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Magalhães vão entrar na campanha eleitoral de Chávez

Negócios com Venezuela avançam aos bochechos. Hoje são assinados mais acordos, alguns já com dois anos. 500 mil Magalhães chegam mesmo a tempo das eleições parlamentares.

Filipe Santos Costa (www.expresso.pt)

Há uma sensação de dejá vu: muitos dos acordos que hoje são rubricados em Caracas, perante o olhar de José Sócrates e Hugo Chávez, referem-se aos mesmos negócios que já foram notícia há dois anos, na anterior visita do primeiro-ministro português à capital venezuelana.

A sua concretização prática tem-se revelado mais complicada do que a assinatura dos acordos de princípio - há garantias bancárias que demoram, há burocracias do lado venezuelano que parecem intransponíveis, pormenores técnicos que se arrastam por meses e anos...  Em boa medida a deslocação de Sócrates à Venezuela para este encontro com Chávez visava desbloquear o que não avançou desde 2008.

Assim será nalguns casos. A JP Sá Couto, que previa vender a Venezuela um milhão de computadores Magalhães, vai ficar-se por 870 mil - 350 mil já foram vendidos, os outros 520 mil, segundo o protocolo assinado hoje, deverão chegar à Venezuela até Setembro deste ano. Nessa altura há eleições parlamentares na Venezuela - como se vê, não é só em Portugal que a distribuição de Magalhães às criancinhas é um bom argumento eleitoral. O negócio vale 102 milhões de euros.

As casas pré-fabricadas do grupo Lena também deverão finalmente começar a desembarcar na Venezuela. O acordo assinado há 2 anos previa a venda de 50 mil destas habitações sociais, mas só agora há um primeiro contrato efectivo, referente a 12 500 casas (980 milhões de dólares).

Energia, um dos negócios mais apetecíveis 

O contrato de reformulação do porto de La Guaira, prometidos mas nunca concretizados, poderão agora avançar com um consórcio liderado pela Teixeira Duarte e Mota Engil. Outras negociações, que decorrem igualmente há dois anos, para a venda de medicamentos ou para o fornecimento de navios fabricados nos Estaleiros de Viana, estavam igualmente em cima da mesa, assim como diversos contratos para venda de produtos alimentares, estimados em 35 milhões de dólares.

Um dos negócios mais apetecíveis na Venezuela, a energia, também não ficou fora das negociações. Para já, a EDP está envolvida num estudo sobre energias renováveis sobre o potencial eólico da Venezuela (10 milhões de euros). Por seu lado, a EIP (Energias Industriais de Portugal)vai fechar um acordo para fornecimento de redes de alta tensão e contadores (32 milhões de dólares).

A Efacec tem dois grandes negócios em vista, que hoje recebem novo impulso com a bênção política de Chávez - um, de que se fala há algum tempo, para o fornecimento de transformadores (150 milhões de dólares); outro, para centrais de geração móvel (400 milhões de dólares).

Mais assinaturas que, segundo o Governo português, selam a relação privilegiada com a Venezuela - e, neste caso, entre o todo-poderoso Chávez e o seu "amigo José". As imagens da cerimónia, no Palácio Presidencial, estão garantidas. A concretização dos negócios logo se vê como avança...