Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Marçal, Ritto e Gertrudes Nunes ouvem alegações finais amanhã

Os três arguidos do processo de pedofilia saberão amanhã se o procurador João Aibéo pedirá as suas condenações.

Hugo Marçal, Jorge Ritto e Gertrudes Nunes, os três arguidos do processo de pedofilia da Casa Pia de Lisboa sobre quem o Ministério Público ainda não se pronunciou nas alegações finais, saberão terça-feira se o procurador pedirá as suas condenações.

Os restantes quatro acusados - o ex-motorista Carlos Silvino, o apresentador de televisão Carlos Cruz, o médico João Ferreira Diniz e o ex-provedor-adjunto da Casa Pia Manuel Abrantes - já ouviram o representante do Ministério Público, João Aibéo, pedir ao tribunal a sua condenação, embora ainda não se tenha referido a todos os crimes que lhes são imputados.

O quarto dia de que o magistrado João Aibéo vai dispor será para concluir a análise dos 847 crimes constantes no processo, todos relacionados com alegados abusos sexuais praticados contra dez antigos alunos da Casa Pia de Lisboa, cujos testemunhos levaram à instauração do processo, que se arrasta há seis anos, quatro dos quais em julgamento, actualmente no Tribunal de Monsanto, em Lisboa.

O procurador não deverá, contudo, dispor de todo o dia para concluir as suas alegações, já que o advogado de Manuel Abrantes já terá obtido a concordância do tribunal para voltar a interrogar Carlos Silvino, único arguido que confessou os crimes e que acusara, até agora, cinco dos seis arguidos com quem divide o banco dos réus.

Paulo Sá e Cunha disse à agência Lusa que as instâncias que se propõe realizar deverão decorrer logo de manhã, na abertura da sessão.

Esta será a segunda interrupção nas alegações finais do Ministério Público, depois de o ex-motorista da Casa Pia Carlos Silvino ter pedido para falar e dizer pela primeira vez que o seu antigo superior hierárquico tinha mantido encontros sexuais com alunos da instituição.

Abrantes era o único réu que Silvino ainda não acusara, o que justificou agora pelo facto de serem "amigos" e de o outro arguido ter sido um dos principais responsáveis da instituição onde trabalhou.

Como não esteve presente nessa sessão, Paulo Sá e Cunha pediu à juíza que preside ao colectivo, Ana Peres, que lhe permitisse interrogar o novo acusador do seu cliente.

Este advogado disse ainda à Lusa ter indicações do Tribunal de que o julgamento vai decorrer em todos os dias úteis pelo menos até 22 deste mês e que, no seu caso, vai precisar de um dia para apresentar as suas alegações finais, que conta fazer a 15 ou 16.

Se o procurador João Aibéo conseguir concluir o seu processo e anunciar as penas que pede para os arguidos que acusar na terça-feira, seguem-se, na quarta e quinta-feira, as alegações dos advogados da Casa Pia e das vítimas.

Sexta-feira seria a vez do defensor de Carlos Silvino e nos dias seguintes dos advogados dos restantes seis arguidos, que, à média de um por dia, terminariam precisamente a 22, dando por findas as alegações finais do processo antes do final do ano, restando apenas o tribunal redigir e apresentar o veredicto, que se aguarda longo, como todo o processo.

Contudo, um dos advogados de Carlos Cruz, Ricardo Sá Fernandes, disse à Lusa que vai necessitar de dia e meio para alegar a favor do seu cliente, desconhecendo a data em que o fará.

Acrescentou ainda que vai recorrer a um "power-point" para apresentar os argumentos de defesa, um recurso aparentemente inédito nos tribunais portugueses.