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Maior delegação vem de Angola

Bissau prepara-se para receber a VI conferência de chefes de Estado da CPLP. O presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, já confirmou a sua presença.

ESTÁ confirmada a presença do Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, na VI conferência dos chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), fixada para 17 de Julho em Bissau.

Eduardo dos Santos vem com uma comitiva de 53 membros, incluindo a mulher e filhos, e depois seguirá viagem para um destino ainda desconhecido.

No total, a delegação angolana integra cerca de 90 pessoas, e será a mais numerosa dos oito países participantes.

As autoridades guineenses congratulam-se particularmente com a vinda do líder angolano, que irá realçar o nível da cimeira, que deverá contar com a mais do que provável ausência do Presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão.

Pelo contrário, está garantida a presença dos primeiros mandatários de Portugal, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

Ainda não se sabe se Lula da Silva, do Brasil, se desloca a Bissau, porque na véspera do conclave da comunidade lusófona estará em Moscovo, para assistir à cimeira dos «G-8». Contudo, Brasília é que mais terá contribuído para a organização da próxima reunião magna da CPLP, cuja fase preparatória arranca hoje, com a XII reunião ordinária de dois dias dos Pontos Focais da organização.

Além do apoio orçamental de 460 mil euros, disponibilizou um punhado de assessores ao secretariado executivo da Comissão Nacional Preparatória do evento, entre os quais o seu experiente embaixador em São Tomé, país que nos últimos dois anos assegurou a presidência rotativa da comunidade.

Por outro lado, o Brasil tem também no terreno uma equipa de mais de 30 médicos, e montou desde terça-feira um hospital de campanha, apetrechado com equipamentos indispensáveis a uma assistência médica de urgência, incluindo intervenções cirúrgicas. Entretanto, os médicos brasileiros já se ofereceram para, em caso de necessidade, acudirem a qualquer pedido extra das autoridades sanitárias locais.

O meio milhão de euros de Portugal deu igualmente muito jeito ao orçamento da organização. Bissau apreciou ainda bastante o «agrement» finalmente dado ao embaixador designado para a embaixada guineense em Lisboa, cujo titular não é um diplomata particularmente credenciado, mas é um homem de confiança do Presidente Nino Vieira.

Mas os apoios não vieram só do espaço lusófono. Enquanto se aguarda um «gesto» do Senegal e da Guiné-Equatorial - ex-colónia espanhola e produtora de petróleo - cujo Presidente foi convidado como «observador» à cimeira de Bissau, a China já ofereceu 800 mil dólares. A Líbia fez chegar no sábado passado dez limusinas e respectivos motoristas para o transporte dos Presidentes. A vizinha Gambia, onde no início de Julho se realizou a cimeira da União Africana, vai fornecer 40 viaturas, que constituirão o grosso do parque automóvel da reunião.

Sem estas diversas contribuições, a Guiné-Bissau não teria dado conta de recado, como reconheceu Apolinário Mendes de Carvalho, o vice-presidente da comissão organizadora, que apelidou de «cimeira da solidariedade» à conferência da próxima segunda-feira.

«Partimos de um quadro difícil, mas conseguimos criar condições mínimas para realizar uma boa cimeira. Uma cimeira também de solidariedade, que serve de alento ao nosso país, numa altura em que se procura reencontrar a estabilidade perdida», declarou.

O responsável guineense realçou também o papel do investimento privado, que permitiu «aliviar» o Estado da onerosa recuperação da antiga sede do Parlamento, transformado num hotel de cinco estrelas, hoje inaugurado, e que vai acolher os trabalhos técnicos e a Cimeira da CPLP.