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«I got what I wanted»

O EXPRESSO assistiu ao concerto dos Stones no Dragão, que começou com uma chuva de meteoritos e pôs cobro à teoria da extinção dos dinossauros

«You can´t always get what you want». É um facto. Mas das cerca de 47 mil pessoas que, no sábado, encheram o estádio do Dragão para ouvir os Rolling Stones, nem uma só terá saído de lá sem aquilo que queria. Pelo contrário.

Com muita probabilidade (mas a sondagem não é científica!) todas tiveram mais do que pensavam em troca dos (pelo menos) 57 euros que custou o ingresso no «concerto do ano»: mais entusiasmo, mais cansaço físico… mais dúvidas sobre a mortalidade dos homens depois de ver, ao vivo, Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Charlie Watts e a inacreditável energia com que – sobretudo o primeiro – iludiram em palco as seis décadas de vida (e que vida!) que já passaram por eles.

A actuação começou quando faltavam 10 minutos para as 22h, com o écran gigante a iluminar-se numa chuva de meteoritos virtuais em direcção à audiência. Seguiram-se duas horas e 20 temas de um espectáculo que começou morno (com o som a chegar deficiente às últimas filas do relvado), ao ritmo de «Jumpin’ Jack Flash», mas terminou a escaldar, depois do falso fecho com «Start me up», num único encore, ao som eterno de «You can’t always get what you want» e «(I can´t get no) Satisfaction».

Se emitissem certificados de autenticidade para fãs, Sérgio, 36 anos, tinha um por direito próprio. Conhece de cor e salteado a biografia e a discografia dos Stones – assumidamente a banda sonora oficial da sua vida. Foi a sexta vez que os viu ao vivo. E a segunda (depois de Coimbra, há três anos) que conseguiu arrastar um grupo de amigos (14, no total), muito menos entusiastas do que ele, para um concerto fora de Lisboa – onde vivem.

Para assinalar a importância do evento, fez uma selecção dos temas menos conhecidos do grupo e gravou-os num CD que ofereceu a cada um dos amigos, com uma dedicatória personalizada.

José reside na zona histórica do Porto. Como em todos os fins-de-semana em que o FCP joga em casa (é sócio com lugar cativo), vestiu o fato-de-treino azul  e calçou os ténis para percorrer os mil e poucos metros que separam a sua casa do estádio. Desta vez não entrou. Foi das grades exteriores que viu «o espectáculo todo». Mas não precisou de entrar para ter a certeza: «Foi muito bom!»

«Isto é uma vez num ano!», exclama Paulo, motorista de táxi, stressado com tanto serviço numa noite só - ainda que acabe por confessar que há mais duas noites (o S.João e o Ano Novo) em que também «não dá vazão».

São duas da manhã. O comboio especial que a CP organizou para a ocasião já partiu há meia hora. Num café próximo da estação de Campanha, ainda aberto, não há tostas mistas, «só baguetes!». O negócio superou as expectativas, explica o empregado. No Porto,  sábado, à boleia dos Stones, só não ficou satisfeito quem não esteve lá.