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Hugo Lourenço, basquetebol em cadeira de rodas

Ao fim de nove anos de carreira, Hugo bateu todos o recordes nacionais da modalidade e joga actualmente numa equipa espanhola.

Tinha onze anos quando lhe foi diagnosticado um tumor na perna. A amputação era inevitável. «Foi um choque mas a solução era seguir em frente e reprogramar a minha vida». Hugo Lourenço mal sabia que a nova condição o levaria a ser um campeão internacional.

Mantendo o mesmo «espírito irrequieto», nunca deixou de estar ligado ao desporto e foi aos 18 anos que chegou o ponto de viragem: «A convite de um amigo experimentei basquete em cadeira de rodas e foi amor à primeira vista». Já vai com nove anos de carreira, e é o primeiro atleta português de desporto adaptado a jogar numa equipa estrangeira.

Mais gratificante que os títulos alcançados é receber anualmente convites para integrar algumas das melhores equipas europeias. No entanto, o gosto pela profissão de técnico de Anatomia Patológica, no IPO de Lisboa, fá-lo pensar duas vezes antes de embarcar no desporto como forma exclusiva de vida. «No meu caso, tenho o pé bem assente na terra e sei que é muito complicado viver só do basquete no futuro». Por enquanto, concilia a profissão com os treinos na equipa C.P. Mideba, em Badajoz.

Longe da realidade espanhola, Hugo revela que em Portugal ainda falta apoio financeiro e, principalmente, uma estrutura que dê oportunidades «aos muitos atletas valiosos que temos. Não faz sentido que se continue a encarar o desporto para deficientes como uma terapia. Tem de se aceitar que as pessoas que o praticam também podem ser atletas de alta competição».

Dividido entre as suas duas paixões e ainda o casamento recente, Hugo não esconde o orgulho pelas metas alcançadas. No entanto, deixa bem claro: «No dia-a-dia, cada pessoa é campeã à sua maneira. As medalhas são apenas uma forma de reconhecimento público».

BASQUETEBOL EM CADEIRA DE RODAS

Há quem afirme ser este o “rei” dos desportos colectivos no desporto praticado por deficientes.

Esta modalidade mantém muita da espectacularidade da versão jogada por não deficientes, em que a velocidade, o ritmo os aspectos técnicos e tácticos são igualmente preponderantes fazendo justiça ao facto de os meios e materiais utilizados, recinto, tabelas, bola sejam exactamente os mesmos, apenas diferindo o meio de locomoção dos jogadores.

A competição paralímpica destina-se a portadores de deficiências motoras e está dividida nos sectores masculino e feminino.

É modalidade do Programa Paralímpico desde os primeiros Jogos em Roma no ano de 1960.