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Inquérito às empresas

O EXPRESSO contactou algumas empresas portuguesas com o objectivo de avaliar o seu eventual interesse em dispersar capital na Bolsa.

1- Alguma vez estudaram a entrada em Bolsa?
2- Estão a analisar neste momento essa possibilidade? Se sim, em que momento e em que condições? Se não, quais os motivos?
3-     Consideram que as actuais regras existentes no mercado de capitais são excessivas?
      4-     Como têm financiado a actividade da vossa empresa? Através de fundos próprios? Ou do recurso a crédito?

Grupo Esphera Capital (Ensul)
1 e 2- Estamos atentos e a ponderar uma eventual entrada em Bolsa. É um projecto da empresa a médio prazo. Apesar de estarmos a analisar este assunto, não podemos dizer que será um espaço expectável no imediato. Sabemos no entanto tratar-se de uma alternativa viável.
      A entrada em bolsa permite o acesso a uma exposição mais alargada ao mercado e mesmo a capitais e parcerias complementares. O grupo Esphera prevê um crescimento nos mercados externos e em áreas adjacentes às nossas actividades. O financiamento desse crescimento pode encontrar um suporte válido na entrada em bolsa apoiando assim a diversificação. Outra razão que pode ser determinante para esse passo é o facto de estarmos cada vez mais no papel de investidores o que nos permite ainda mais uma maior capacidade de análise.
3- Não as consideramos mais excessivas que as outras e em outros mercados.
4- Através dos dois mecanismos. A actividade tem-se financiado sobretudo através de capitais próprios pela incorporação dos resultados em reservas. Continuamos a alimentar a cultura de investir os ganhos. Raras são as alturas em que são distribuídos dividendos.
      O recurso a crédito tem também sido necessário uma vez que o crescimento tem sido grande e temos tido por parte das instituições financeiras grande apoio e confiança.

Grupo Visabeira
1- Sim, foi realizado um estudo preliminar
2- Neste momento estamos a analisar um possível IPO, sendo ainda prematuro avançar com datas.
3- O recente projecto de um Decreto Lei que será a transposição da Directiva da Transparência, permitirá uma melhor flexibilização e menor exigência nalgumas comunicações obrigatórias de informação por parte das entidades cotadas. O que deve ser agilizado será a informação e publicidade das vantagens de acesso ao mercado bolsista pelas pequenas e médias empresas.
4- Podemos dizer que por ambos. A cada projecto corresponde em média a uma alavancagem de 70% com uma componente de capitais próprios de 30%.

Grupo Riopele
1- Não.
2- Não sentimos necessidade de o fazer.
3- Não.
4- Recurso ao crédito e auto-financiamento.

Banco BIG
1- A entrada em Bolsa é algo que sempre tem estado no horizonte do Banco BIG. No entanto as principais vantagens da  cotação em Bolsa, isto é, um acesso mais alargado a capital por um lado, e o aumento de liquidez proporcionada aos accionistas actuais do BIG por outro, não fizeram ainda com que esta decisão fosse tomada, porque o Banco BIG  tem níveis de capitais muito confortáveis e tem  tido sempre acesso a  capital apesar de não estar cotado. Contudo, é muito importante que as vantagens para estar cotado superem sempre os custos implícitos. E é com preocupação que assistimos a uma tendência de incremento dos custos indirectos (embora seja de louvar o esforço que a CMVM tem vindo a fazer no sentido da redução de determinados custos directos e da simplificação de regras para empresas cotadas e/ou a cotar), nomeadamente aqueles que podem acabar por não beneficiar efectivamente os investidores em geral. Efectivamente, a  lista e custo de alguns requisitos para  ser estar cotado tem vindo a afastar-se cada vez mais da lógica empresarial, e têm passado a constituir um peso financeiro  e operacional para as empresas  claramente exagerado. A publicação de relatórios e contas trimestrais, (contas anuais com relatórios de situação semestral, são claramente suficientes) por exemplo, ou a  burocracia, o tempo envolvido, e a complicada estrutura de decisão para uma simples venda/compra de empresa são só alguns exemplos  desta situação.
2- Está sempre em cima da mesa a possibilidade de iniciar o processo de cotar em Bolsa. Porque nós no Banco BIG pensamos que com o enquadramento apropriado, a melhor forma de dar liquidez ao capital de uma empresa e ter acesso a um número alargado de investidores, contínua a ser estar cotado em Bolsa.
3- Não são excessivas, precisam é de reforma profunda. Não são só as empresas que devem evoluir e adaptar-se. O mesmo se deve passar com as próprias Bolsas e com  o enquadramento que regula a cotação em Bolsa. A verdade é que hoje,  através do crescimento de outras alternativas,  i.e. venture capital, hedge funds etc. o acesso a grandes montantes de capitais já  não passa exclusivamente pelas Bolsas, o que faz inclusive que haja muitas empresas a considerarem sair de Bolsa,  por esse mundo fora. Há  muito  a  fazer neste campo para que a “cotação em Bolsa” seja algo de atractivo para os investidores e empresas e retirar as eventuais conotações com “burocracia,” “dispendioso”,  “complicado” ou  “político“ que em certa medida a condição de estar cotado, tem vindo  a apresentar, no passado.
Sumarizando: Quando a necessidade de recursos e incentivos fiscais e/ou outros equivalentes se tornam os factores mais importantes, mesmo que positivos, para se tornarem determinadas  decisões, como a de cotar ou não cotar acções em Bolsa, talvez o melhor seja rever o quadro  geral de funcionamento. E esta lógica não se aplica só à cotação em Bolsa. Por paralelo,  se tivermos um sistema fiscal atractivo no seu todo, pouca burocracia, regras claras e mão de obra qualificada, estamos certos que  não será preciso gastar  dinheiro a promover investimento, seja estrangeiro ou nacional, porque serão as condições de igualdade e competitividade os principais factores a atraírem os investidores, e não a publicidade ou os subsídios.
4- Fundamentalmente através de Fundos Próprios.
Respostas dadas por Carlos Rodrigues, presidente do Banco BIG

Grupo Edifer
1- Sim. A Edifer efectuou uma diligência de entrada em bolsa na segunda metade da década passada, mas interrompeu esse processo por ter considerado, face às condições de mercado da altura, que a entrada em bolsa não traria vantagens significativas para financiar o crescimento do grupo.
2- Essa é sempre uma hipótese em carteira, tanto mais que o Grupo Edifer delineou e apresentou aos seus accionistas uma estratégia de crescimento para os próximos anos. No entanto, a oportunidade da sua concretização deverá ser ditada num enquadramento e numa conjuntura de mercado mais favoráveis.
3- A Edifer partilha de uma exigência de rigor e transparência na condução dos negócios e na governance da empresa, pelo que as actuais regras nos parecem adequadas para um mercado como o português.
4- A Edifer recorre ao auto-financiamento e ao crédito em função das características dos investimentos.

Respostas dadas por Vera Pires Coelho, presidente da Edifer

MonteAdriano
1- A  Sociedade Empreitadas Adriano que, conjuntamente com a Monte & Monte originou a MonteAdriano, foi pioneira no processo de admissão ao segundo mercado da Bolsa de Valores, que ocorreu no ano de 1993. Foi a primeira empresa a ser admitida de raiz ao segundo  mercado, mas,  como todos sabemos, o sucesso deste mercado ficou aquém das expectativas então criadas pelas  PME´S.
2- Não. Pensamos que o crescimento sustentável das empresas do sector das obras públicas, e em particular da MonteAdriano, tem outras opções mais adequadas à cultura empresarial e à conjuntura socio-económica.
3- Poderá haver algumas regras excessivas. É sempre possível minimizar os custos de
contexto: tanto ao nível da informação como dos custos. No entanto, como o passado o prova, é a cultura empresarial que determina a opção pela via do mercado de capitais. O Estado pode ajudar mas o que é decisivo é  a atitude empresarial.
4- Através dum mix entre fundos próprios e capitais alheios, em que o endividamento bancário tem um peso significativo.

Respostas dadas por Luís Santo Amaro, presidente da MonteAdriano

Grupo RAR
1- Não.
2- Em primeiro lugar por não se ter colocado uma situação concreta que não fosse financiada por recursos alternativos (necessariamente mais baratos). Por outro lado, a sua falta de liquidez torna-o pouco atraente para empresas que não tenham uma dimensão bastante significativa.
3- Estarão adequadas mas não deixam de ter um custo significativo para quem optar por estar cotado.
4- Pelos meios libertos gerados e com recurso ao crédito.

Respostas dadas por Nuno Macedo Silva, presidente da RAR

Florêncio Augusto Chagas
1- Não
2- Não. Não temos neste momento necessidade de cotar a empresa na bolsa.
3- Não
4- Recurso ao crédito.

NUTRINVESTE
1- Sim, foi equacionada essa possibilidade.
2- neste momento específico não. Não está nas prioridades da empresa.
3- Não.
4- Através do recurso ao crédito, meios libertos e alguns desinvestimentos.

FERPINTA
1- Não.
2- Não. Pretendemos continuar a manter a empresa nas “mãos” da família.
3- Não.
4- Através de fundos próprios e recurso a créditos de instituições bancárias.

ALTITUDE SOFTWARE
1- A Altitude Software jé teve praticamente pronta a sua entrada em bolsa no ano 2000, na bolsa de Amesterdão.
Essa entrada não se concretizou, por o timing previsto ter coincidido com a queda generalizada que se verificou nas bolsas mundiais, nessa altura, e que afectou em particular as empresas cotadas do sector tecnológico.
2- Neste momento, não temos nenhum plano concreto para entrar em bolsa, até pelo facto de estarmos a apostar num crescimento orgânico da actividade, sustentado na actual capacidade de autofinanciamento da empresa.

A admissão à cotação é no entanto uma possibilidade que encaramos num horizonte a 3-5 anos, em função dos movimentos de consolidação que deverão ocorrer no sector, e das alternativas de financiamento que devemos ponderar para nos posicionarmos adequadamente nesse contexto.
No entanto, e dado o perfil internacional da nossa empresa – com mais de 80% das vendas nos mercados externos (95% se considerarmos só a componente de novas licenças de produto); 12 subsidiárias espalhadas pelo Mundo; e metade dos colaboradores no estrangeiro (de 20 nacionalidades diferentes) – bem como a forte especialização da nossa actividade (produto de software), teríamos provavelmente mais vantagens em nos cotarmos numa bolsa internacional mais vocacionada para este tipo de empresas.
3- As regras existentes podem provocar um custo administrativo com algum significado para empresas de menor dimensão. Mas o principal problema para uma empresa num sector de tecnologia de ponta, que tem de ser ágil e pensar a longo prazo, advém do escrutínio constante, e muitas vezes com uma óptica de curto prazo, que os diversos actores do mercado exercem sobre as empresas cotadas (de que a importância dada aos resultados trimestrais é um exemplo).
Isto pode provocar uma grande carga de comunicação constante com os mercados, que pode desviar a atenção da gestão face às operações, e mesmo condicionar a estratégia de negócios aos referidos resultados trimestrais.
4- Neste momento a empresa é auto financiada pelo “cash flow” gerado. Este “cash flow” é suficiente para o desenvolvimento dos nosso planos actuais. O recurso ao crédito tem importância reduzida.

CHIP7
1- A Chip7 já considerou essa possibilidade, embora não a tenha estudado a fundo.
2- Neste momento a Chip7 não está a analisar essa possibilidade. Tendo em conta a estratégia adoptada pela empresa, temos vindo a optar pelo financiamento bancário.
3- No que toca às actuais regras existentes no mercado de capitais consideramos que são excessivas para uma empresa da nossa dimensão, mas apropriadas ao mercado. No entanto, existe em alguns países, e de forma bem sucedida, como é o caso de França, um mercado de capitais vocacionado para empresas de menor dimensão onde estas regras são mais flexíveis.
4- A Chip7 financia a sua actividade através de ambas formas, isto é, com capitais próprios e através do recurso a crédito bancário.
Resposta dada por João Fradinho, director-geral da Chip7

RANGEL
1- Temos vindo a trabalhar com os nossos consultores PWC, no processo de reestruturação do grupo Rangel, e avaliação de todas as oportunidades de financiamento do grupo, tendo em vista, o possível crescimento por aquisições e investimentos por ‘’start up’’ na área internacional.
2- A nossa entrada no mercado de capitais, é uma das possibilidades entre outras que estão a ser analisadas. Não temos ainda nenhuma decisão tomada, e a decisão pode não passar imediatamente pela entrada no mercado, mas por outras soluções que de momento não podemos adiantar. O mercado de capitais, ainda não se mostra suficientemente atractivo, porém temos consciência que as actuais medidas do governo levarão a uma melhoria expectável.
3- Não consideramos que a entrada no mercado derive de regras demasiado excessivas, e reconhecemos que a Euronext está a realizar um trabalho, reconhecidamente dinâmico com o objectivo de levar ao mercado novas empresas.
4- Temos financiado o desenvolvimento do grupo Rangel, em grande parte com fundos próprios e recurso a algum crédito bancário.

Eduardo Rangel, presidente do grupo Rangel

LANIDOR
1- Não.
2- Neste momento, a Lanidor encontra-se a atravessar uma fase que se pode caracterizar de consolidação da estrutura organizacional e de negócio e, simultaneamente, de forte crescimento com rentabilidade nos mercados onde actua e este tem sido o principal focus de atenção.
Consideramos que a possibilidade de recorrer ao mercado de capitais para ajudar financiar o crescimento das empresas nacionais, tipicamente de pequena/média dimensão, de cariz marcadamente familiar e por vezes com dificuldade de acesso ao capital, mas que conseguiram alcançar importantes posições nos mercados onde estão presentes, é fundamental para fortalecer, em primeiro lugar, a sua posição competitiva no mercado e, em segundo lugar, uma posição competitiva mais global, a de Portugal.
Neste sentido, é uma possibilidade que podemos encarar e aprofundar mas que, até este momento nunca fizemos pelo facto de considerarmos que o grau de maturidade alcançada pela organização ainda não fosse o desejado.
3- Não conhecendo, por ainda não termos estudado em maior detalhe esta alternativa, as referidas regras, de uma forma geral pensamos que um projecto desta natureza, ou seja, a admissão de uma empresa à cotação em Bolsa de Valores, para além de poder vir a introduzir inquestionáveis benefícios na empresa (dependendo estes da ciclo de vida em que se encontra a mesma), também introduz procedimentos e custos adicionais de forma recorrente que, normalmente as empresas deste tipo não estão habituadas. Por outro lado, consideramos que a disciplina, a organização e a comunicação, as quais se traduzem em maior credibilidade e às quais fica vinculada a organização, pode em muito contribuir para um desenvolvimento sustentado dos negócios.
4- O financiamento do crescimento da actividade, no qual se inclui o capital investido em activos fixos e fundo de maneio, tem sido suportado com o cash flow gerado pelas operações, complementado com uma política de endividamento bancário em função das necessidades em cada momento.

Luís Simões
1 e 2- Actualmente, a entrada em Bolsa não faz parte dos nossos planos. Ir à bolsa para “jogar” não é o nosso objectivo. Se for uma fonte de financiamento e de crescimento para a Luís Simões, vamos fazê-lo e estamos já a preparar a empresa para, quando se justificar, avançarmos.
3- São necessárias regras, como aliás em tudo.
4- A política financeira da Luís Simões assenta no autofinanciamento de modo a assegurar a gestão do investimento e a manutenção de uma estrutura financeira equilibrada. Porém recorremos ao crédito, quando necessário.

Resposta dada por José Luís Simões, presidente executivo da Luís Simões

RENOVA

1- Temos estado atentos a uma eventual entrada na Bolsa. No passado já estudámos essa hipótese.
2- Neste momento não estamos a analisar essa hipótese.
3- Pensamos que não é por causa das regras que as empresas não vão para a Bolsa.
4- O nosso financiamento é feito por via do crédito e dos fundos próprios.