por 191 homicídios e 1856 assassinatos na forma tentada, foi condenado a 30 anos de prisão por cada homicídio e 20 por cada tentativa. Otman El Gnoui, sobre quem recaía a suspeita de cooperação com os terroristas, recebeu idêntica pena.

A justiça teve ainda mão pesada para o espanhol, Emilio Suárez Trashorras, que terá cooperado com a rede terrorista, condenando-o a 25 anos de prisão por cada um dos 191 homicídios.

Ainda assim, os três acusados acabarão por cumprir penas de prisão limitadas, pela lei espanhola, a 40 anos para cada um e a pagar indemnizações que vão de 30 mil a 1,5 milhões de euros.

A leitura da sentença do 11 de Março começou às 11h30, hora de Espanha. O Tribunal presidido pelo juiz Javier Gómez Bermuúdez, considerou que os explosivos usados no ataque procediam de Mina Conchita, e que não se pode provar que vários terroristas se dirigiram à Alcalá de Henares no Renault Kangoo e no Skoda Fabia, veículos encontrados junto à estação pela polícia. Não há qualquer prova de que os ataques estejam relacionados com a ETA.

Desde as primeiras horas da manhã, dezenas de polícias armados e com coletes à prova de bala, alguns com cães, patrulhavam um parque na zona ocidental da capital espanhola, perto da Audiência Nacional, o tribunal anti-terrorista, onde decorreu o julgamento. Um helicóptero sobrevoou permanentemente o local e arredores.

As deliberações duraram três meses, tendo o juiz Javier Gomez Bermudez lido apenas uma versão reduzida da sentença, ou seja, 20 páginas de um total de 600. Dos 19 acusados que estavam em prisão preventiva, apenas Rabei Osman el-Sayed, conhecido como 'Mohamed, o Egípcio' - que após o julgamento regressou a Itália onde cumpre pena pelo envolvimento em organizações terroristas - ouviu a sentença através de vídeo-conferência.

A acusação pediu uma pena total de 311.865 anos de prisão, limitada, por lei, a 40 anos de prisão para cada um.

O atentado ocorreu na manhã de quinta-feira, 11 de Março de 2004, quando dez mochilas carregadas com dinamite explodiram em quatro comboios suburbanos que se dirigiam à estação de Atocha, no centro de Madrid. As explosões ocorreram à hora de ponta, entre as 7h39 e as 7h42 da manhã nas estações de Atocha (três bombas), El Pozo del Tío Raimundo (duas bombas), Santa Eugenia (uma bomba) e num comboio a caminho de Atocha (quatro bombas). Foram ainda encontradas pela polícia mais três bombas, que deveriam explodir quando chegassem os primeiros socorros às vítimas, mas que acabaram por ser desactivas.

O julgamento teve lugar em Madrid, entre 15 de Fevereiro e 2 de Julho.