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Kinshasa recupera a calma

Kabila e Bemba colocaram um ponto final nos combates que durante três dias puseram Kinshasa a ferro e fogo. Estarão criadas as condições para que a segunda volta decorra dentro da normalidade?

A calma voltou quarta-feira a Kinshasa depois de três dias de intensos tiroteios graças ao cessar-fogo assinado entre o presidente Joseph Kabila e o vice-presidente Jean-Pierre Bemba.

As Nações Unidas estimularam o diálogo entre Kabila e Bemba para acabar com os combates entre os oficiais da guarda presidencial e membros da segurança do líder da oposição na República Democrática do Congo (RDC).

Os cidadãos voltaram ao trabalho, o comércio abriu as portas e o trânsito voltou ao normal no centro de Kinshasa, cenário de um tiroteio que eclodiu no último domingo entre simpatizantes dos dois adversários políticos e causou, pelo menos, cinco mortos.

Terça-feira, a ONU pediu aos dois líderes que ordenassem a retirada das suas tropas e anunciassem um cessar-fogo imediato para acalmar a tensão na capital. O compromisso foi assinado pelas duas partes.

Por enquanto, a luta acabou e o cessar-fogo está sendo respeitado, segundo fontes militares ao serviço da União Europeia e da ONU.

O fogo cruzado de morteiros, metralhadoras e lança-foguetes ressoou em Kinshasa desde domingo, pouco antes do anúncio dos resultados finais das históricas eleições de 30 de Julho, que conduziram a uma segunda volta entre Kabila e Bemba, proposto para 29 de Outubro.

Os confrontos subiram de tom na segunda-feira,  na residência do vice-presidente e candidato, Jean-Pierre Bemba, enquanto este se reunia com o enviado especial da ONU, William Lacy Swing, e vários diplomatas europeus.

Em resposta, as forças europeias enviaram um contingente de 130 soldados para uma intervenção rápida, e ajudaram a Missão da ONU na RDC (Monuc). Temendo um aumento da violência, a União Europeia transferiu terça-feira parte do contingente de 1.200 soldados que mantém no Gabão para a RDC.

Os grupos acusaram-se mutuamente pela responsabilidade no episódio sangrento.

Os simpatizantes de Bemba afirmaram que a guarda de Kabila tinha a intenção de matar o vice-presidente, enquanto os partidários do presidente culparam os soldados de Bemba de terem capturado dois homens da guarda presidencial.

Tecnicamente, os dois grupos que se enfrentaram em Kinshasa fazem parte do mesmo Exército, formado por várias milícias da guerra civil da RDC (1998-2002), que causou mais de três milhões de mortos.

As eleições do mês passado foram as primeiras a contar com a participação de vários partidos políticos, em mais de 40 anos, e o pleito com maior complexidade logística que a ONU já organizou.

Resultados finais provisórios divulgados pela Comissão Eleitoral atribuíram a Kabila 44,8% dos votos e a Bemba 20,03%.