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Atualidade / Arquivo

Manifestação leva ao corte de ponte internacional

Populares de Valença cortaram a ligação entre Portugal e Espanha. O objectivo era protestar contra o encerramento das urgências, as consequências acabaram por ser confrontos com a GNR.

Hoje durante o dia cerca de um milhar de pessoas, lideradas pelo presidente da Câmara de Valença José Luís Serra, iniciaram uma marcha lenta desde o centro da vila até à ponte que liga Valença a Tui na Galiza. Se o que estava pensado era apenas ocupar a via no sentido Portugal-Espanha, depressa se ocupou o sentido inverso também, o que levou a que o trânsito na ponte fosse cortado durante mais de uma hora.

A manifestação que foi devidamente autorizada, acabou por terminar duma forma abrupta e com alguns focos de violência, quando a GNR teve de usar a força para retirar os manifestantes da estrada e restabelecer a ligação entre os dois países. O autarca José Luís Serra acabou por ter de intervir, pedindo aos manifestantes que desmobilizassem mas sem desistirem dos seus objectivos. "Não vamos cruzar os braços. O ministro da saúde não pode tomar decisões escondido no seu gabinete. Só queremos que nos deixe as nossas urgências", referiu o autarca do PS, afirmando-se “desiludido” com o ministro do seu partido.

“Quatro doentes são quatro pessoas”

A intenção governamental em encerrar as urgências de Valença, já levou a que Luís Serra se demitisse dos órgãos partidários que integrava, assim como à demissão em bloco da Concelhia do PS. Num dia em que o objectivo foi repudiar as decisões de Correia de Campos, o autarca contestatário não poupa nas críticas. “O ministro da saúde não deu qualquer justificação para esta alteração, simplesmente porque não há justificação para o injustificável”, e faz um vaticínio, “com esta forma de fazer política, vai ter muitos problemas. Acredito mesmo que acabará por ter que se demitir".

Os habitantes de Valença vêem com pessimismo terem de se deslocar a Viana do Castelo, Ponte de Lima ou Monção, caso tenham de ir às urgências. Mais uma vez Luís Serra é dos primeiros a demonstrar a indignação. “Não passa pela cabeça de ninguém fazermos 15 quilómetros para irmos às urgências em Monção e depois, se o problema não puder ser lá resolvido, termos de andar mais 80, em direcção a Viana do Castelo”. Serra criticou ainda Correia de Campos por este alegar que em Valença só iam às urgências quatro doentes por dia, "esqueceu-se de dizer que em Monção a média é a mesma. Mas a saúde não pode ser vista pelos números. Quatro doentes são quatro pessoas, não são quatro números", criticou o autarca.

O povo não se conforma

Se Luís Serra não se conformava, os seus munícipes eram igualmente o rosto e a voz da revolta.

Ernesto Jácome de 56 anos, doente crónico e a precisar de assistência regularmente, indigna-se contra este encerramento, “tenho uma doença crónica, fui operado ao pâncreas e aos intestinos, o que vai ser de mim quando me der uma crise? Querem que morra nas viagens?", questiona revoltado.

Patrício Casto, com um irmão epiléptico e o pai acamado, também não aceita “de forma nenhuma” o fecho das urgências e prontifica-se a participar em todas as manifestações que se seguirem "estou disponível para participar em todas as manifestações de protesto em defesa da nossa saúde".