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Atualidade / Arquivo

Mais de 60% das portuguesas são infoexcluídas

Relatório da UE diz que mulheres viverão mais, mas revela que em Portugal ainda há desequilíbrios face aos homens. O maior atraso está na utilização da informática.

A previsão da esperança de vida para 2050 é favorável às mulheres: em Portugal elas evoluirão dos actuais 81,4 anos para 86,6. Por sua vez, os homens vão também viver mais, podendo atingir os 80,4 anos ( contra 74,9). Apesar destas projecções – reveladas hoje, Dia Internacional da Mulher, pelo Eurostat, em Bruxelas –, serem positivas, as mulheres portuguesas estão ainda desfavorecidas face aos homens.

O relatório do gabinete de estatísticas da União Europeia revela que Portugal tem uma das mais elevadas taxas de  mulheres sem conhecimentos informáticos da UE: 61%, perdendo apenas para a Bulgária (69%) e Itália (64%), e apresentando percentagens superiores às da Grécia (60%).

As mais altas taxas de mulheres com elevados conhecimentos de informática encontram-se na Dinamarca, no Luxemburgo e na Hungria. Na UE dos 25, no segundo trimestre de 2006, 15% das mulheres entre 16 e 74 anos declararam ter conhecimentos profundos de informática, contra 29% dos homens da mesma idade.

Diferença entre salários é das mais baixas

Já em relação à taxa de desemprego feminino, Portugal, com 8,4% , está dentro da média europeia (8,5), num ranking liderado pela Polónia, com 14,2 % das mulheres desempregadas.

O relatório do Eurostat revela que três em cada quatro novos empregos são atribuídos a mulheres, sendo que a diferença entre os salários dos homens e das mulheres em Portugal é de 5%, ou seja, das mais baixas da UE (a Eslováquia é onde esta diferença é mais elevada (22%).

Outro dado revelado pelo Eurostat é que no segundo trimestre de 2006, o número de pessoas entre 25 e 59 anos com diplomas de ensino superior era similar entre homens (23%) e mulheres (24%). As taxas mais elevadas de homens e mulheres licenciados encontram-se na Finlândia (42%), Estónia e Dinamarca (39% cada), enquanto as mais baixas ficam com a Roménia (12%), República Checa e Malta (13% cada).

Curioso é que em quase todos os países, as mulheres continuam a preferir as áreas das ciências sociais e humanas e as artes, enquanto os homens dão preferência às ciências, à matemática e à informática. Em 2004, 66% dos estudantes de ciências sociais e humanas, bem como de artes, eram mulheres, contra 38% de alunas de cursos no domínio das ciências, da matemática e da informática.

As taxas de emprego da população feminina eram de 8,5% em Janeiro do ano em curso, contra os 6,7% referentes aos homens. Sendo mais elevadas para as mulheres do que para os homens em todos os Estados membros, com excepção da Irlanda.

Nova esperança para a esperança de vida

No que toca à longevidade, os portugueses ficarão mais próximos dos espanhóis (cujas mulheres atingem hoje os 83,9 anos, enquanto os homens os 77,4 anos, devendo passar para os 87,9 e 81,4, respectivamente), pelo menos no que se refere ao aumento dos anos de vida. 

Mas apesar do aumento da sua esperança de vida, os portugueses não vão conseguir atingir a longevidade dos franceses, que vão passar a ser os europeus a  morrer mais velhos, esperando-se que vivam  89,1 anos (mulheres) e 82,7 anos (homens) em 2050.

Daqui a 43 anos, segundo o Eurostat, a esperança de vida das mulheres vai ultrapassar os 80 anos em todos os Estados membros. Prevendo-se, também, a diminuição do fosso entre homens e mulheres, em matéria de longevidade. Ou seja, os homens vão passar a viver mais, embora continuem a morrer mais cedo do que as mulheres. 

Aministia denuncia aumento de crimes sexuais

Outro relatório, divulgado ontem pela Amnistia Internacional, aponta que uma em cada cinco mulheres no mundo é violada ou sofre ou uma tentativa de violação pelo menos uma vez na vida, praticada por conhecidos ou familiares, ou por membros de forças de segurança. Uma situação considerada 'duplamente preocupante' por esta organização, que denuncia a impunidade para estes crimes e o pouco apoio dado às vítimas.