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Linha do Tua encerrada

A circulação está proibida até ao Cachão e aplica-se também aos comboios de serviço, nomeadamente os que fazem a manutenção da via.

Mário de Carvalho

O Instituto de Mobilidade e Transportes Terrestres (IMTT) encerrou hoje a circulação da linha do Tua, confirmando a decisão tomada anteriormente pela da secretária de Estado, Ana Paula Vitorino. No entanto, o IMTT foi mais longe e impediu também a circulação dos veículos de manutenção, as chamadas Dresinas que agora só poderão  circular com autorização prévia.

O instituto emitiu por tempo indeterminado uma nova Instrução Complementar de Segurança (ICS), na sequência do acidente de 22 de Agosto, que fez uma vítima mortal.



Segundo a ICS nº 49/08, "a partir de 22 de Agosto fica interdita a circulação no troço da Linha do Tua entre a estação do Tua e a estação do Cachão, exclusive".



Na estação do Cachão continua a haver movimento, já que o metro de Mirandela é o concessionário deste percurso de 15 quilómetros (entre o Cachão e Mirandela) e prossegue com as viagens.



O IMTT é a entidade que supervisiona o sector dos transportes e que terá a última palavra sobre as condições de circulação da linha. Segundo a fonte, "o instituto está a acompanhar a situação", no âmbito das suas competências, mas "não integra qualquer comissão de investigação ao último acidente".



O instituto analisará os resultados das investigações da informação que solicitar aos responsáveis pela linha e determinará se existem ou não as condições para retomar a circulação. Para a linha reabrir terá de ser emitida uma nova ICS.

Esta é a segunda vez que o IMTT interdita a circulação na linha do Tua, depois de há poucos meses ameaçar mesmo encerrar a via. O instituto fez em Março um ultimato à REFER, CP E LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil), por estas entidades se atrasarem na entrega dos estudos exigidos.



O instituto concedeu uma licença provisória de circulação que permitiu que a linha reabrisse com condicionalismos em Janeiro, depois de quase um ano encerrada, desde o acidente de Fevereiro de 2007, em que morreram três pessoas.



As entidades envolvidas no processo não cumpriram o prazo que o IMTT exigia para a entrega dos estudos sobre as condições e intervenções necessárias. Depois de ameaçar interditar novamente a circulação, o IMTT prorrogou o prazo por mais um mês e a autorização de circulação manteve-se até ao acidente de 22 de Agosto.

A circulação está novamente proibida e só poderá ser retomada depois de analisados os resultados do inquérito, que deverão ser conhecidos até ao final de Setembro.



Em 120 anos, a única vítima mortal de que há registo na linha do Tua foi o seu fundador, Abílio Beça, que morreu trucidado por uma locomotiva a vapor, na estação de Salsas (Bragança), quando subia para o comboio em movimento.

A linha do Tua ligava Bragança à linha do Douro e foi desactivada na sua maior parte, entre Bragança e Mirandela, em 1992. Poucos anos depois, perante a ameaça do encerramento dos restantes 60 quilómetros, o Metropolitano Ligeiro de Superfície de Mirandela acorda com a CP disponibilizar carruagens para fazer o percurso até ao Tua.



Depois do último acidente, o presidente do Metro de Mirandela, José Silvano, questiona se estas carruagens serão as mais adequadas à linha centenária.

Durante quase uma década pouco se ouviu falar da linha, até ao acidente de 12 de Fevereiro de 2007, quando uma automotora foi empurrada para o rio Tua devido a um desabamento de pedras, causando a morte a três pessoas.

A via esteve encerrada durante quase um ano e desde que reabriu, no final de Janeiro, sucederam-se três acidentes. No mesmo período têm sido vários os que publicamente defendem a manutenção desta via estreita considerada das belas do mundo. Sobretudo desde que foi decidida a construção da barragem de Foz Tua, que vai submergir parte da linha, pelo menos os últimos 15 quilómetros e os mais atractivos turisticamente.