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Atualidade / Arquivo

Militar americano considerado culpado

O sargento foi acusado de ter ordenado o assassinato de três iraquianos. Os soldados que lhe obedeceram já foram condenados a penas de 9 meses a 18 anos.

Raymond Girouard de 24 anos foi considerado culpado das acusações de homicídio premeditado e outras ofensas, que resultaram na morte de três detidos iraquianos. No decorrer do julgamento, pelo menos uma testemunha, garantiu ter visto os iraquianos a correrem desesperadamente, para pouco depois serem abatidos pelas costas.

“O militar enfrenta uma pena que pode chegar até aos 20 anos ou mais”, referiu o porta-voz do tribunal militar do Kentucky, onde decorreu o julgamento. O veredicto será conhecido amanhã.

Em Maio de 2006 Girouard, da 101ª divisão aerotransportada, liderava um esquadrão durante uma operação militar a um “campo de treino suspeito”, perto de Tikrit, quando se deram os homicídios. O sargento é o último dos quatro militares a ser julgado e também o mais graduado.

“Manda-os correr, abate-os”

Os outros três soldados, debaixo do comando de Girouard, fizeram um acordo com o tribunal e foram já condenados pelos assassinatos. William Hunsaker e Corey Clagett vão passar os próximos 18 anos numa prisão militar. A pena do terceiro soldado ficou-se pelos nove meses de encarceramento.

Hunsaker testemunhou na passada semana, que Girouard lhe ordenou que matasse os três presos iraquianos amarrados e a seguir cortou-se com uma faca. “Para que parecessem ferimentos de uma luta”, confirmou.

“Eles vão acabar por cortar as cordas, manda-os correr, abate-os”, disse o soldado ao tribunal, enquanto citava Girouard.

Anita Gorecki, a advogada do sargento, sublinha que Girouard nunca deu qualquer ordem para matar os iraquianos, mas quando viu os cadáveres achou que devia ajudar os seus soldados a encobrir o crime: “Ele apercebeu-se que os tinham morto e nesse momento, sim, decidiu ajudar os elementos do seu esquadrão”, referiu.

O sargento confirmou ter ordens para matar todos os iraquianos com idade para combater, mas negou ter ordenado os assassinatos. O Coronel Michael Steel que alegadamente teria dado estas directrizes ao militar, negou as acusações e exerceu direito a não testemunhar.

Crime, castigo e liberdade condicional

Este caso é apenas um dos muitos crimes cometidos por militares americanos contra iraquianos. Em grande parte civis.

No passado mês de Fevereiro, o sargento Paul Cortez de 24 anos foi condenado a 100 anos de prisão, contudo, poderá pedir a liberdade condicional ao fim de 10. Cortez também pertencia à 101ª divisão aerotransportada e foi considerado culpado da violação e morte de uma rapariga iraquiana de 14 anos, bem como de assassinar a restante família.

Dos cinco militares envolvidos nos crimes, o soldado James Baker foi outro dos condenados a uma pesada pena de prisão. O veredicto foi de 90 anos, e tal como Cortez, também conta com a possibilidade de pedir a liberdade condicional, depois de cumprir parte da sentença.

Os dois militares assumiram desde logo a responsabilidade pelos crimes, afastando assim a possibilidade de incorrerem na pena de morte.