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Louçã propõe reabilitação de casas

O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, concorda com o adiamento de grandes obras públicas, como o novo aeroporto e a terceira travessia do Tejo, mas em contrapartida propõe a reabilitação de 200 mil casas.

"O Bloco de Esquerda já tinha sugerido o adiamento, para 2017, da construção do novo aeroporto, dado que o da Portela" ficará "esgotado nessa altura, disse hoje à tarde em Coimbra Francisco Louçã.

No entanto, como "a economia portuguesa não tem nenhum grande investimento - e é isso que justifica o enorme desemprego" -, impõe-se "o esforço de um projeto de investimento na reabilitação de 200 mil casas degradadas".

Esse plano, já apresentado e no qual Louçã insiste, permitiria "criar emprego, estimularia a economia, desenvolveria as encomendas, permitiria reduzir o valor das rendas" e faria com que "os jovens pudessem voltar a viver nas cidades", sustenta.

Acordo internacional

Recordando que o projeto de alta velocidade depende de um acordo internacional, que "tem de ser cumprido", Louçã considera "espantoso que o CDS e o PSD tenham assinado cinco linhas de TGV e agora queiram que não se cumpra um contrato internacional".

Mas tem de se poupar, alerta, afirmando que foi por isso mesmo que o seu partido propôs que fossem "retirados os 250 milhões de euros que vão ser usados numa linha de mercadorias que vai durar cinco anos".

"Temos de usar o dinheiro com muito critério", adverte o líder do BE, defendendo a necessidade de investir no desenvolvimento da economia e na criação de emprego.

"Os mercados não têm tido razão", afirmou Louçã, que falava aos jornalistas, na Escola Superior Agrária de Coimbra, à margem de um debate sobre políticas para a agricultura biológica em Portugal, promovido pelo BE e com a participação de especialistas de todo o país.

Especulação contra Portugal

"Os mercados especulam contra Portugal e querem uma economia que corte tudo o que é possibilidade de desenvolvimento" do nosso país, acusa.

Portugal "tem um problema de défice, é verdade, mas a Espanha tem um défice maior"; a dívida portuguesa também é um problema, "mas a da França é maior", considera Louçã, frisando que "o que Portugal tem maior que todos é a estagnação" e a falta de emprego.

Para resolver a situação é necessário investir e como não há investimento privado tem de existir investimento público, defende.

Sobre a reunião de ex-titulares da pasta das finanças com o Presidente da República, Francisco Louçã diz que "há uma corte de ex-ministros que governaram a economia portuguesa e conduziram a este caos" que, "agora, vão recomendar que se aumente o desemprego".

"Os melhores economistas" e quem "olha com preocupação para os problemas das pessoas" estão em total desacordo, "não aceitam que o desemprego entre no descalabro", afirma o líder do BE.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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