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Jean-Pierre Bemba anuncia regresso a Kinshasa

Refugiado em Portugal desde Abril, o líder da oposição na República Democrática do Congo deu a sua primeira entrevista e exigiu segurança das autoridades de Kinshasa para regressar ao país.

Jean-Pierre Bemba, o ex-vice-Presidente da República Democrática do Congo (RDC) refugiado em Portugal desde 11 de Abril, quebrou o silêncio e, na terça-feira, anunciou o seu regresso ao país natal. No início da sessão parlamentar, “que é a 15 de Setembro, espero estar de volta, para cumprir as minhas obrigações profissionais”, afirmou em entrevista à Lusa, a partir dos jardins da sua luxuosa casa, na Quinta do Lago, Algarve. “Espero que o Governo da RDC, ao ouvir esta mensagem, a compreenda e não me proíba de regressar”.

Em declarações ao Expresso, Mawise Musangana, assessor do político africano, esclarece: “Ele está pronto para entrar em Kinshasa mas, de momento, isso não é possível porque não há condições mínimas de segurança”.

À meia-noite de terça-feira expirou a autorização concedida pelo Senado da RCD a Bemba para se ausentar do país. Para Musangana, tal não constitui um entrave ao processo: “Trata-se de um problema político pelo que, apesar da autorização ter caducado, deverá prosseguir o seu curso normal”.

Comissário europeu para o Desenvolvimento visita Bemba

Apesar de se ter comprometido com as autoridades portuguesas a não fazer declarações políticas durante a estadia no Algarve, Bemba não se conteve e garantiu ter sido alvo de três tentativas de assassínio ordenadas pelo Presidente Joseph Kabila quando ainda vivia na RDC. “Eu tive 41% nas últimas eleições (presidenciais) e o meu partido (Movimento de Libertação do Congo) é o primeiro partido da oposição a nível da Assembleia, e a nível do Senado”, justifica. “Hoje, a questão que temos que colocar é: será que é uma democracia que Kabila quer ver instalada?”.

Bemba afirma ainda que o problema da RDC prende-se com a incapacidade do Estado em controlar o país. “Creio que até agora as autoridades não deram provas de que detêm efectivamente o controlo do poder no conjunto do território. Há regiões que escapam completamente ao controlo governamental”.

Durante o seu ‘exílio’ algarvio, Bemba não deixou de desenvolver contactos políticos. A única visita oficial conhecida aconteceu a 13 de Julho quando recebeu na sua casa o comissário europeu para o Desenvolvimento, Louis Michel, apurou o Expresso. Para Musangana, é um sinal evidente de como a União Europeia concorda com o regresso de Bemba: “É assim que entendo a visita de Louis Michel. Acho que ele não fez essa diligência por iniciativa própria. Há um problema e a União Europeia quer vê-lo resolvido”.