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Maioria absoluta do PS outra vez mais perto

O PS parece não ter sido afectado nem pela crise na Educação nem pelas revisões em baixa dos principais indicadores económicos. Cresceu mais 0,7% nas intenções de voto e ficou a dois pontos da maioria absoluta. O PSD está mais distante do poder, enquanto à esquerda o BE ultrapassou o PCP.

Apesar das previsões de recessão e da guerra dos professores, o PS consegue subir e fica apenas a dois pontos da maioria absoluta. As 'gaffes' de Manuela Ferreira Leite e os salpicos do caso BPN contribuíram para esta quebra do partido liderante da oposição. Os comunistas parecem não conseguir capitalizar o descontentamento das ruas. A CDU perde o 3.º lugar a favor do Bloco de Esquerda. O CDS manteve o estilo moderado e conquistou 0,8% de simpatia eleitoral. Por ora, está afastada a ameaça do partido residual. Grão a grão, o Bloco vai alargando o seu espaço eleitoral. A vítima tem sido o PCP, ao ponto de se ter invertido a posição das duas forças.

Paulo Portas

No meio está a virtude

Paulo Portas fez um passe de mágica e substituiu quase sem se dar por isso o discurso ultra-liberal por uma mensagem mais próxima da democracia-cristã. É o abandono do PP e o regresso ao CDS , uma curiosa viragem que para já parece agradar aos participantes no barómetro Expresso/SIC/R. Renascença/Eurosondagem, os quais premiaram Paulo Portas com uma melhoria de 1,2% no saldo de popularidade e o seu partido com um acréscimo de 0,8% nas intenções de voto. Portas é agora o 3.º classificado no 'ranking' dos líderes partidários (+6%), atrás de José Sócrates e de Francisco Louçã.

O primeiro-ministro e líder socialista atravessou incólume as revisões em baixa da economia portuguesa com o discurso dos "outros ainda estão pior", o protesto quase unânime de 140 mil professores e as sistemáticas críticas da esquerda do partido liderada por Manuel Alegre. O secretário-geral socialista somou 0,9% ao seu pecúlio que é agora de +23%, arrastando um crescimento de 0.7% do PS que fica de novo muito próximo da maioria absoluta.

Francisco Louçã, o coordenador do Bloco de Esquerda, manteve-se como o mais popular líder da oposição (+6,2%), a uma distância cada vez maior do seu 'rival' Jerónimo de Sousa, que quebrou 0,4% e aprofundou a sua trajectória descendente: -1.1%. Pior só Manuela Ferreira Leite, que num mês de 'gaffes' e BPN sofreu um rombo de 3,5% para se fixar num saldo global de -4,7%.

José Sócrates - A ira dos professores parece não se dirigir ao primeiro-ministro. Com uma subida de 0,9%, o seu saldo global é agora de 23% positivos.

Manuela Ferreira Leite - As 'gaffes democráticas' custaram caro à líder social-democrata. A sua popularidade baixou 3,5% nos últimos 30 dias e fixou-se nuns gélidos -4,7%. É de longe o pior saldo entre os líderes partidários.

Francisco Louçã - O homem mais popular na oposição viu o seu capital de simpatia aumentar uma vez mais.

Paulo Portas - O regresso ao 'centro' tem valido um sensível reforço de popularidade do presidente do CDS/PP. Está apenas a duas décimas de Louçã.

Jerónimo de Sousa - O líder comunista não consegue capitalizar o descontentamento popular.

A sondagem foi realizada entre 27 de Novembro e 2 de Dezembro. Teve por objecto perguntas sobre avaliação de desempenho, conflitos na educação e o "caso BPN", além das intenções de voto e a avaliação das prestações dos titulares dos órgãos de soberania e dos líderes partidários. O universo é a população com 18 anos ou mais, residente em Portugal Continental e habitando em lares com telefone fixo. A amostra foi estratificada por região: Minho, Douro e Trás-os-Montes (20,4%), Área Metropolitana do Porto (14,4%), Beiras, Estremadura e Ribatejo (28,3%), Área Metropolitana de Lisboa (27,2%), Alentejo e Algarve (9,7%). Foram efectuadas 1233 tentativas de entrevistas e, destas, 203 (16,5%) não aceitaram colaborar no estudo de opinião. Foram validadas 1030 entrevistas. A escolha do lar foi aleatória nas listas telefónicas e entrevistado, em cada agregado familiar, o elemento que fez anos há menos tempo. Desta forma resultou, em termos de sexo: feminino 51,5% e masculino 48,5%; e no que concerne à faixa etária: dos 18 aos 30 anos, 22,3%; dos 31 aos 59, 53,6%; com 60 anos ou mais, 24,1%. O erro máximo da amostra é de 3,07% para um grau de probabilidade de 95%.