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José Sócrates nega tudo

José Sócrates acha que não pode o Parlamento afirmar que o Governo interveio no negócio, nem, muito menos, provar que o primeiro-ministro mentiu ao Parlamento

Francisco Seco/AP

Primeiro-ministro respondeu às 74 perguntas dos deputados da comissão de inquérito, sublinhando que não conhecia nem interferiu no negócio de compra da TVI pela PT.

Rosa Pedroso Lima (www.expresso.pt)

São 30 as páginas com as respostas do primeiro-ministro à comissão parlamentar de inquérito ao negócio PT/TVI que acabaram de ser distribuídas aos deputados. José Sócrates reafirma tudo o que disse anteriormente, isto é, que não conhecia o negócio e que o Governo não teve qualquer interferência na tentativa de compra da TVI por parte da PT.

Optando por fazer uma "declaração inicial", o primeiro-ministro volta à tese - já defendida por si próprio, pelo ministro da Presidência e pelos deputados socialistas da comissão - de que o inquérito "não recolheu um único testemunho, um único documento ou qualquer outro elemento de prova" capaz de desmentir o Governo.

 A montagem de uma campanha de ataque pessoal e de um "inédito combate político parlamentar" são, para José Sócrates os objectivos desta comissão que, na opinião do primeiro-ministro, "está, finalmente, em condições de, com brevidade, apresentar conclusões claras". José Sócrates, leia-se, acha que não pode o Parlamento afirmar que o Governo interveio no negócio, nem, muito menos, provar que o primeiro-ministro mentiu ao Parlamento.

Afirmações replicadas e algumas respostas lacónicas

A estratégia de resposta de José Sócrates vai no sentido de replicar tudo aquilo que o primeiro-ministro já tinha afirmado e que se cola com os depoimentos prestados pelos responsáveis da PT. Isto é: o Governo e o próprio primeiro-ministro só foram informados do negócio pelo presidente da empresa de telecomunicações, Henrique Granadeiro, "no dia 25 de Junho à noite". Até lá, "nunca me foi prestada qualquer informação sobre a compra pela PT de uma participação social minoritária na Media Capital".

Até essa data, relata o primeiro-ministro, "apenas li referências ao assunto em  notícias da comunicação social, cujo fundamento desconhecia", afirma José Sócrates que, ao longo das 74 questões dos deputados remete, diversas vezes, para respostas anteriores, quando as perguntas surgem como redundantes.

Mais lacónicas são as respostas a questões que envolvem Armando Vara e Rui Pedro Soares. Confessando-se "amigo do dr Rui Pedro Soares e conheço-o há, sensivelmente, meia dúzia de anos", o primeiro-ministro admite ter jantado com o ex-administrador da PT em Junho e até não afasta a hipótese de com ele ter estado na sede do PS no dia 25 de Junho. No entanto, "nunca discuti ou abordei com o dr Rui Pedro Soares a possível aquisição de uma participação no capital social da Media Capital".

O mesmo se repete com Armando Vara com quem, diz o primeiro-ministro, "nunca discuti matérias" relativas à TVI. A possibilidade de entrada da TagusPark na TVI também recebe uma resposta peremptória: "Nunca fui informado, formal ou informalmente", diz José Sócrates.