Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

México caça 10% da PT

O grupo do mexicano Carlos Slim entrou na PT e tenciona aproveitar todas as oportunidades de compra até aos 10% do capital.

Na óptica dos mexicanos, tudo depende «da PT ser atractiva e do preço de mercado das suas acções justificar o investimento no seu capital», refere, esclarecendo que, «neste preciso momento a nossa estratégia para este investimento financeiro não deve ser confundida com qualquer intenção de avançarmos para operações mais complexas, como é o caso de uma OPA, que, até à data, nunca esteve nos nossos planos».

Por outro lado, a Telmex também não tem perspectivas de nomear representantes seus no Conselho de Administração da PT. Contudo, referem que «ninguém saberá como vai ser o dia de amanhã, pois todas as condições de mercado existentes hoje não serão forçosamente mantidas no futuro próximo». Na estratégica de crescimento da Telmex, a prioridade centra-se no cabo e nos mercados da América Latina, onde é o maior adversário à expansão da espanhola Telefónica. Na rede móvel, a sua «irmã» América Móvil - que tem em comum com a Telmex o accionista Carso, o grupo de Carlos Slim Helú - controla, no Brasil, a Claro, principal rival da Vivo, detida conjuntamente pela Telefónica e pela PT.

«O nosso investimento na Europa vai todo para Portugal - nem tencionamos investir em outro país - e foi feito através da Telmex, que é uma empresa completamente separada da América Móvil. Até temos accionistas diferentes. Por isso é um erro confundir a estratégia da Telmex na rede fixa e no cabo, com a estratégia da América Móvil na rede móvel», explica a fonte da Telmex.

Esta incursão da Telmex pela PT também não deve ser confundida com eventuais alianças estratégias com outros operadores europeus, como é o caso da France Telecom. «Tem havido muitas especulações nos mercados. Em bom rigor, não temos nada a ver com a France Telecom, nem pode parecer que os nossos objectivos estratégicos sejam semelhantes», adianta a fonte da Telmex.

Um desmentido que surge na sequência de alguns rumores que apontam para a existência de uma aliança secreta entre o operador de Carlos Slim e a France Telecom com o objectivo de fazer frente ao rival comum, a Telefónica. Recorde-se que o operador francês tem uma participação de 23,7% na Sonaecom. Em todo caso, o operador liderado por Paulo de Azevedo demonstrou alguma surpresa com a entrada da Telmex na PT e adiantou que tinha sido uma operação «não solicitada».

De resto, desde que a Telmex notificou a participação de 3,406% no capital da PT - em 11 de Agosto - que o seu accionista de referência, o próprio magnata Carlos Slim, esclareceu aos mercados que não tem intenção de lançar uma OPA sobre a PT. Fê-lo numa entrevista concedida à revista «América Economia».

O que quer a Telmex?

Quais serão então as verdadeiras motivações da Telmex em relação à PT? Certamente, só um grupo muito restrito de gestores de topo do grupo mexicano o saberá.

Apesar da posição oficial da Telmex explicar a participação na PT como estritamente financeira, um observador do mercado de telecomunicações disse ao EXPRESSO que esta participação dificilmente pode ser considerada «inocente» porque o operador mexicano não é um mero investidor financeiro, mas sim um «player» mundial do mercado de telecomunicações.«As tomadas de posição de uma empresa com o perfil da Telmex geralmente têm um alcance estratégico e de longo prazo», refere o mesmo especialista.

Governo quer fixo

O futuro das redes fixa e móvel (respectivamente, PT Comunicações e TMN) vai passar por muitas alterações, implicando a convergência das duas redes e a unificação das administrações. Contudo, antes de avançarem com essas alterações, os responsáveis da PT aguardam que a sua tutela - o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino - equacione a estratégia que lhe foi apresentada para a PT. A prerrogativa que o Estado continua a manter na orientação estratégica da PT, decorrente da «golden share» que ainda detém na empresa, permite-lhe ter dado eventuais indicações sobre a intenção de manter o controlo sobre a rede fixa. A partir do momento em que seja consumada a convergência das duas redes, qualquer tentativa de negociar isoladamente uma destas redes passará a ser mais complicada. Sob o ponto de vista prático, a convergência de redes permitirá utilizar o telemóvel na rede fixa e o fixo como telemóvel, embora com pequeno raio de cobertura (a Telefónica também está a testar a convergência das duas redes).

No seu conjunto, as redes fixa e móvel são um negócio com bastante expressão na economia portuguesa. Enquanto a rede fixa da PT gera receitas de 2214 milhões de euros, a rede móvel gera 1557 milhões de euros. As duas redes juntas terão 10 milhões de clientes e 9000 trabalhadores. Paralelamente, a PTM (que detém a rede de TV e Internet por cabo) estará mais «livre» para ser alienada. A PTM gera um volume de receitas de 628 milhões de euros.