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Ministro francês condenado por "injúrias raciais"

Brice Hortefeux, ministro do Interior e amigo pessoal do Presidente Sarkozy, recusa demitir-se do Governo e recorreu da sentença do Tribunal.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris (www.expresso.pt)

A oposição de esquerda e associações anti-racistas pediram a demissão do Governo de Brice Hortefeux. Mas ele recusou e, hoje, o Primeiro-ministro, François Fillon, manteve-lhe a confiança.

O ministro do Interior, amigo do círculo mais próximo do chefe do Estado, Niclas Sarkozy, foi ontem condenado por um tribunal de Paris a pagar uma multa de 750 euros e uma indemnização de 2 mil euros por "injúrias raciais". Mas o seu advogado anunciou de imediato que ele vai recorrer da sentença.

Hortefeux foi condenado por, em Setembro do ano passado, ter brincado com um militante do seu partido (UMP - União para um Movimento Popular), a propósito das suas origens argelinas.

Palavras "ultrajantes"

"Quando há um (subentendido, muçulmano...), tudo bem... é quando há muitos que surgem problemas", disse o ministro na altura ao militante franco-argelino. Este explicou-lhe, a seguir, que comia porco e bebia cerveja, e o ministro retorquiu: "Ah, mas não está bem! Você assim não corresponde ao protótipo!".

O Tribunal considerou as palavras do ministro "ultrajantes, se não de desprezo" e convidou Hortefeux, que não compareceu na audiência, a tomar medidas eficazes contra o racismo.   

Na altura da polémica sobre a sua conversa descontraída com o militante de origem argelina, Hortefeux disse que se tratou de uma "brincadeira privada com algum mau gosto".