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Maria José Nogueira Pinto bate com a porta

A presidente do Conselho Nacional do CDS cumpre a a ameaça: Zezinha deixa o partido e o lugar de vereadora na Câmara de Lisboa. O parecer do Conselho de Jurisdição sobre a realização de eleições directas foi a gota de água.

Maria José Nogueira Pinto já não vai conduzir o Conselho Nacional (CN) do CDS do próximo sábado, que deverá decidir de vez se a liderança do partido se disputa em directas ou em congresso. A até agora presidente do CN anunciou hoje, ao final da manhã, que abandona o CDS e o lugar de vereadora na Câmara Municipal de Lisboa. Zezinha participa esta tarde, pela última vez, na reunião de câmara, passando depois o seu lugar para o vice-presidente do CDS-PP Miguel Anacoreta Correia, que foi o número dois da lista nas autárquicas de 2005. Quanto à reunião de sábado do Conselho Nacional, será dirigida pelo até agora vice-presidente da mesa, Artur Jorge Bastos.

A gota de água para a decisão de se desfiliar do CDS e renunciar ao mandato autárquico foi a discordância de Nogueira Pinto em relação ao parecer do Conselho de Jurisdição do CDS, que abriu portas à marcação de eleições directas – tal como pretendiam Paulo Portas e a maioria do CN –, apesar de existir um requerimento assinado por mais de mil militantes que exige um congresso imediato. "Este é, e foi desde o início, o facto mais relevante: a demonstração na prática que 130 conselheiros podem tornar letra morta um requerimento subscrito por 1344 militantes", afirmou Nogueira Pinto, numa declaração lida aos jornalistas.

O entendimento de Maria José Nogueira Pinto (e da direcção de Ribeiro e Castro) era que o requerimento das bases obrigava à convocação imediata de um congresso, sem permitir a opção pelas directas. Mas a Jurisdição veio alertar que, depois de o CN ter votado, por larga maioria, a marcação de directas, se corria o risco de um impasse institucional, pois a realização quer do congresso, quer das directas, depende de um regulamento aprovado pelos conselheiros nacionais. Ora, sendo estes maioritariamente a favor das directas…

Castro acusa "vozes hostis"

A até agora presidente do CN reconheceu o impasse e acabou por admitir que nada pode ser feito contra a vontade da maioria dos conselheiros. Por isso bate com a porta e deixa um aviso: "Este será o CN onde temo que se abra o gravíssimo precedente de, por mecanismos formais vários, comprometer o valor da democracidade interna do partido, quebrando, talvez pela primeira vez, o vínculo entre os militantes e as bases."

No encontro com a imprensa – no qual não respondeu a perguntas – Nogueira Pinto pôs fim à sua militância de dez anos no CDS, mas voltou a colocar-se do lado de Ribeiro e Castro, ao apelar a "um consenso, que permitindo eleições directas, permita também um congresso ratificativo que faça preceder tão importante mudança de uma discussão séria".

José Ribeiro e Castro já lamentou, em comunicado, a saída de Maria José Nogueira Pinto, atribuindo a responsabilidade à "hostilidade de que foi lamentavelmente objecto por parte de algumas vozes do partido, que insistiram nos últimos dias". A saída da antiga líder parlamentar centrista foi exigida por diversos conselheiros nacionais e entre os portistas estava a ser discutida a possibilidade de ser apresentada uma moção de censura à mesa no início da reunião do CN de sábado.

Nogueira Pinto, por seu lado, deixou uma promessa para o futuro: "Como cidadã independente, estejam certos que poderão contar comigo." Só não explicou como.