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Imigração clandestina

Médicos do Mundo apelam ao diálogo e ao combate à pobreza como forma de combater a imigração clandestina.

Na sequência das medidas anunciadas pelos Ministérios da Administração Interna e da Defesa para conter o «risco» que poderá representar para Portugal passar a ser um dos destinos das vagas de imigrantes oriundos da África Subsariana, a organização «Médicos do Mundo» apela a que os esforços do Governo português e da sociedade civil não se restrinjam ao controlo das fronteiras.

Só este ano, «foram retirados 500 cadáveres do Atlântico, sendo provável que milhares de pessoas tenham morrido ao tentarem a travessia», revela a organização. Pelo que, adverte, «não pode ser ignorada a principal causa que leva milhares de pessoas a deixarem os seus países, inclusive com risco de vida: a pobreza extrema em que vivem nos seus países de origem e a inexistência de alternativas de vida». 

De acordo com esta organização não-governamental de ajuda humanitária e cooperação para o desenvolvimento, «só combatendo o problema na origem será possível vencer os perigos a que a imigração clandestina representa para Portugal, para a Europa e, sobretudo, para os próprios imigrantes».

Num comunicado divulgado hoje, a organização defende também «a criação de condições humanas nos centros de acolhimento, assim como na concertação de esforços com a União Europeia, os países de acolhimento e os países de origem para delinear um plano de investimento nas zonas subsarianas». Ou seja, promovendo «a educação, o emprego e potenciando os recursos locais».

Segundo a «Médicos do Mundo», os esforços europeus «devem ainda ser centrados na necessidade de se completarem as negociações de Doha e na concretização da abertura dos mercados europeus e americano aos produtos agrícolas de África».

De acordo com o Governo, as medidas de combate à imigração clandestina passarão por um reforço futuro no controlo das fronteiras marítimas portuguesas, prevendo-se que as zonas mais vulneráveis sejam a Madeira e o Algarve.