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Incineradora em lume brando

A incineradora de resíduos hospitalares perigosos, em Lisboa, está parada, depois da explosão de 22 de Junho mas os residentes não sabem o que se passa.

À PORTA da única incineradora de resíduos hospitalares perigosos do país, em Lisboa, vêem-se os contentores de cor vermelha, do Grupo IV, para onde os hospitais despejam cadáveres de animais, fármacos rejeitados, produtos químicos, fetos, placentas e agulhas.

«Os contentores estão selados. E também vão para a 'fogueira' juntamente com o lixo», confidencia um funcionário. «Ou iam. Porque agora está tudo parado. Depois da explosão de 22 de Junho, passámos a exportá-los para a Bélgica. Não há mais incineradoras deste tipo em Portugal», acrescenta, apontando para outro conjunto de bidões azuis, mais arredondados, que serão transportados para o estrangeiro. Um prejuízo para o Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) entre 100 a 200 mil euros por mês - números não confirmados pelo seu gabinete de comunicação. «Só no ano passado, o SUCH queimou 800 toneladas de resíduos perigosos», adianta Isabel de Santiago, a porta-voz da instituição. «Deveria haver outra incineradora deste tipo em Portugal para não sermos obrigados a exportar o nosso lixo hospitalar quando esta pára», acrescenta.

De dez em dez minutos passa um avião a baixa altitude. O Aeroporto da Portela fica a menos de cinco minutos de carro. A Segunda Circular é ali mesmo ao lado, tal como os bairros residenciais da Avenida Brasil. Esta proximidade preocupa os responsáveis camarários, como o vereador do Ambiente, António Proa: «A explosão só veio acentuar os piores receios». No entanto, o Estudo de Impacte Ambiental sobre a incineradora, com parecer favorável em Março de 2006, considera os riscos para o ambiente e para a saúde pública muito baixos. «O SUCH deveria divulgar os resultados sobre emissões de gases à população com regularidade. A falta de informação é mais contraproducente do que producente», defende Luísa Lima, psicóloga social do ISCTE, que participou nesse estudo de impacte ambiental. «Principalmente quando há acidentes como este», acrescenta.

A tese da especialista é corroborada depois de conversa com os moradores. Nenhum deles sabia da existência da incineradora e muito menos ouvira falar da explosão no sistema de tratamento dos lixos hospitalares perigosos no Parque de Saúde de Lisboa, nos terrenos do Hospital Júlio de Matos.