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Atualidade / Arquivo

Irmãos podem apanhar 25 anos de cadeia

Os dois franceses acusados de matar um compatriota ao largo do Algarve começaram hoje a ser julgados no Tribunal de Lagos, contudo houve alguns contratempos.

O julgamento dos dois franceses acusados de matar um navegador ao largo do Algarve em 2006 começou hoje com cerca de uma hora e meia de atraso, às 15:30, devido à ausência de tradutor.

A juíza que preside ao colectivo, Alda Casimiro, explicou aos jornalistas que foi necessário encontrar outro intérprete.

Os dois arguidos, Corinne Gaspar e o seu meio-irmão Thierry Beille, entraram na sala de audiências às 15:20, tendo Thierry permanecido no carro celular nas traseiras do Tribunal de Lagos mais de uma hora, enquanto Corinne entrou logo às 14:00 para o tribunal.

A única sala de audiências do Tribunal de Lagos revelou-se exígua para receber as dezenas de jornalistas portugueses e franceses que estão a acompanhar o caso "baptizado" de "Intermezzo".

Um quarto de século atrás das grades

Até ao momento foram ouvidas três testemunhas, todas elas inspectores da Polícia Judiciária que investigaram o caso.

Os arguidos Thierry e a Corinne escusaram-se a prestar declarações no início da audiência, mas Thierry já manifestou a intenção de falar, alegando que o seu advogado não fez as questões que ele gostaria que fossem feitas.

Os meio-irmãos franceses Corinne Gaspar e Thierry Beille, acusados de matar em 2006 ao largo do Algarve o navegador francês André Le Floch no veleiro "Intermezzo", arriscam uma pena de prisão que poderá ir até aos 25 anos.

O Ministério Público, a nove de Julho deste ano, acusou Corinne e Thierry de roubo, homicídio qualificado, profanação e ocultação de cadáver, sendo referido no despacho de acusação que o fizeram com "perversidade".

A "tese" do Ministério Público

O corpo de André Le Foch, proprietário do veleiro "Intermezzo", foi recuperado de um dos cascos do trimarã e estava atado e com um cinto de chumbos à cintura.

Thierry e Corinne, quando foram detidos, após o naufrágio da embarcação "Intermezzo" ao largo da costa oeste do Algarve e posterior salvamento por um helicóptero da Força Aérea, admitiram ter atado o tripulante, depois de André Le Floch ter supostamente tentado violar Corine Gaspar, de 48 anos.

Os dois franceses estão detidos preventivamente nas prisões de Odemira (feminina) e de Faro. O advogado de defesa, António Vilar, disse à Lusa que a acusação do Ministério Público é "incipiente e frágil", sublinhando que "não passa de uma tese".

"Pensava que estava ali uma obra-prima, forte e impossível de desmontar, mas, afinal, a acusação é incipiente e frágil", considerou o advogado, referindo, todavia, que não será fácil desmontar a acusação, devido ao facto de a defesa não ter tido acesso ao processo na fase de instrução.

- 17 de Agosto de 2006 - As primeiras notícias dão conta do desaparecimento de um cidadão francês ao largo do Cabo de São Vicente, no Algarve, depois de o barco em que seguia se ter virado, sem que dele saíssem quaisquer sinais de vida.

- Poucas horas depois, a Marinha Portuguesa resgata dois náufragos de nacionalidade francesa, Thierry Beille e Corine Caspar, à deriva numa jangada ao largo do Cabo de São Vicente. São transportados para um hospital lisboeta a bordo de um helicóptero.

-18 de Agosto - As autoridades não conseguem chegar ao cadáver do tripulante francês que está no interior do trimarã "Intermezzo", André Le Floch, e anunciam para daí a dois dias uma operação de resgate.

- Os dois meio-irmãos são considerados suspeitos da morte de Le Floch e, depois de serem constituídos arguidos, abandonam o Tribunal de Lagos a gritar pedidos de ajuda e jurando inocência. O seu advogado oficioso é Francisco Pagarete.

- 22 de Agosto - Os resultados da autópsia ao proprietário do veleiro "Intermezzo" apontam para homicídio, mas vão ser realizados testes complementares para apurar se o homem foi sedado e qual a identidade dos alegados agressores, segundo fonte médica.

- 23 de Agosto - É revelado que os franceses suspeitos do homicídio do proprietário do veleiro "Intermezzo" foram transportados à embarcação dois dias antes do naufrágio, ao largo do Algarve, num barco-táxi que saiu do cais comercial de Olhão.

- Os dois suspeitos da morte do proprietário do veleiro "Intermezzo" planearam a sua actuação e sabiam o que "iam lá fazer", revela fonte ligada ao processo.

- 04 de Setembro - O veículo utilizado pelos suspeitos da morte do proprietário do veleiro "Intermezzo" foi encontrado próximo da estação de Vila Real de Santo António, onde casal apanhou comboio para Olhão.

- 25 de Janeiro de 2007 - A cidadã francesa detida em Odemira por suspeita de envolvimento na morte do proprietário do veleiro Intermezzo recebe a visita do advogado António Vilar, que tem uma proposta para assumir a sua defesa.

- 03 de Julho - O advogado António Vilar revelou que assumirá também a defesa de Thierry Beille. O ex-advogado oficioso do cidadão francês, Joaquim Pagarete, pedira renúncia do caso.

- 09 de Julho - O Ministério Público acusa os dois franceses, suspeitos de matarem o navegador solitário, de homicídio qualificado, profanação e ocultação de cadáver e roubo, disse à Lusa fonte ligada ao processo.

- 03 de Agosto - O advogado dos dois franceses acusados de matarem o navegador solitário ao largo do Algarve, António Vilar, classificou a acusação do Ministério Público de "incipiente e frágil" e disse que "não passa de uma tese".

- 13 de Agosto - O advogado de Corinne Gaspar assume em definitivo a defesa do seu meio-irmão Thierry Beille, igualmente suspeito no homicídio do navegador francês André Le Foch.

-23 de Outubro - O advogado dos dois arguidos franceses Corinne e Thierry reitera que a acusação do Ministério Público é frágil e que há outra versão da história que vai ser contada em julgamento pelos dois meio-irmãos.

- O advogado António Vilar, que defende Corine Gaspar e Thierry Beille da acusação de matarem o navegador solitário ao largo do Algarve, conta que há 18 testemunhas, 14 comuns entre acusação e defesa e quatro apenas da defesa.