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Índia chora mortos e persegue pistas

190 mortos e mais de 700 feridos é o último balanço dos atentados na Índia. Terroristas islâmicos na mira das investigações.

24 HORAS depois dos atentados que abalaram Bombaim, a Índia começa a ter mais certezas quanto à dimensão da catástrofe humana, e persegue várias pistas na procura da identidade dos terroristas.

Os últimos números apontam para mais de 190 mortos e cerca de 700 feridos. Mas o que tem suscitado maior atenção por parte das autoridades indianas é o método utilizado: os oito engenhos explosivos deflagraram num curto período de dez minutos, em sete comboios diferentes, num raio de vários quilómetros de distância.

Grupos terroristas islâmicos na mira

Todas as pistas apontam agora para os extremistas islâmicos que contestam a administração indiana na região de Caxemira. Dois dos seus principais grupos – o Lashkar-e-Taiba e o Hezb-ul-Mujahedeen – já negaram o seu envolvimento, mas ambos têm uma longa tradição na organização de atentados terroristas na Índia. Outra pista aponta para o Movimento dos Estudantes Islâmicos da Índia, interdita em 2001.

Também a Al-Qaeda tem sido apontada como eventual envolvida. O governo indiano tem sublinhado o facto de nenhum dos seus cidadãos constar na lista dos prisioneiros da base norte-americana de Guantánamo e declara que a Al-Qaeda nunca conseguiu formar células no seu país. A Índia, com150 milhões de muçulmanos, é o país com a maior população islâmica do mundo.

Mas os atentados de ontem, bem como recentes rusgas policiais e relatórios das forças de segurança, apontam para um outro cenário: já não são só os extremistas islâmicos de Caxemira a instigar à violência sectária e a organizar atentados. Há sinais claros de que a rede terrorista tem conseguido expandir-se por todo o país, criando novas células operativas nas principais cidades, e de que escolas islâmicas têm sido utilizadas para o recrutamento de militantes indianos.

É o que o reputado jornalista Praveen Swami vem defender num texto de opinião publicado hoje no diário «The Hindu»: «Os ataques bombistas assassinos de terça-feira, são o culminar de uma tragédia previsível há muito tempo. Vêm provar que a Índia tem que se preparar para uma longa e violenta guerra no futuro».

Relações tensas com o Paquistão

Há muitos anos que a Índia reclama um estatuto de vítima do terrorismo internacional e reivindica mais apoio internacional. As condenações e mensagens de solidariedade emitidas ontem pelas principais capitais do mundo foram, portanto, recebidas com grande agrado em Nova Deli.

Em 2001, após um atentado ao seu parlamento, a Índia acusou o Paquistão de estar por detrás da acção e a tensão militar entre os dois vizinhos subiu para níveis inéditos, levando mesmo a que a comunidade internacional receasse um conflito nuclear.

Embora o Paquistão tenha sido ontem dos primeiros a condenar os atentados de Bombaim, a tensão entre os dois rivais nucleares poderá voltar a subir, embora tal não seja do interesse de Nova Deli, que quer garantir a estabilidade interna e o crescimento económico.

Entretanto, Bombaim voltou à normalidade. Depois do que a imprensa indiana chamou de «o nosso 11 de Setembro», a circulação ferroviária encontra-se restabelecida, embora nos principais aeroportos da Índia a segurança tenha sido reforçada. Na capital Nova Deli há vários postos de controlo rodoviários e reina o estado de alerta máximo.