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Manuel Alegre defende Mário Soares

Socialista considera "inaceitáveis" os ataques de Luanda ao seu ex-adversário nas presidenciais.

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Manuel Alegre diz que os ataques a Mário Soares que têm sido veiculados pelo Jornal de Angola, órgão oficioso do executivo de Luanda, são "despropositados e injustos". Em declarações ao Expresso, o vice-presidente da Assembleia da República considera que "os termos que foram usados são inaceitáveis" e sustenta que, perante a gravidade das acusações, tanto o PS como o Estado Português deviam pronunciar-se. Afinal, trata-se de um dos fundadores do PS e de um ex-Presidente da República, lembra Alegre.



"Os termos em que este ataque está a ser feito dizem respeito a todos os órgãos de soberania portugueses", responde, quando questionado sobre o silêncio do governo de José Sócrates. E, sobre o seu partido, também não tem dúvidas: "A direcção do PS tinha obrigação de se pronunciar" - o que ainda não aconteceu.



A defesa de Manuel Alegre em relação ao seu adversário nas últimas eleições presidenciais é tanto mais relevante quando o próprio faz questão de lembrar que, no que respeita a Angola, nunca esteve do mesmo lado que Soares. "Fui sempre solidário com o MPLA, sempre discordei de Mário Soares na questão da UNITA e nas relações com Jonas Savimbi. Mas não podemos esquecer que Mário Soares foi perseguido e exilado por ser um resistente ao fascismo e à guerra colonial, sempre defendeu a autodeterminação destes povos e foi um dos fundadores da democracia em Portugal", recorda Alegre.



"Os governantes angolanos, ao longo de décadas, tiveram de dedicar larguíssimos recursos ao combate sem tréguas a Jonas Savimbi, o lugar-tenente da quadrilha soarista em Angola", pode ler-se num texto do Jornal de Angola, periódico estatal que faz uma ligação entre o que chama "quadrilha soarista" e dinheiro dos "diamantes de sangue".