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Hotéis para cães e gatos lotados

Quem já viajou de carro com um gato sabe o que isso representa. José Miguel, que este ano voltou a levar os seus seis gatos para passar  férias em Espanha com a família, diz que é um martírio. Os animais miam invariavelmente durante toda a viagem e reclamam de tudo. Das curvas, da velocidade, do ar condicionado, do vento e do calor. Além disso, enjoam e não controlam as suas necessidades fisiológicas. Em suma, um inferno. Mas nada disso faz José Miguel desistir. Deixar os gatos para trás é coisa que não lhe passa pela cabeça.

Aguentar os vómitos dos bichanos durante uma viagem de carro não é fácil. Existem, de facto, drogas contra o enjoo, mas fazer com que um gato tome um comprimido é pior do que obrigar um cão a fazê-lo. Não adianta misturar o medicamento na comida nem diluí-lo na água. A solução é agarrar o felino e deitar o comprimido goela dentro. Mas essa tarefa é tão árdua, principalmente quando se trata de medicar seis gatos, que José Miguel prefere arriscar. Quanto à falta de espaço para a família no automóvel – sobrelotado com tantos animais – este é um problema mais fácil de resolver. A mulher, Rita, e o filho, Iago, seguem de camioneta.

Opção diferente tiveram João Luís e Emanuel, que este ano, antes de sair para férias, deixaram os seus cães aos cuidados de um tratador, durante uma semana. Os dois cães do João Luís custaram 15 euros a diária (ficaram juntos numa boxe grande), ração à parte levada pelo dono. O do Emanuel, dez euros. Nos dois casos, com a garantia de um tratamento de primeira, incluindo passeios diários com os animais. Regressados de férias, disseram ao EXPRESSO que estavam satisfeitos: os animais pareceram felizes. Mas ficaram a saber que em Espanha, a hospedagem de animais é mais barata (cerca de oito euros/dia).

O elevado preço dos hotéis para animais e o facto de exigirem reservas com antecedência, condicionam as férias de muitos portugueses. O EXPRESSO apurou que, neste momento, estão praticamente lotados até ao dia dez de Setembro e só aceitam reservas para a segunda quinzena. A alternativa é deixar os animais aos cuidados de familiares ou voluntários.

Este ano, nove voluntários do «Cantinho dos Animais» estão a cuidar de cães em cerca de uma dezena de casas no concelho de Viseu. Em Lisboa, a Câmara Municipal e a Liga Portuguesa dos Direitos do Animal (LPDA) lançaram uma campanha televisiva a incentivar o intercâmbio de animais domésticos. Mas a julgar pelos números do abandono e do voluntariado, a campanha parece não estar a surtir o efeito desejado.

Inês, que antes levava os seus dois cães com ela para férias, agora que tem quatro, prefere deixá-los em casa, onde são tratados pela mulher-a-dias e, aos fins-de-semana, pelo cunhado. «Ficam melhor assim, têm menos stresse», diz ela. Clara, por sua vez, leva sempre o seu cão consigo de carro (já o fez de comboio, com o animal numa gaiola) e consegue passar férias numa casa que aceita animais.

Se vai para férias, saiba também que a maior parte dos alojamentos turísticos em Portugal, não aceita animais. Incluindo alguns parques de campismo, hotéis rurais ou turismos de habitação situados em quintas, ou que foram remodelados recentemente. São raras as excepções. Os casos, entre outros, do Hotel Rural Casa dos Viscondes da Várzea, em Lamego; da Quinta dos Quintãs, no Porto;  da Vila Campina, em Tavira; da Quinta das Alfaias, em Vila do Conde; e do Hotel Rural Horta da Moura, em Monsaraz.

Para saber mais,  leia o livro «Leva-me de Férias!», da autoria de Inês Guise, à venda nas livrarias, único guia com uma listagem de alojamentos que aceitam animais. No Guia da Boa Cama e da Boa Mesa, do EXPRESSO, vai encontrar também a indicação dos estabelecimentos que aceitam ou não. Convém saber com antecedência se dispõem de instalações especiais. Poderá, ainda, consultar os «sites» da LPDA, da SOS Animal bem como de hotéis para cães e gatos.

Se vai viajar para o estrangeiro, conheça as novas regras para a circulação de cães e gatos como animais de companhia, no «site» da Direcção-Geral de Veterinária do Ministério da Agricultura.