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Ministros entre críticas e aplausos

António Vitorino, José Miguel Júdice e Miguel Sousa Tavares analisam a remodelação governamental.

ANTÓNIO Vitorino não esconde a satisfação por ver Nuno Severiano Teixeira ser empossado ministro da Defesa. «Essa é uma excelente escolha. Ele é uma pessoa com experiência e conhecimento profundo desta área», afirmou ao EXPRESSO o antigo ministro de António Guterres e ex-comissário europeu. Para Vitorino, Severiano Teixeira está no lugar certo. Talvez mais certo do que o Ministério da Administração Interna, que ocupou no tempo de Guterres.

Esta opinião é partilhada por José Miguel Júdice, que vê no novo homem forte da Defesa o perfil ideal: discreto e eficaz. «O Governo não fica a perder», diz o ex-bastonário da Ordem dos Advogados, que olha para transferência de Luís Amado para a pasta dos Negócios Estrangeiros também com esperança.

Miguel Sousa Tavares deve sorrir perante esta manifestação de confiança. Para este analista, a substituição de Freitas do Amaral na pasta dos Negócios Estrangeiros fará pouca diferença: «De qualquer forma, Portugal já não tinha política externa». Uma afirmação que toca os dois novos ministros com responsabilidade na posição externa de Portugal. Mas Sousa Tavares tem ainda mais remoques para apresentar sobre a mini-remodelação governamental: «Luís Amado foi um mau ministro da Defesa, será um mau ministro dos Negócios Estrangeiros». E qual terá sido o critério de José Sócrates para estas substituições? Sousa Tavares não revela hesitações: «Eram os homens que estavam mais à mão».

O «timing» desta substituição não passa despercebido a Sousa Tavares e a Miguel Júdice. Ambos consideram que há uma estratégia política, para lá das legítimas razões de saúde invocadas por Freitas do Amaral para justificar o momento da saída. «Na véspera de um jogo de futebol importante para Portugal, uma remodelação governamental é sempre mais discreta», conclui o ex-bastonário.

António Vitorino é que não tolera leituras de falsas coincidências. O antigo comissário europeu diz que as razões invocadas por Freitas do Amaral justificam plenamente a saída e o seu momento. E lamenta que Freitas tenha de abandonar o seu cargo. José Miguel Júdice nem tanto. E explica: «Não se deve voltar ao sítio onde se foi feliz. E Freitas já tinha sido feliz naquele cargo».