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"Mais austeridade só eventualmente para quem não sofreu sacrifícios"

As instituições internacionais e a troika devem "rever falhas" e perceber se é preciso algum ajustamento, afirma Cavaco Silva, que desvaloriza a derrapagem do défice por "décimas".

O Presidente da República considerou hoje que as instituições internacionais e a troika devem rever "aquilo em que eles próprios falharam" e verificar se é preciso fazer algum ajustamento.

Cavaco Silva elogiou a forma como Portugal tem atuado nos seus contactos com as instituições internacionais, ao não pedir mais tempo no âmbito do programa de ajuda financeira, responsabilizando-as por falhas na avaliação que fizeram.

"Essa é uma questão que, com certeza, em primeiro lugar, se coloca do lado das entidades internacionais. Até porque elas fizeram determinadas previsões, por exemplo, para o défice orçamental de 2011, que falharam", afirmou.

Cavaco Silva falava à imprensa à margem da Taça Portugal Solidário, que se realiza no Oceânico Victoria Clube de Golfe, em Vilamoura, um torneio com o alto patrocínio da Presidência da República.

"Quando foi negociado o acordo com o Governo anterior, a troika fez uma avaliação do que seria o défice orçamental no ano 2011, e mesmo com medidas extraordinárias que este Governo tomou, foram necessárias transferências dos fundos de pensões dos bancos", sublinhou.

Questionado sobre a hipótese de haver mais cortes nos benefícios sociais, Cavaco Silva disse ainda que não é fácil "imaginar cortes adicionais" na parte social.

"Parece difícil. Mais austeridade só eventualmente para aqueles que até ao momento não sofreram sacrifícios", concluiu.

"Mais importante do que as décimas são as políticas para garantir a sustentabilidade"

O Presidente da República desvalorizou ainda a derrapagem do défice para 5,3%, considerando que mais importante que "a décima da meta do défice" é garantir o menor impacto possível sobre a atividade económica e o emprego.

"Não me parece que seja uma questão muito, muito importante um desvio em relação à meta do défice em 2,3 ou 4 ou 5 décimas", afirmou, lembrando que o défice é "uma variável que as autoridades não controlam diretamente".

"Para mim, é muito mais importante prestar atenção às políticas que são conduzidas por forma a garantir a sustentabilidade das finanças públicas", acrescentou.

O chefe de Estado considerou ainda que a economia portuguesa deverá recuperar dentro de poucos trimestres, apesar de a situação económica espanhola e a disponibilização de crédito às empresas sejam "fatores de incerteza".

"É normal que não daqui a muito tempo, não daqui a muitos trimestres, se verifique uma recuperação da economia portuguesa", defendeu.

Esta previsão tem em conta o número de trimestres de queda continuada do investimento e do consumo e a evolução recente do indicador coincidente do Banco de Portugal, referiu.