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Médicos "não respondem a brincadeiras"

O bastonário da Ordem dos Médicos classifica de "absurdo" o estudo da Deco que acusa os profissionais de saúde de receitarem antibióticos sem necessidade.

Uma “brincadeira lamentável”. É assim que o bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, considera o estudo divulgado hoje pela Deco, que acusa os médicos de receitarem antibióticos sem necessidade e as farmácias de os venderem sem prescrição.

O estudo baseou-se em visitas de colaboradores saudáveis da Deco a 58 clínicas privadas e nove centros de saúde, queixando-se de dores de garganta e um ligeiro incómodo ao engolir, sem quaisquer outros sintomas. “Em 37 destes casos, os profissionais de saúde receitaram antibióticos que eram desnecessários para a situação em causa”, afirma a associação.

Para o bastonário da Ordem dos Médicos, esta actuação de “agentes provocadores” é “absolutamente absurda”. Pedro Nunes não se surpreende com a atitude dos médicos em questão: “um médico tem de partir da boa fé do doente, mesmo sem comprovação imediata”, explicou o bastonário ao Expresso, salientando que estas situações só ocorrem em consultas esporádicas e não com doentes habituas, em que o acompanhamento posterior por norma acontece.

“Este estudo é uma brincadeira e a brincadeiras os médicos não respondem”, conclui Pedro Nunes, que tece duras críticas à associação: “A Deco tem de repensar o seu trabalho porque com este estudo perdeu toda a credibilidade que conquistou até agora”.

Farmácias ao barulho

Os colaboradores da Deco usaram a mesma dor de garganta simulada para visitar 90 farmácias, pedindo um antibiótico sem apresentar receita médica. Oito estabelecimentos venderam o medicamento “sem problema”, revela o estudo.

O Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (INFARMED) já teve conhecimento das farmácias em questão e afirmou ao Expresso que vai “actuar em conformidade com a legislação e proceder à inspecção dos locais”. Caso as contra-ordenações se confirmem, as coimas poderão ir dos 2.943 euros aos 29.927 euros.

No entanto, o INFARMED garante que a questão da venda dos antibióticos sem prescrição tem sido “uma das suas preocupações”. Em 2006, o instituto participou numa campanha de sensibilização nacional e no seu site tem uma vasta lista de conselhos sobre o uso indevido destes medicamentos.

RECOMENDAÇÕES DO INFARMED SOBRE ANTIBIÓTICOS

Informações:

- Há três tipos de organismos que causam infecções: bactérias, vírus e fungos.

- A maioria das infecções, em todas as idades, é causada por vírus.

- Doenças como as constipações, a gripe, as bronquiolites e a maioria das infecções da garganta (amigdalites, faringites e laringites) e dos ouvidos (otites), são causadas por vírus.

- Os antibióticos não matam os vírus.

- Apenas as infecções causadas por bactérias se tratam com antibióticos.

- As infecções causadas por fungos são tratadas com outros medicamentos.

Conselhos:

- Não insista com o seu médico para lhe prescrever um antibiótico se ele lhe disser que não é necessário.

- Não insista com o seu farmacêutico para ele lhe dispensar um antibiótico sem receita médica.

- Não tome um antibiótico que foi prescrito a outra pessoa.

- Sempre que lhe for prescrito um antibiótico, tome-o da forma indicada pelo seu médico respeitando as doses e o horário das tomas.

- Complete a toma do antibiótico, mesmo que se sinta melhor ao fim dos primeiros dias.

Nãos se esqueça:

- O número de dias necessários para completar o tratamento varia com a doença e o tipo de antibiótico.

- A toma inadequada de antibióticos pode tornar as bactérias resistentes ao tratamento, o que poderá ser prejudicial para si e para a comunidade onde está inserido.