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Joe Lovano: "Não há notas erradas no jazz" (vídeo)

Um dos saxofonistas mais influentes da actualidade, no jazz internacional, está hoje em Portugal para um concerto. O vencedor do Triple Crown, da destacada revista Downbeat, toca com McCoy Tiner e esteve à conversa com o Expresso.

Mário Lino, correspondente no Algarve (www.expresso.pt)

"É muito importante estudarmos a época dos músicos, com quem eles tocavam, quem lhes servia de inspiração", ensina Joe Lovano, de 57 anos.

O músico, de Nova Iorque, é actualmente um dos mais influentes saxofonistas na cena do jazz internacional e deu uma masterclass para músicos e amadores esta manhã, a convite do Centro de Investigação de Artes e Comunicação da Universidade do Algarve, em Faro.

A música é algo que lhe corre no sangue e que já vem de família. A mãe era melómana e tanto gostava de música que casou com um saxofonista, Tony "Big T" Lovano. A casa era pequena para tantas notas. "Ia dando com a minha mãe em maluca. Eu tocava numa cave e aplicava-me a fundo a estudar não só as músicas, mas cada nota, no volume, na respiração. Às vezes ela abria a porta e perguntava: 'Está tudo bem contigo, aí em baixo?'", recorda.

Para Lovano, que toca hoje no Algarve, o truque para se tornar um bom músico de jazz passa por saber ouvir, claro, mas também por saber o que os outros ouvem e onde nasceram: "Saber de onde as pessoas eram ensinou-me imenso sobre o jazz e a forma sobre como obter inspiração", diz, ele que nasceu em Cleveland em 1952.

No processo de crescimento, apanhou os loucos anos 60, e a explosão do rock, que aproveitou. Ao mesmo tempo que estudava a música de Charlie Parker e de Sonny Rollins, crescia a ouvir Beatles e Rolling Stones.

"Muita da música mais comercial trata-se apenas da repetição de padrões. Mas é preciso ir mais fundo, à dinâmica e à melodia. Por isso, quando eu tinha os meus 16, 17 anos, às vezes havia sítios em que punham música da Motown e eu começava a improvisar por cima, fazia solos que podiam durar 20 minutos, com uma linguagem que eu estava a começar a dominar. E as pessoas ouviam-me, ficavam espantadas e diziam: Uau, o que é isso?. O meu telefone começou a tocar e eu comecei a dar concertos muito cedo", recorda o saxofonista.

Vencedor da Triple Crown pela revista Downbeat

Este ano, o americano ganhou o Triple Crown, distinção atribuída pela famosa revista de jazz "Downbeat", arrecadando o prémio de músico do ano, melhor tenor sax e de melhor banda, com a sua banda "Us Five" (pode saber mais em www.joelovano.com).

Lovano já tocou, entre outros, com o guitarrista John Scofield, o saxofonista Ornette Coleman e o pianista Hank Jones.

Hoje, é o convidado especial num concerto que se espera também ele único, com o 'dinossauro' do pianista de jazz McCoy Tiner, previsto para as 22h00, no Largo Duarte Pacheco, em Loulé, no âmbito do programa Allgarve.

Nervoso? "Não". "E se falhar alguma nota?" - perguntamos. "Não há notas erradas no jazz!", ri-se, plagiando intencionalmente "O Monge do Jazz", o pianista Thelonious Monk.