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iPhone poderá baixar de preço antes de chegar às lojas

A Apple tem margem de manobra para baixar os preços do iPhone antes mesmo deste chegar ao mercado americano, o país onde se vai estrear o aparelho multimédia mais esperado do ano.

O preço anunciado de 499 dólares (385 euros) para o iPhone, corresponde a uma margem de lucro de 50 por cento. A conclusão é da empresa de análise de mercado iSuppli, que prevê uma rápida baixa do preço, já que a Apple "enfrenta intensa competição" no mercado, explica o director, Jagdish Rebello.

As margens tão altas de lucro no aparelho multimédia mais esperado do ano significam uma preparação para o declínio de preços, que ocorrerá quando entrarem em cena os aparelhos rivais na área dos music-phones: É que estimam-se em 835 o número de modelos a lançar ao longo de 2007.

Mas o preço do aparelho será assim tão elevado como tem sido dito desde a sua apresentação pelo 'Chief Executive Officer' (administrador) da Apple?

O Expresso fez um pequeno estudo comparativo com alguns dos actuais 'smartphones' – os únicos que hoje possuem a maioria das características anunciadas no iPhone – e os resultados indicam que não. Contrariando, aliás, a ideia que se generalizou nos dias seguintes à apresentação de Steve Jobs. Uma ideia que por sua vez decorre da tradição da Apple em manter um catálogo com preços de luxo. A verdade dos números é esta: se fizermos a conversão directa do dólar para a moeda europeia, o iPhone entra no mercado português pelo último lugar. O mais baixo dos preços para o mais humilde dos telemóveis.

Mesmo que, como é frequente, a entrada no espaço europeu se faça pela via da paridade dólar-euro, o iPhone entraria hoje para o meio da tabela de preços. Dada a sua inferioridade enquanto telefone, é pouco provável que o preço constitua uma ameaça aos aparelhos que dominam este nicho ainda e sempre em crescimento.

O futuro do controverso aparelho, que pode vir a ter de mudar de designação se a Cisco vencer uma batalha legal não menos controversa, parece estar mais ligado ao seu passado recente: é uma evolução do iPod, o leitor de mp3 com que a Apple Inc. revolucionou a indústria da música. Com os iPods a baixarem de preço ou de características, o iPhone aparenta menos vocação de telefone e apresenta-se como mais um 'gagdget' destinado a revitalizar o "tecido orgânico" da empresa, cuja estratégia comercial sempre assentou numa clientela fiel à marca.

* Clique no link no final do texto para ver o ficheiro PDF da tabela comparativa de preços. 

TRÊS ANALISTAS RESPONDEM A TRÊS PERGUNTAS SOBRE O IPHONE

1. O Iphone traz alguma novidade?

2. O mercado receberá este tipo de equipamento de forma entusiástica?

3. O Iphone conseguirá roubar quota de mercado aos computadores de bolso que já apresentam capacidades semelhantes?

Tiago Gaspar, Gadgetizer

1. Sim, traz: Não tem o teclado convencional e não faz uso das "canetas" que normalmente equipam os PDAs. A nova interface pode considerada uma das maiores novidade nos telemóveis e com certeza que outras empresas vão começar a "copiar". A combinação iPod + telemóvel com o sistema operativo OS X e o browser Safari a acompanhar, isto sem contar com o algumas das boas aplicações que também estão incluídas como o iTunes e Google Maps. Os sensores que detectam o uso que queremos dar ao telemóvel – por exemplo, se estamos a navegar na Internet e pomos o telemóvel na horizontal, o conteúdo apresentado no ecrã também muda de forma a poder facilitar a leitura de um site ou do email. Por último, traz cerca de 200 patentes novas.

2. Já se fala do iPhone há pelo menos cinco anos e tendo em conta que o produto é inovador irá certamente ser recebido com entusiasmo. A Apple só lança produtos que têm sucesso garantido e este não é uma excepção.

3. Considero que o culto iPod pode chegar também ao iPhone e desta forma de certeza que vai roubar alguma cota de mercado aos produtos semelhantes, o facto da Apple ser líder mundial de mercado ao nível de MP3 players também ajuda.

Tiago Devezas, Teknologico

1. Pode dizer-se que a partir do momento em que Steve Jobs apresentou o iPhone, todos os outros 'smartphones' ficaram obsoletos. Isto porque a Apple voltou a fazer o que sabe melhor: detectou as falhas dos outros produtos, corrigiu-as até à perfeição e integrou-as num objecto de design único que, além de visualmente apelativo, proporciona a melhor experiência possível ao utilizador. Por isso a grande novidade do iPhone é fazer o que os outros fazem mas melhor e mais bonito.

2. Sem dúvida. Os anos de rumores, boatos e montagens fotográficas demonstram que estamos perante o produto, atrevo-me a dizer, que mais expectativa gerou nos últimos anos. Para além disso, e como Steve Jobs fez questão de frisar, o iPhone é também um novo iPod, e basta esse nome para ser um sucesso garantido.

3. Já começou. Mal foi anunciado o iPhone as acções da Apple dispararam (fecharam com uma subida de 8.3%, a maior nos últimos seis meses) enquanto que as de dois dos seus principais concorrentes, a Palm Inc. e a Research In Motion Ltd (a empresa que fabrica o BlackBerry) iam caindo. Se, juntamente com os outros, tomarmos isto como um indicador, a Apple vai voltar a fazer o que fez com o mercado dos leitores mp3, ou seja, esmagar a concorrência.

Miguel Vitorino, Impressões digitais

1. Além de algumas características técnicas inovadoras mas que valem sobretudo pelo factor novidade, o iPhone demarca-se da concorrência pelo aspecto. Fora isso, é de realçar o nome do fabricante que só por si tem uma legião pouco numerosa mas ferrenha de adeptos da Apple, que  não vão descansar enquanto não o adquirirem.

2. Quem tem disponibilidade financeira e gosta de novas tecnologias nem vai pensar duas vezes antes de largar o número de cartão de crédito. O telemóvel cheira a tecnologia por todos os lados e foi feito a pensar neles. Quanto ao comum dos mortais, o panorama é diferente. Por exemplo, o facto de não possuir um teclado, além de ser fora do comum, pode ser um grande inconveniente quando se têm as mãos sujas ou se está no meio da rua apenas com uma mão livre. O facto de possuir características multimédia sofisticadas pouco dirá à maioria do compradores que encontra as mesmas características – boas ou más – em telemóveis de baixo preço. A longo prazo o sucesso do iPhone está nas mãos dos operadores que vão ter que o subsidiar de forma generosa para este entrar no mercado a preços concorrenciais – o que não é garantido pelo menos aqui na Europa se o iPhone for lançado sem funcionalidades 3G.

3. Sim, à partida os principais concorrentes do iPhone são os equipados com o sistema operativo Windows Mobile e Symbian. No entanto, na maior parte dos casos os compradores desses equipamentos são empresas – área onde a Apple tem tido dificuldade em entrar.