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Marcelo: "Não é razoável tocar no Governo" antes das presidenciais

Marcelo Rebelo de Sousa considera que "não é razoável tocar no Governo" de José Sócrates antes das presidenciais de 2011 e durante o atual cenário de crise "financeira e psicológica".

O ex-líder do PSD Marcelo Rebelo de Sousa considera que "não é razoável tocar no Governo" de José Sócrates antes das presidenciais de 2011 e durante o atual cenário de crise "financeira e psicológica".     O professor universitário e comentador político falou no sábado à noite perante uma plateia de estudantes portugueses na Casa de Portugal/Residência André de Gouveia, na Cidade Universitária Internacional, onde foi convidado a proferir uma conferência sobre "Portugal em 2010".     Rebelo de Sousa considerou que seria uma "tontice" fazer cair o Governo e que a crise dá "ironicamente" tempo ao novo líder do PSD, Pedro Passos Coelho, para preparar um programa e uma equipa para tentar chegar ao poder "dentro de ano, ano e meio", evitando a ascensão prematura à governação que vitimou, em seu entender, Durão Barroso.     "Admito que, por exemplo, o PSD e o CDS, que não mostraram vontade de viabilizar uma moção de censura, estivessem virados para a viabilizar e, em conjunto com o BE e o PCP, embora por razões opostas, fizessem cair o Governo", explicou Marcelo Rebelo de Sousa à agência Lusa.     "Com a crise, isso não faz sentido", considerou.  

"Tontice" fazer cair o Governo 

"Neste momento, haver uma crise política seria a chamada cereja no bolo, porque era os credores dizerem 'eles estão mesmo completamente loucos. Vão passar três ou quatro meses à procura de um novo Governo, não é líquido que esse novo Governo tenha maioria mas é nesse período pior em que se encontram que eles decidem mesmo reduzir a credibilidade financeira do estado português'", explicou.     "Por muito que isso apeteça a muito boa gente, nomeadamente no partido a que eu pertenço, acho uma tontice", concluiu.     "A seguir às presidenciais, supondo que a crise financeira foi ultrapassada e que a crise psicológica está a ser superada, põe-se um problema, que é se a situação do Governo é para durar mais algum tempo ou não. 'O Governo foi viabilizado por causa da crise, ele deve cessar funções. Que solução virá a seguir' é um tema em aberto mas a bola está do lado do líder do PSD", frisou Marcelo Rebelo de Sousa.     Entretanto, "não parece crível que de repente o novo Governo socialista encontre um novo fôlego, com o atual primeiro ministro", comentou.  

José Sócrates está desgastado 

"O desgaste do Governo socialista é um desgaste anterior à crise, que é o desgaste do próprio primeiro ministro, por mérito das oposições que o desgastaram e [também] o autodesgaste", considerou.     "José Sócrates autodesgastou-se com intervenções excessivas, com verdades contraditórias permanentes, com uma dificuldade enorme de explicar às vezes as coisas mais banais. Nada é simples de explicar com aquele homem", acrescentou.   O professor repetiu diante dos estudantes da Casa de Portugal a mesma diferença "entre o desejável e o razoável" que ensina aos seus alunos de Ciência Política.     "O que era desejável, na minha modesta opinião, era que as eleições [legislativas de 2009] tivessem dado um resultado diferente, que esse resultado já tivesse permitido uma alternativa ao poder e que essa alternativa tivesse maioria", explicou o professor universitário.     "Há em Portugal, por razões opostas, um somatório enorme de pessoas que só desejam uma coisa, que é a queda do primeiro ministro, com o BE e PCP de um lado, e o PSD e o CDS do outro", frisou. "Mas formam uma maioria negativa e uma maioria negativa não serve para governar o país", concluiu.   *** Este artigo foi elaborado com base no novo Acordo Ortográfico ***

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