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Atualidade / Arquivo

Libertado membro do Baader-Meinhof

Durante a década de 70 e 80 aterrorizaram a antiga Alemanha Federal com raptos e assassinatos. Hoje, um dos poucos elementos do grupo ainda vivo é novamente uma mulher livre.

Brigitte Mohnhaupt de 57 anos foi hoje libertada da prisão de Aichach em Estugarda, depois de um tribunal alemão ter decidido que a antiga activista já não representava um perigo para a sociedade, e, após cumprir a proporção mínima da pena de cinco prisões perpétuas a que fora condenada há 24 anos.

A alemã detida quando tinha 33 anos foi condenada pelo seu envolvimento em nove assassinatos, raptos e roubo de carros. Entre as mortes contam-se um juiz, um banqueiro e um líder sindical.

O grupo baptizado de Baader-Meinhoff, ganhou este nome após a fuga da prisão de Andreas Baader, auxiliado pela então jornalista, Ulrike Meinhoff. A partir dai as autoridades passaram-se a referir a esta auto-denominada “Fracção do Exército Vermelho”, pelo nome dos seus dois membros mais carismáticos.

Contudo, havia mais, muitos mais. Tantos que foram divididos em três gerações. Brigitte pertencia à segunda e a sua importância no grupo era inquestionável, aliás como a sua crueldade. Um correspondente da BBC em Berlim recorda que “esta pessoa já foi descrita como uma das mulheres mais perigosas da Alemanha Ocidental”.

A opinião pública alemã está alarmada e a eminente libertação de Christian Klar, outro terrorista condenado da segunda geração do Baader-Meinhof, está a gerar um aceso debate no país, obrigando a Alemanha a reviver um dos seus momentos mais sangrentos do pós Segunda Grande Guerra.

Os anos de chumbo

A “Fracção do Exército Vermelho” (Rote Armee Fraktion ou RAF), nasceu no início dos anos 70, alimentando-se dos protestos contra a guerra no Vietname e esteve no activo perto de vinte anos, atravessando três gerações de activistas. Os seus grandes objectivos eram o combate ao capitalismo opressivo e ao imperialismo norte-americano.

A busca desses objectivos esbarrou obviamente na lei alemã e a resposta foram anos de violência extrema de ambos aos lados. Esses anos, e em especial a década de 1970, ficariam conhecidos como “os anos de chumbo”.

Um dos alvos mais famosos do grupo foi Hans Martin Schlever, um proeminente industrial alemão – raptado em 1977 e abatido seis semanas depois.

O seu filho, Joerg Schlever, não escondeu a amargura por ver de regresso à liberdade pessoas que nunca reconheceram o mal que fizeram, nem demonstraram qualquer remorso em relação às mortes em que estiveram envolvidas.

“Não compreendo porquê que os vamos soltar, quando depois de 30 anos nunca disseram nada como ‘OK lamentamos ter morto o teu pai, desculpem por isso, ou nós matámos o polícia, desculpem por isso’. Nada absolutamente nada”, lamentou Schevler, ainda antes de saber a decisão do tribunal que resultaria na libertação de Brigitte Mohnhaupt.