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Louco, até prova em contrário

É uma comédia de sabor amargo. Em “Muito Bem, Obrigado”, o segundo filme de Emmanuelle Cuau, um homem decide ficar especado a olhar para uma operação policial, uma atitude que provoca uma catadupa de reacções fazendo toda a sua vida desmoronar.

Como numa fábula kafkiana, em “Muito Bem, Obrigado” um acontecimento inesperado vai colocar um individuo em choque com um sistema que se rege por uma lógica opressora e inquestionável. É o segundo filme da francesa Emmanuelle Cuau, treze anos depois de se ter estreado com “Circuit Carole”.

Alex (Gilbert Melki) e Béatrice (Sandrine Kiberlain) são um par sem grande história. Ele é contabilista, ela motorista de táxi. Uma noite Alex passa por uma operação policial de controle de identidades e, inexplicavelmente, fica especado a olhar. O seu comportamento enerva a policia, que o leva para a esquadra, e daí para um hospital psiquiátrico é um pequeno passo. O internamento vai colocar em causa toda a sua existência.

A realizadora diz que a ideia para o filme partiu do aumento da presença policial ocorrido em França em 2002. “A polícia multiplicou-se de forma flagrante, Eu vi cada vez mais: polícias em patins, em carros, de bicicleta, em carrinhas, a pé. Fiquei muito chocada com isso e com os controlos de identidade, totalmente arbitrários”.  O filme de Emnanuelle Cuau caminha entre essa presença opressora e a fragilidade da vida do protagonista deste filme. “Conheci uma pessoa que passou grande parte da sua vida em hospitais psiquiátricos. Ela dizia-me ‘Eu não sou louca, mas não estou integrada neste mundo’. Compreendia-a, nós é que estamos loucos quando nos ajustamos a este mundo”, conclui a Cuau.