Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Ministério Público imputa crimes a Jorge Ritto

O embaixador vê o seu nome juntar-se ao do principal arguido no processo, Carlos Silvino, ao ex-apresentador de televisão Carlos Cruz, ao médico João Ferreira Diniz e ao ex-provedor-adjunto da Casa Pia Manuel Abrantes.

O embaixador Jorge Ritto tornou-se hoje o quinto dos sete arguidos do julgamento de pedofilia da Casa Pia de Lisboa a ver dado como provado contra si crimes de natureza sexual, nas alegações finais do Ministério Público.

Dois crimes de abuso sexual e um de fomento de prostituição (lenocínio) alegadamente praticados pelo diplomata foram dados como provados pelo procurador João Aibéo na sessão do julgamento a decorrer no Tribunal de Monsanto, em Lisboa.

Jorge Ritto vê assim o seu nome juntar-se aos do principal arguido no processo, Carlos Silvino, ao apresentador de televisão Carlos Cruz, ao médico João Ferreira Diniz e ao ex-provedor-adjunto da Casa Pia Manuel Abrantes, todos já com crimes dados como provados pelo Ministério Público (MP).

Resta ainda ao procurador pronunciar-se em relação ao advogado Hugo Marçal e a Gertrudes Nunes, proprietária de uma casa em Elvas onde supostamente decorrerem abusos sexuais de alunos casapianos.

No final da sessão, Paulo Sá e Cunha, advogado de Manuel Abrantes, sublinhou, em declarações aos jornalistas, o número "assombroso" de alterações não substanciais aos factos que levaram os arguidos a sentarem-se no banco dos réus, havendo ainda a registar "algumas alterações substanciais".

As alterações não substanciais referem-se a data e locais em que terão ocorrido os alegados crimes, enquanto as substanciais podem alterar a própria configuração dos crimes em julgamento.

Confrontado com os 11 crimes dados já como provados pelo MP em relação ao ex-provedor adjunto da Casa Pia, o advogado desdramatizou, referindo que se se fizer "a contabilidade desde a acusação, passando pela pronúncia e agora pelas alegações finais" do julgamento "parece que se está num mercado de capitais", ou seja, "a cotação dos títulos tem descido vertiginosamente".

O defensor de Manuel Abrantes recordou que de mais de uma centena de crimes imputados ao seu constituinte na fase inicial do processo passou-se a 51 na pronúncia e "agora está-se num valor consideravelmente mais diminuto".

"Isto também é passível de permitir algumas conclusões acerca da forma como terá sido deduzida esta acusação", acrescentou Paulo Sá e Cunha.

Questionado pelos jornalistas sobre a forma como têm decorrido as alegações do Ministério Público, Manuel Abrantes afirmou-se "apreensivo e muito desapontado".

Em relação às declarações de Carlos Silvino que o incriminam nos abusos sexuais, Manuel Abrantes desviou a questão para os abusos que o ex-motorista da Casa Pia confessou, afirmando que Carlos Silvino "não cresceu e estragou muita coisa, estragou a vida a estes jovens".