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Menezes promete guerra à "miserável resignação"

Ainda não foi desta que um novo líder fez vibrar os congressistas do PSD. Menezes promete guerra à "miserável resignação" e ao novo líder parlamentar exige "disciplina férrea".

Ainda não foi desta que os congressistas sociais-democratas voltaram a vibrar na recepção a um novo líder. Luís Filipe Menezes foi muito aplaudido mas não conseguiu repor a vibração dos Congressos de outros tempos. Como quem ainda procura o registo certo, Menezes discursou aos militantes durante quase uma hora, falou um pouco de tudo, atacou duramente o Governo, e prometeu, sobretudo, "um ciclo de regeneração" do PSD.

Apresentando-se como alguém que vê na política "a arte de transformar os sonhos em realidade", o novo líder social-democrata disse-se disposto a "combater o pessimismo, o derrotismo e o fatalismo" e achou impossível que ainda haja militantes do partido que não acreditem na hipótese de ganhar em 2009.

"Há milhares de portugueses à nossa espera", disse, elencando os vários sectores da sociedade portuguesa com razões de queixa da actuação do Governo. Acusando José Sócrates de pôr em causa as liberdades, de falhar promessas, e de fazer um Orçamento viciado por previsões que até o FMI contesta, Menezes mostrou-se convicto de que, depois de ter falhado o que prometeu na campanha eleitoral, Sócrates vai chegar a 2009 "incapaz de apresentar propostas em que se possa acreditar".

Para dentro do partido - cujo papel nos últimos 30 anos enalteceu, invocando os ex-líderes sociais-democratas um a um -, o novo líder do PSD deixou alguns recados: ao grupo parlamentar disse reconhecer autonomia mas exigir "uma disciplina e solidariedade férreas" - Santana Lopes, o líder parlamentar na calha ouviu-o atentamente na primeira fila; às "pseudo-elites desacreditadas, que têm sempre muita vontade de usufruir das vantagens mas nenhuma vontade de trabalhar", avisou que tenciona trazer as verdadeiras elites para o partido; e prometeu que os membros da sua comissão política irão estar em permanente contacto com as bases.

Avisou o Governo que a partir de finais de Novembro vai ter, para cada área de governação, um social-democrata-sombra a avaliar a sua actuação. E defendeu que, mais do que uma revisão constitucional, o país precisa duma nova Constituição "que rompa com tabus".

A entrada de Pedro Santana Lopes no Congresso do PSD voltou a monopolizar as atenções dos jornalistas. Absolutamente rodeado de câmaras, num frenesim mediático só comparável ao da entrada de Luís Filipe Menezes no local, Santana fez render o percurso até à sala do Congresso, cumprimentou delegados e funcionários, e não disfarçou o gozo do regresso a estas lides.

Continuando a alimentar o tabu sobre a liderança parlamentar que deverá assumir dentro de dias, Santana ouviu atentamente o discurso de Menezes do qual disse ter gostado. "Gostei", afirmou aos jornalistas, sobretudo das fortes críticas que o novo líder dirigiu ao Governo.

Sobre a "disciplina férrea" que Menezes diz ir exigir ao grupo parlamentar, Santana Lopes preferiu não comentar.

Pedro Passos Coelho, outro regressado aos Congressos de onde há anos se tinha afastado, também foi muito bem acolhido na chegada ao recinto, quer pelas câmaras televisivas e microfones, quer pelos congressistas que se desmultiplicaram em boas vindas.

Passos Coelho fez questão de pedir um agradecimento do Congresso a Marques Mendes, que "aguentou estes dois anos difíceis". Mendes enviou uma mensagem ao Congresso, que Manuela Ferreira Leite leu no início dos trabalhos, onde o ex-líder social-democrata agradecia a todos os que com ele trabalharam, desejava as maiores felicidades ao partido e justificava a sua ausência com o facto de, em directas, o líder derrotado cessar funções antes do Congresso.